<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679</id><updated>2012-02-02T20:29:03.390-02:00</updated><category term='Poemas'/><title type='text'>Anjo Maldito</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>429</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6514862632685448612</id><published>2012-02-01T20:36:00.001-02:00</published><updated>2012-02-01T20:37:13.708-02:00</updated><title type='text'>O terrorista de rosas nas mãos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc07.deviantart.net/fs51/f/2009/292/5/8/Red_roses_by_NadyaBird.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="163" src="http://fc07.deviantart.net/fs51/f/2009/292/5/8/Red_roses_by_NadyaBird.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No cinzeiro de jade, junto às cinzas do último cigarro dele, cada pedacinho das unhas roídas e vermelhas dela. O quarto todo ainda respirava almíscar e na janela as nuvens vinham espiar tímidas o que não aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele veio de longe, desafiando o vento e o tempo voraz. Veio só porque ela chamou. Veio porque já não podia sozinho com o que sentia no peito. Precisava, feito terrorista, explodir o coração perto dela, ferindo-a com farpas e os rastilhos de pólvora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de ter-lhe dito “venha cá”, ela esperou. Esperou com a impaciência do desespero. Como se ele trouxesse no peito escarlate qualquer veneno capaz de curar-lhe as ânsias de morte. Esperou pintando as unhas e os planos de sequer deixá-lo falar. Tão logo ele entrasse, cobriria sua boca com um beijo e o derreteria ali, em plena cama, desarmando bombas e sorvendo calma toda cura de dentro dele. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto subia as escadas, cada degrau uma tacada nos nervos, ele também desenhava dentro de si o que aconteceria naquele quarto. Assim que ela atendesse, ele explodiria em traços tão vermelhos quanto as rosas que carregava nas mãos. Atiraria, pois, as flores ao chão e a tomaria em seus braços romântico, ultrapassado e carnívoro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando abriu a porta, ela não soube como fazer. Agradeceu as flores. E ele não soube o que dizer ou onde tocar. Derrubou o chapéu. No mesmo momento captaram o erro. A ousadia imaginada, feito fada dos contos, recolheu-se à imaginação, medrosa do real que é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela ofereceu um café, ele aceitou um cigarro e o relógio parou para ver com seus altos ponteiros o que acontecia. Era engraçado. O relógio ria. Os dois atravessaram mundos e se jogaram maldições só para se encontrarem ali. E agora nenhum deles sabia como começar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, porque imaginavam – sempre a imaginação – imaginavam que depois do primeiro toque, todo o resto aconteceria naturalmente. Esperavam, tensos, como se espera alguém puxar o pino da granada que tem presa à própria mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ela levantou trocar a música, ele ensaiou um gesto tímido. A mão levantou das pernas feito borboleta manca e bem quase pousou nos cabelos dela. Não pousou. Quando ele foi à janela ver se já anoitecia, ela tentou soltar um dos botões da blusa, quebrou a unha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o ar cansou de ser respirado e a tensão já quase sufocava aqueles dois, ele levantou dizendo que era melhor ir. Que ainda precisava ver uma tia adoentada e comprar-lhe um elixir. Os dois sabiam que era mentira. Uma pena, ela disse. Quase desejando empurrá-lo pelas escadas, matar quem testemunhou o assassinato da ousadia. E do amor. E do amor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque se nenhum jamais agarrasse o outro firme, não passariam daquilo. Daquela encenação de atores sem falas. Daquela falta de graça. Daquele desaproveitamento de pele. Daquele desperdício de hormônios e fluidos e carnes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Ela precisava fazer alguma coisa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deu-lhe a mão. Que voltasse, outra vez, outro dia. Quando a porta se fechou, cada um desejou morrer à sua medida. O chão faltava. As paredes tremelicavam de riso. Lá fora os carros gargalhavam rápidos enquanto ele descia a rua, chapéu na mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só houve tempo para que ela roesse a unha quebrada. Para que descesse correndo a escada. Para que gritasse o nome dele, antes que ele chegar na esquina. E o nome dele, assim gritado, desvirado no ar, batendo ecos nas casas foi como a palavra mágica que faltava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se tivessem dito os infinitos nomes do diabo e perturbado o mundo a ponto da ousadia não saber onde se refugiar. E escolher a humana realidade. Ele, por sério que era, correu, sorriso no rosto, chapéu descendo a ladeira. Ela, por míope que era,  tirou ligeira os óculos para que não se machucassem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E explodiram!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silenciosamente explodiram os dois. Em um arrepio de bocas e línguas cuja fumaça cheirava à jasmim e alecrim. Em um rodopio de fogos vermelhos e morangos maduros que espocavam antes de chegarem ao céu. Explodiram. E o único som que se ouviu foi o da primeira gota de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, naquela noite haveria tempestade. E naquela noite haveria também, até que enfim, amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6514862632685448612?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6514862632685448612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6514862632685448612&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6514862632685448612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6514862632685448612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/02/o-terrorista-de-rosas-nas-maos.html' title='O terrorista de rosas nas mãos'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2964865907979083334</id><published>2012-01-30T20:20:00.001-02:00</published><updated>2012-01-30T20:26:37.756-02:00</updated><title type='text'>Felicidades, culpas e responsabilidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É porque no fundo a única responsabilidade que você tem é com a sua própria vida. E eu abro mão desse fardo com relativa facilidade. E também com relativa facilidade assumo a carga que é alheia. É trauma, eu explico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje uma menina faz aniversário. E eu não sei como ela está, ou onde. Eu dei a ela um parabéns constrangido, recolhido, envergonhado, via uma rede social qualquer. E eu disse a ela que esperava que ela estivesse feliz. Do fundo do meu peito, eu esperava – mas isso não disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É bem patético. Ou comum até, mas eu me sinto responsável por ela. Ainda hoje. Tudo por um ato – ou a falta de um ato – meu. Estávamos ainda no primeiro grau quando a vida dela mudou. Por minha causa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não completamente, eu sei. Agora eu sei que tudo não se resume à minha ação, mas a conjunto de consequências. Por muitos, muitos anos, porém, eu acreditei que devia a ela cada felicidade que pudesse ter-lhe tirado com aquilo que fiz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De manhã não tivemos aula naquele dia. Intersérie. De tarde ela estava escalada para um dos jogos, no time de vôlei. Éramos, é importante dizer, os párias da turma. Ela, outra menina, e eu. Ela por ser pobre foi discriminada desde pequena. A outra menina por ser frágil e ingênua. Eu por opção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É estranho dizer isso, mas de cedo eu vi que não podia fazer parte da alienada maioria que chamava uma de piolhenta e a outra de burra. Eu troquei as festas a que era convidado pela solidão nos livros, as brincadeiras na hora do recreio pelo esconderijo da biblioteca, as tardes de encontros pelas tardes de risadas com aquelas duas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu passei em algum ponto, conscientemente, para o lado dos que ninguém queria. E não me importava com isso. Como se desde pequeno eu entendesse que eu me bastava. Que pela vida afora eu precisaria desfazer laços e ficar do outro lado do risco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era meio-dia quando voltamos, a outra amiga e eu, para casa com a promessa de que sim, à tarde iríamos até o ginásio, mesmo livres da obrigação, para fazermos companhia a ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não fomos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E porque não fomos, eu não posso contar o que lhe aconteceu. A menos que eu traduza as consequências. A menos que eu diga que naquela tarde as outras meninas, todas bonitinhas e fabulosamente nascidas, a impeliram a ficar com um menino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi a primeira vez. E ela só se deixou levar porque não estávamos lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro beijo. E por que ele seria um desastre assim? Pelas consequências. Se estivéssemos lá, eu e a outra amiga, teríamos dado risadas a tarde toda. Teríamos comido alguma bobagem, bebido uma coca-cola e depois iríamos para casa, com a vida toda normal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegaria sim o dia do primeiro beijo. Quando ela estivesse toda pronta. Quando ela decidisse que era a hora. Quando aparecesse um menino com quem valeira à pena. Não assim. Não empurrada pelo gozo das outras meninas. Não com alguém cujo nome ela nem sabia. Não para fazer parte delas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas foi. E isso eu não podia mudar. E no dia seguinte a culpa já caia em mim. Ela era diferente. Ela provou do mel / fel daquelas meninas. E queria mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não era conosco que sentava. Era com elas, que aceitavam como se fosse uma iniciada nas tramas mais baixas da casta. Não a viam como igual. Jamais a veriam. Mas agora podiam divertir-se com ela. E o fizeram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi ali que ela mudou. Não era mais a aluna brilhante e tímida. Era vulgar. Ficava com quem aparecesse, sempre tutelada pelas risadas de incentivo e nojo e escárnio das meninas bonitinhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até que elas se cansaram. E a deixaram como se deixa um animalzinho que já não diverte mais. E já não havia mais volta possível. Ela olhava para nós com um misto de saudade e condenação. Eu olhava para ela com uma culpa imensa. E a culpa forma abismos. Abismos que nenhum de nós jamais ousou passar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela encontrou abrigo no que se costumam chamar de “más companhias”. Beijos na boca, sexo talvez, drogas possivelmente. E tudo por aquela tarde. Aquela tarde em que eu preferi ficar pintando coisas dignas dos elogios da professora de Artes. E que a outra amiga preferiu ficar vendo sessão da tarde no sofá de casa. E tudo mudou. E tudo aconteceu e se modificou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E hoje, que é aniversário dela, eu voltei a me perguntar até que ponto eu a fiz infeliz. Porque é infelicidade o que reverbera naqueles olhos da foto. Olhos velhos, de olheiras fundas e cílios pretos. Infelicidade nos cabelos retos e na boca dura que não dá sinais de saber sorrir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se pudesse falar com ela, perguntaria se ela me culpa por tudo. Se foi tudo tão ruim assim a partir dali. Ou se ela encontrou um jeito melhor do que o nosso de se fazer feliz. Eu queria saber se ela me agradece ou condena por aquele dia. Ou melhor, se ela sequer tem noção do que representou aquele dia, do que mudou, do que aconteceu a partir dali.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora eu posso dizer que assumi demais a responsabilidade por ela. Que ela fez o que precisava e o que queria fazer. Que é um erro tentar poupar os outros deles mesmos. Que não se deve proteger alguém daquilo que esse alguém quer. Eu posso me repetir isso que aprendi. Posso. Posso dizer até ficar rouco e cansado. Mas não sei se posso me convencer. Porque em algum ponto eu sou o menino que não foi. E ela, a menina que ficou, imensamente sozinha naquele ginásio tão grande.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2964865907979083334?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2964865907979083334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2964865907979083334&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2964865907979083334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2964865907979083334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/felicidades-culpas-e-responsabilidades.html' title='Felicidades, culpas e responsabilidades'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3780203964545254830</id><published>2012-01-29T20:36:00.001-02:00</published><updated>2012-01-29T20:37:38.856-02:00</updated><title type='text'>Princess of Wands</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://vanessadecort.daportfolio.com/" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="193" src="http://4.bp.blogspot.com/-hm_F3F2dyNE/TyXJpnqGkhI/AAAAAAAAAe4/IB3HSqFhMQg/s200/Vanessa+Decort.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Quando você vem é pra me dizer que está na hora. Hora de levantar dessa cama, hora de tirar o pó dos armários, hora de abrir essa janela direito e deixar entrar o sol da manhã. Quando você vem eu sei que vai jogar fora todos os meus papéis e planos velhos. Sei que vai me fazer beber mais água, cortar os cabelos e querer mais do futuro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando você vem eu sei que é pra me desacomodar, pra me fazer parar de reclamar e sair dessa cadeira para lutar por alguma coisa decente. Eu sei. Sei que vai ser para me dizer que postura assumir, quantas frutas comer e onde investir meu dinheiro e energia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando você vem é pra tirar das gavetas o que eu não preciso mais e pra me cercar dos sonhos que eu deveria mesmo ter. Quando você vem é pra me colocar em frente ao espelho e me moldar do jeito que eu deveria mesmo ser. Para me fazer ver minhas reais capacidades, tirar minhas máscaras e desmontar meus esconderijos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, quando você vem eu não tenho mais paz nem sossego. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem medo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque é só quando você vem que eu posso viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3780203964545254830?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3780203964545254830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3780203964545254830&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3780203964545254830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3780203964545254830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/princess-of-wands.html' title='Princess of Wands'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-hm_F3F2dyNE/TyXJpnqGkhI/AAAAAAAAAe4/IB3HSqFhMQg/s72-c/Vanessa+Decort.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7664592632137994826</id><published>2012-01-28T21:41:00.000-02:00</published><updated>2012-01-28T21:41:45.701-02:00</updated><title type='text'>Epifanias</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc00.deviantart.net/fs70/i/2010/010/4/a/__________________by_estellamestella.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc00.deviantart.net/fs70/i/2010/010/4/a/__________________by_estellamestella.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a poeira vermelha baixou, no meio da rua estava Clarissa. Vestida de flores, olhos pintados de água, sorriu-me triste. Os cabelos quase brancos faiscavam com o sol da tarde e meia. Do lado, nas pedras quentes do chão, uma bolsa de viagem, alça arrebentada, couro desgastado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando falou, não me deixou interromper. Não me deixou falar também. Quando falou, eu sabia que não mais me deixaria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Eu sei. Eu fui tola. Tola demais. Todo esse tempo sempre perseguindo sonhos. Sempre imaginando que eu seria a solução de alguém, sempre pensando ‘Se ele me amasse, eu poderia mudar a vida dele’. E eu nunca percebi. Eu jamais nem imaginei que tudo que eu precisava era de alguém disposto a mudar a minha vida. Alguém disposto a me fazer feliz. Entende? Alguém que me mostrasse o meu lugar. Que dissesse o quanto eu era importante. Alguém que me notasse, me admirasse, me fizesse sorrir por bobagens, sabe? E agora eu estou aqui, chorando, porque todas as vezes que tentei fazer alguém feliz, eu abdiquei da minha felicidade. Do que eu sentia. Do que eu queria. Eu fiz com que eles vissem o quanto eram importantes. E eles se tornaram importantes pra eles mesmos. Não pra mim. E isso me fez ver que importante não é mesmo amar. É ser amada, né?! Por isso eu voltei. Voltei porque não posso mais perseguir sonhos, não posso mais quebrar. Estou esfarelada, entende? Não em cacos, em farelos. E eu queria saber se há um lugar, se há um canto, se ainda há encanto que me faça voltar pra você. Porque o segredo é mesmo esse. Não é tentar mudar a vida de alguém. É deixar que alguém mude a sua. E eu sei que você poderia mudar a minha se quisesse. Se tentasse com força. E eu deixaria dessa vez. Dessa vez eu sentaria e seria feliz. Bem boba, bem tola, bem mocinha de filme da década de 20.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ela finalmente terminou eu compreendi. Cada palavra. E soube que ela tinha razão. E soube que eu precisava, também, de alguém que me fizesse feliz, não de alguém a quem alegrar. Eu disse que ela podia sim voltar. Mas nunca pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Conto inspirado pelo som de&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&amp;amp;v=KBxeIi1nySQ#!"&gt;A hora da estrela&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7664592632137994826?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7664592632137994826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7664592632137994826&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7664592632137994826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7664592632137994826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/epifanias.html' title='Epifanias'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3185684149077361164</id><published>2012-01-27T19:11:00.005-02:00</published><updated>2012-01-27T19:35:21.283-02:00</updated><title type='text'>Caríssimo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Arrumando hoje as coisas das gavetas, encontrei um papel com o nome teu. Vinicius Linné. O nome limpo, um papel rasgado. Lembrei-me de ti. De todos os meus personagens – e foram muitos – tu és o único que não matei. A tua história é a única, aliás, à qual nem fim dei.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Que te esqueci é bem verdade, mas haverás de me perdoar. Eu me afastei porque precisava, já começava a te pintar com tintas tristes. Eu te fazia chorar à toa e machucar-te assim me magoava. Dei-nos um tempo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Que foi de tua vida enquanto não te escrevi? Viveste? Não? Eu não sei. Não sei o que fazem meus personagens longe de minhas tintas e minhas máquinas. Se continuaste triste por esses tempos, perdão. Hoje voltou-me toda uma vontade de te retomar, de te fazer sentir, vibrar, viver. Ou te fazer dançar e cair, comigo no fim.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Há dias – e noites principalmente – em que penso em tirar-te dos meus papéis, do molde negro das minhas letras. Assim, como se eu acaso fosse uma versão moderna de Dr. Victor Frankenstein. Com a diferença de que você não é monstro porque eu te fiz anjo. Agora queria fazer-te carne, músculos e sangue. Queria fazer-te homem. Qualquer dia queria ver teus olhos tristes feito pingos de mel, os teus cabelos escuros feito anoitecer, tua barba de tirar a inocência do rosto.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Queria ver isso em qualquer canto da rua. Mas não há magia que traria à vida o que eu inventei. O que só por isso existe. E só dentro de mim. Assim como não posso fazer me brotarem os sentimentos do peito. Como não posso traçar o amor, o ódio. A tristeza mesmo que me é tão íntima, eu não posso moldar em argila crua e depois soprar-lhe vida. Mesmo a ti que teci com dedos de panos tão delicados eu não posso fazer viver. Eu nem pude te impedir de sofrer, quando era isso que desejavas tão ardentemente.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Ah, Vinícius. Somos no fundo tão iguais. E acho que é em minha carne que te fazes carne. É do meu peito que te faço o teu pulsar. Não sei, menino, quando foi que te inventei. Imagino que era outono. Imagino que entardecia. Imagino que as nuvens armavam uma tempestade azul. Imagino que naquele dia eu amava e por isso imaginava você.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Queria te ouvir. Queria te tocar. Queria te fazer escrever. Será que algum dia me perdoarias a tua criação? Será que algum dia faria sentido eu te criar feito máscara minha. Será que eu te convenceria de que tu não existes? Não sei de mais nada. Sei que escrevi porque a tarde existia. Porque a solidão existia e porque existia papel e caneta nas minhas mãos. Sei que escrevi só porque precisava que tu vivesses também. Para não ser tão sozinha. Para não ser esquecida. Para purgar e para não morrer.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E agora que tudo é assim, tão fatal, tão ficcional e tão real aqui dentro, queria te dizer que um dia ainda te escrevo uma história linda. A primeira de toda minha vida. Prometo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Com amor,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Clarissa&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3185684149077361164?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3185684149077361164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3185684149077361164&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3185684149077361164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3185684149077361164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/carissimo.html' title='&lt;i&gt;Caríssimo&lt;/i&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1231132436495268214</id><published>2012-01-25T17:52:00.001-02:00</published><updated>2012-01-25T17:58:27.804-02:00</updated><title type='text'>Contrastes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://fc01.deviantart.net/fs26/f/2008/063/3/1/31724761659a1bf8.png" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc01.deviantart.net/fs26/f/2008/063/3/1/31724761659a1bf8.png" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Foi Ághata quem me instruiu na construção dos universos paralelos. Foi dela também que apreendi o dom de cimentar a felicidade neles. Por toda minha vida vi Ághata descortinar possibilidades fantásticas. E mais, colocar sua felicidade sempre nessas possibilidades. Depois, ensinaram-me também que um corpo – mesmo abstrato? – não pode ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo. Compreendem? Colocando sua felicidade na dimensão do impossível, Ághata tratava de continuar infeliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela me dizia assim: “Se eu tivesse continuado com minha loja de chapéus em Londres e minhas idas a Gales para comprar musselinas e berloques eu hoje seria feliz”. É mentira. Com seus gastos excessivos e seu gosto desmedido, ela acabaria falida e depressiva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outras épocas, falava: “Feliz eu só seria se tivesse me casado com o dono da &lt;i&gt;bombonière&lt;/i&gt;, aquele que me deu de noivado um anel de três rubis. Com ele eu teria dois filhos para me acompanharem na velhice”. Compreendem como ela se seduz com felicidades impossíveis só para permanecer infeliz? O tal dono de &lt;i&gt;bombonière&lt;/i&gt; mesmo revelou-se estéril fora das fantasias de Ághata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes em uma casa menor. Às vezes em uma outra família. Às vezes de volta à Inglaterra. Ághata sempre escondeu a felicidade onde ela não estava. Onde não conseguiria encontrar, nem que tentasse. E eu, como bom tutorado, aprendi com ela. Feliz não é aqui. Feliz é lá. Feliz é além. Feliz é sempre uma meta que muda de lugar, afastando-se eternamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A felicidade para nós de sensibilidades – ou loucuras – afloradas é sempre uma condição que reside no que não somos, no que não temos. Somos infelizes por contraste, como se gostássemos do conceito da infelicidade mais do que gostamos de admitir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, do conceito especialmente. Ao contrário do que pode parecer a maior parte do tempo, eu não sou daquelas pessoas que vivem de lamúrias. Eu transbordo em risos para quem chega perto o suficiente. Eu tenho alegrias, o que tem diferenças sutis em relação à felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com Ághata tudo é mais denso, mais definitivo, mais trágico. Agora mesmo eu posso observá-la. Soprando prazerosamente a fumaça de um cigarro e junto com ela a felicidade que só teria – disse-me – se parasse de fumar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1231132436495268214?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1231132436495268214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1231132436495268214&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1231132436495268214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1231132436495268214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/contrastes.html' title='Contrastes'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2831166721114451274</id><published>2012-01-24T20:33:00.001-02:00</published><updated>2012-01-24T20:35:10.386-02:00</updated><title type='text'>O Apelo da selva</title><content type='html'>{Vicente Gallego - Trad. Albino M.}&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre foi a tristeza&lt;br /&gt;um dócil animal de companhia&lt;br /&gt;com quem brinquei algumas tardes.&lt;br /&gt;Esticava-me o braço sem apertar os dentes,&lt;br /&gt;passeava comigo, sentava-se a meus pés&lt;br /&gt;nos frios invernos.&lt;br /&gt;Nos dias aziagos, a experimentar-lhe a obediência,&lt;br /&gt;atirava-lhe a alma e ela trazia-ma&lt;br /&gt;docemente empapada em seu bafo doméstico.&lt;br /&gt;Sempre foi a tristeza&lt;br /&gt;um dócil animal de companhia&lt;br /&gt;que apanhou há algum tempo&lt;br /&gt;este feio costume de morder o dono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via: &lt;a href="http://ruadaspretas.blogspot.com/2012/01/vicente-gallego-o-apelo-da-selva.html"&gt;Rua das Pretas&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2831166721114451274?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2831166721114451274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2831166721114451274&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2831166721114451274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2831166721114451274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/o-apelo-da-selva.html' title='O Apelo da selva'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5859861208807901959</id><published>2012-01-24T07:43:00.001-02:00</published><updated>2012-01-24T07:43:57.198-02:00</updated><title type='text'>Acúmulo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o7h33min e eu já estou cansado desse dia. E de todo resto, pra falar a verdade. Cansado de falar sem ser escutado. Cansado de não falar e tentar demonstrar com cada poro o que eu estou sentindo - e não ser notado. Cansado de arcar com responsabilidades dos outros tendo tantas que são minhas. Cansado de fazer concessões e jamais vê-las feitas para mim. Cansado da falta de empatia de quem está ao meu redor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansado de ficar sozinho se equilibrando ora aqui ora ali. Cansado dessa sensação de vazio e de falta de perspectiva. Cansado de ter planos frustrados. Cansado de não jogar tudo longe, de não mandar as coisas às favas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansado de não fugir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5859861208807901959?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5859861208807901959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5859861208807901959&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5859861208807901959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5859861208807901959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/acumulo.html' title='Acúmulo'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6934297444958672755</id><published>2012-01-23T18:30:00.000-02:00</published><updated>2012-01-23T18:30:28.720-02:00</updated><title type='text'>Pasárgada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5bg7yiSzsic/Tx3DDfH6fGI/AAAAAAAAAes/z5cichFQcIA/s1600/IMG_0747-4.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-5bg7yiSzsic/Tx3DDfH6fGI/AAAAAAAAAes/z5cichFQcIA/s200/IMG_0747-4.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;É recorrente essa sensação. Tudo aqui me sufoca, por isso essa pressão no peito e nas pálpebras. Escrevo como se organizasse letras debaixo d’água. E vivo sem ar. Metaforicamente falando. Seria minha cidade rarefeita? Ou rarefeita é minha alma?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei. Sei que ouvi o chamado de outras luzes. De uma cidade com pôr do sol nos montes. Uma cidade com mirante, construções históricas, águas no ar e uma rua que termina em penhasco. Lá as árvores crescem mais do que aqui e os vizinhos têm a delicadeza de não saberem meu nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É aos poucos que eu vou conseguindo aparar raízes, cortar amarras, desfazer laços. É com paciência – demais – que vou me desprendendo por completo, fio por fio. Enquanto isso os chamados soam. Mais fortes, mais definitivos, mais completos a cada dia em que minha voz não é escutada por ti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6934297444958672755?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6934297444958672755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6934297444958672755&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6934297444958672755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6934297444958672755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/pasargada.html' title='Pasárgada'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5bg7yiSzsic/Tx3DDfH6fGI/AAAAAAAAAes/z5cichFQcIA/s72-c/IMG_0747-4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3552902810700132173</id><published>2012-01-16T18:10:00.001-02:00</published><updated>2012-01-16T19:14:18.995-02:00</updated><title type='text'>O jogo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://farm4.static.flickr.com/3517/3984580734_6317cc0839.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://farm4.static.flickr.com/3517/3984580734_6317cc0839.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Como se entrassem pela minha porta e me entregassem as peças e o tabuleiro de vidro. E me explicassem então todas as regras. Como se eu compreendesse o objetivo do jogo e decidisse arriscá-lo. Como se eu fosse movendo, peça por peça, para criar o preciso desenlace. Como se eu já houvesse traçado todos os movimentos das próximas todas jogadas. Como se em mais alguns lances eu fosse vencer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se voltassem pela minha porta e me dissessem para parar com tudo. Como se me contassem que as regras todas que agora valem são novas. Como se me deixassem com o mesmo tabuleiro, as mesmas peças, a mesma posição, tudo congelado no espaço e dissessem: “Quando recomeçar o objetivo do jogo é outro: o Rei não vale mais nada, é a peça de menor valor. Já a Torre deve ser protegida a qualquer custo, inclusive a custo do Rei”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se as novas regras eu não entendesse direito. Como se não me houvessem explicado qual o lugar dos meus movimentos anteriores. Como se não me houvessem dito qual era o novo caminho. Quando meus objetivos, quando meus sonhos, quando o próximo passo? Não haveria próximo passo? Como se todo meu tabuleiro – antes vencedor – estivesse agora em posição ruim. Mal orientado, deselegante, pronto para perder em dois ou três lances.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se de repente eu tivesse que me reinventar, caso quisesse continuar tendo sentido. Como se antes, nas regras claras, meu sentido fosse explicado por si só. E agora eu precisasse, desesperadamente, encontrar um novo. Como se eu precisasse retraçar metas, objetivos, planos. Como se eu precisasse rever o valor de todas as peças. O Peão, o Bispo. O Cavalo. A Rainha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se eu precisasse fazer da minha quase vitória um novo jogo, no qual a desvantagem já seria o ponto de partida. Como se eu decidisse fazer. E como se a partir daquele momento tudo mudasse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E mudou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3552902810700132173?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3552902810700132173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3552902810700132173&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3552902810700132173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3552902810700132173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/como-se-entrassem-pela-minha-porta-e-me.html' title='O jogo'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm4.static.flickr.com/3517/3984580734_6317cc0839_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5678058987243317469</id><published>2012-01-10T13:12:00.002-02:00</published><updated>2012-01-10T13:14:02.382-02:00</updated><title type='text'>Despedida Padrão</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1nieZuSGFYw/TwxUtMfnH6I/AAAAAAAAAec/oGcuZs9YJ8Y/s1600/road_trip_by_codexii-d3gu4sy.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="175" src="http://1.bp.blogspot.com/-1nieZuSGFYw/TwxUtMfnH6I/AAAAAAAAAec/oGcuZs9YJ8Y/s200/road_trip_by_codexii-d3gu4sy.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Crianças, eu volto. Não mexam no fogo e menos ainda na gaveta das facas. Não liguem o gás, cuidado com as tomadas e alimentem o gato.&amp;nbsp;Não quero saber de vocês mexendo no armário dos remédios. Durmam cedo e nada de música alta também. Qualquer coisa chamem a vizinha. Ela já está avisada. Ah, e nada de mexer no fogo. Eu já disse. Criança que mexe com fogo faz xixi na cama. Deixem a porta sempre trancada. Ouviram bem? Sempre trancada. Jamais abram para estranhos - eles têm o poder de mudar nossas vidas. E nós não queremos isso, queremos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mais, acho que era isso. Acho que peguei tudo. Venham cá para um beijo. Se cuidem bem que logo eu estarei de volta. Ah, e até lá se comportem, heim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu às vezes amo todos vocês.&lt;br /&gt;Adeus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5678058987243317469?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5678058987243317469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5678058987243317469&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5678058987243317469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5678058987243317469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/despedida-padrao.html' title='Despedida Padrão'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1nieZuSGFYw/TwxUtMfnH6I/AAAAAAAAAec/oGcuZs9YJ8Y/s72-c/road_trip_by_codexii-d3gu4sy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7748867568189937325</id><published>2012-01-10T12:39:00.000-02:00</published><updated>2012-01-10T12:39:31.214-02:00</updated><title type='text'>Reconectar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desplugar da pele os fios. Arrancar - delicadamente - o mouse das mãos. Remover com segurança as teclas dos dedos. Desligar a tela dos olhos. Abaixar o som do eterno zunido. Desconectar, enfim. É hora de deixar tudo para trás, fazer as malas e esquecer que a cidade existe. Vou para o interior. Mais para o interior, se é que isso é possível. Vou para dentro de dentro de dentro de dentro do estado - e de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perigosíssima viagem. Não aquela dos ônibus climatizados, mas aquela dos meus cômodos escuros. Aqui há sempre a fuga possível da internet com seus caminhos e suas horas que escorrem não passam. Lá vou estar comigo, esse homem que teimo em não querer conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para chegar lá me despeço de tudo. Ou quase. Mas o computador com sua conexão nem é o mais fundamental. Sequer é importante o celular que nem sinal tem lá. Descubro na hora das malas que o mais difícil de abandonar são os livros. Há alguns de leitura quase pronta. E a tentação de esconder um deles na mala é muita. Mas não é férias? Se é, preciso tirar férias de quem sou aqui. E isso inclui a leitura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preciso ler as coisas que ainda não li dentro de mim. E para isso preciso me livrar das palavras. Pelo menos das outras palavras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As minhas eu carrego, invariavelmente. Resultado disso são as únicas coisas que levarei como fundamentais. Dois elos dos quais não me desfaço: minha agenda de escrever textos e minha câmera de tirar fotos. Nem tudo fica. Eu preciso voltar e encher os olhos com o mundo de lá. Eu preciso me entender melhor pelas fotos que escolho tirar e pelas folhas que teimo em escrever. É a única forma. A contemplação pura não me preenche assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então é isso. São as malas para arrumar, as coisas todas para encaminhar e depois a alegria de poder respirar. De ver sol, rio, montanha, rebanho de nuvem, casa incrustada no mato e aranhas do tamanho de laranjas maduras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É hora de se renovar, de se reinventar. Aonde tudo mais é calma, inspiração e sossego, é hora de reconectar. Comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7748867568189937325?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7748867568189937325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7748867568189937325&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7748867568189937325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7748867568189937325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/reconectar.html' title='Reconectar'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-8771036460307150851</id><published>2012-01-09T12:57:00.001-02:00</published><updated>2012-01-09T13:02:22.746-02:00</updated><title type='text'>Relicário</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lRyp3Vrhhis/TwsAGAf2YaI/AAAAAAAAAeQ/jxeYcwL4b-s/s1600/IMG_7076-16.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-lRyp3Vrhhis/TwsAGAf2YaI/AAAAAAAAAeQ/jxeYcwL4b-s/s200/IMG_7076-16.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo em mim já nasce velho, já vem filtrado por uma película de celofane amarelo e coberto pela poeira do que é ancestral. Tudo se curva sem o estremecimento da novidade. É tudo &lt;i&gt;déjà vu&lt;/i&gt; de tom &lt;i&gt;blasé&lt;/i&gt;. Em mim o &lt;i&gt;vintage&lt;/i&gt; já não é estilo, é normalidade. Minhas fotos envelhecem a ganham vincos tão logo eu as tire. Meus poemas amarelam antes mesmo de eu os terminar de escrever na folha. Penso algo e no instante seguinte eu me ultrapasso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os livros que termino de ler viram antigas memórias. Vou ao cinema e sempre me parece que acabei de ver um clássico. Compro coisas novas e no instante seguinte, ainda de etiqueta, elas já são herança antiga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A TV que assisto é sempre em preto e branco e qualquer “Muito prazer” já tem imiscuído o meu insosso “Adeus”. As novidades que me apresentam, eu já as vi na geração passada. Imberbe sou quase menino, em uma semana a barba me cresce – com fiapos brancos – e tenho quase 54. Meus 18 anos pertencem a qualquer vida passada, só consultada com a ajuda de médiuns muito bons. Minha infância foi pré-jurássica e agora mesmo, dada a hora do dia, minha manhã foi há 2 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro dia de trabalho tem sempre cara de aposentadoria. E a ideia que me nasce fresca, já cheira a podre, porque de tanto pensá-la já lhe surrupiei a realização. Da música que me encanta, a letra já foi esquecida. Da pintura fresca, a tinta já descasca. Meus amores de tão atemporais já viraram eternos e as amizades não mais que lembranças. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até eu mesmo já sou só relíquia santa, pedaço da cruz de Cristo vendido às quantidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É minha velhice crônica que me rouba o sentido. Por isso a busca sem parar. Por isso o desânimo já de berço. O recém-dito não é mais do que o já dito. O recém-visto é só o já visto. Meu segundo passado já é desbotado. Esse texto aqui mesmo, já me enche como se eu o escrevesse desde 1996. E fotografia que aqui boto foi encontrada no fundo de velhos baús que sobreviveram a duas guerras, três calamidades e um assassinato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo já me nasce prenhe de cansaço e se não há no mundo o quê descobrir, então para quê? É essa minha falta de sentido. O movimento rápido com que eu apreendo as cosias só faz com que elas fiquem gastas. E é a novidade que encanta e enfeita a vida. É a leveza das descobertas que torna mais bonitas as coisas todas. Que dá a vontade de continuar descobrindo, continuar navegando. Mas que faço eu que conheço do céu o gosto e do mar o vento? Que suspiro a poeira e me esfrego o mofo do corpo? O que eu digo se todas minhas frases já estão sujas e usadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Não sei e meu não saber já é a moda francesa do século XVI.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-8771036460307150851?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/8771036460307150851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=8771036460307150851&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8771036460307150851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8771036460307150851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2012/01/relicario.html' title='Relicário'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-lRyp3Vrhhis/TwsAGAf2YaI/AAAAAAAAAeQ/jxeYcwL4b-s/s72-c/IMG_7076-16.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4455217040042631217</id><published>2011-12-30T09:26:00.001-02:00</published><updated>2011-12-30T09:29:54.099-02:00</updated><title type='text'>Sísifo e as pedras que rolam</title><content type='html'>É engraçado perceber que no quase começo de dois mil e ouse eu fiz uma promessa. Uma promessinha só: a de voltar a reclamar no fim desse ano. Mas não posso. Mesmo. Sou mais fiel a mim do que às minhas promessas. Preciso ser, de outra forma eu soaria de uma incoerência sem tamanho. E da incoerência eu tenho medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, lá estava eu nos píncaros de dois mil é dez comparando o final do ano ao trabalho de &lt;a href="http://anjomaldito.blogspot.com/2010/12/feliz-ano-novo-mas-de-novo.html"&gt;Sísifo&lt;/a&gt; [se não lembra, é só clicar]. E eu não estava de todo errado. Vieram os mesmos meses, os mesmos feriados, tudo de novo; mas tudo tão novo, ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pedra rolou sim. Eu me esforcei [e bastante] para trazê-la morro acima de novo. Mas aí está ela. Mais redonda, mais polida, mais bem talhada. O esforço, meus amigos, não é, enfim, em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois mil e ouse, custa-me admitir, foi um ano bom. Um ano em que o saldo de sorrisos, descobertas, realizações e inspirações foi positivo. Sim, eu caí algumas boas vezes, mas os arranhões foram superficiais, enquanto que os risos foram profundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano eu descobri algumas paixões, como a de ensinar, por exemplo. Desteci alguns traumas há muito tempo bordados. Reconheci alguns erros e fui reconhecido pelos meus acertos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois mil e ouse me trouxe muitas certezas. Embora as certezas sejam tão perigosas quanto as incoerências.  Uma das certezas é de que não me importa realmente a opinião dos outros. Elogios te deixam mais assertivo, é verdade, mas as críticas não te derrubam. Aprendi que pouca coisa pode te machucar realmente. Aprendi que amores morrem e nascem da mesma misteriosa e mágica forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a valorizar quem me ama de verdade. Quem acorda mais cedo só para poder ainda me ver dormir. E que depois fala da cor de mel dos meus olhos, do desenho traçado dos meus lábios e de outras partes já quase impublicáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a cultivar paixões e a viver por elas. Aprendi a escrever mais e melhor e por outros caminhos. Aprendi a fotografar outras vidas. Aprendi a sempre dizer o que penso, doa a quem quiser se doer. Aprendi a me posicionar. A manter amizades bonitas, a estreitar amizades sinceras e a descartar as biodesagradáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a não me cobrar tanto, a relaxar e a beber cerveja. Em dois mil e ouse eu aprendi a relevar, a não me perturbar por coisa pouca, a não perder o prumo frágil e a ter um pouquinho – bem pouquinho – mais de paciência. Aprendi a aproveitar as oportunidades e ampliar minha até então restrita zona de conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano que passa eu ousei me aceitar. Ousei acreditar e assumir meus defeitos e minhas qualidades. Ousei ser eu mesmo em um mundo cada vez mais massificante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E paguei o preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não achei caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, dois mil e ouse foi mesmo um ano de aprender e um ano de ousar. Agora já é ano novo, de novo. E não desejo muito do futuro. Só desejo que ele cumpra sua promessa de ser doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-cE-9AnPBaKs/Tv2fpDa40mI/AAAAAAAAAeI/jDOXhwo5heM/s1600/IMG_8497.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-cE-9AnPBaKs/Tv2fpDa40mI/AAAAAAAAAeI/jDOXhwo5heM/s320/IMG_8497.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, feliz dois mil e doce para todos vocês.&lt;br /&gt;E obrigado por continuarem comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4455217040042631217?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4455217040042631217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4455217040042631217&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4455217040042631217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4455217040042631217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/12/sisifo-e-as-pedras-que-rolam.html' title='Sísifo e as pedras que rolam'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-cE-9AnPBaKs/Tv2fpDa40mI/AAAAAAAAAeI/jDOXhwo5heM/s72-c/IMG_8497.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7854370764710285351</id><published>2011-12-22T14:45:00.001-02:00</published><updated>2011-12-22T14:46:46.247-02:00</updated><title type='text'>Paris é aqui</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-cVU71xJjOP0/TvNekxkIjuI/AAAAAAAAAdo/CTN0A3m30g8/s1600/ah__ma_belle_paris_by_velline-d4jv06z.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="260" src="http://1.bp.blogspot.com/-cVU71xJjOP0/TvNekxkIjuI/AAAAAAAAAdo/CTN0A3m30g8/s400/ah__ma_belle_paris_by_velline-d4jv06z.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7854370764710285351?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7854370764710285351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7854370764710285351&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7854370764710285351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7854370764710285351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/12/paris-e-aqui.html' title='Paris é aqui'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-cVU71xJjOP0/TvNekxkIjuI/AAAAAAAAAdo/CTN0A3m30g8/s72-c/ah__ma_belle_paris_by_velline-d4jv06z.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6244055593214400818</id><published>2011-12-19T18:20:00.002-02:00</published><updated>2011-12-19T18:29:54.978-02:00</updated><title type='text'>Post Confuso de um duelístico surreal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;Tua vaidade se acaricia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;nos pelos das minhas pernas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;e cada elogio teu arrepia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #cc0000;"&gt;toda pele do meu púbis&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc00.deviantart.net/fs71/i/2011/022/7/1/watermelon_by_apricosy-d37rl1g.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="304" src="http://fc00.deviantart.net/fs71/i/2011/022/7/1/watermelon_by_apricosy-d37rl1g.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olho para os números e os números me dizem coisas. Como se fossem letras. O número baixo de postagens desse mês significa que.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora perco a reflexão. Vou em outros lugares, ler outras coisas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;O homem de terno cinza, gravata cinza, chapéu cinza e guarda-chuva está em frente às paredes – e são muitas paredes, como prédios, mas sem janelas, só entradas, portas entalhadas na pedra, vãos escuros. Ele olha os cartazes das paredes. Desbotados, coloridos de amarelo, ocre e laranja. Cores que um dia, quem sabe, foram vermelhos e púrpuras e azuis e grenás. O céu é azul-esbranquiçado. O sol está a pino, como em um meio-dia. Só que são quatro horas da tarde. Ninguém diz, não há relógios, mas são quatro horas da tarde e o homem olha cartazes. Às vezes com fingida atenção, outras com aquela indiferença. Como se o trabalho do homem fosse olhar os cartazes. Ou como se ele os olhasse e pensasse nos cartazes que ele mesmo &lt;s&gt;já&lt;/s&gt; não faz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leio outros textos e alguns me empolgam a ponto de eu erguer os olhos. Para outros eu fecho e passo a entender o porquê de todos os manuais &lt;s&gt;de instrução&lt;/s&gt; pregam o anti-semitismo dos adjetivos. &lt;i&gt;&lt;s&gt; “Ele é de escorpião. Insuportavelmente sexy e apaixonadamente sério.” &lt;/s&gt;&lt;/i&gt; Quase vomito os pedaços de melancia que antes devorei com luxuriosa gula, lambendo os dedos, as sementes e as facas; Sempre pensando nas uvas verdes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Nunca coma uvas com melancias,&lt;/i&gt; dizia Ághata. &lt;i&gt;Meu avô, lá na Inglaterra, abriu um cantinho de melancia e colocou dentro bagos de uva. A melancia empedrou inteira. Inteirinha. E ficou roxa. Horrível de se ver.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;O homem ainda olha cartazes. De repente batidas de sino. Como dando as horas, no relógio que não há. Ele olha para o pulso, sem relógio também, prepara-se, dá mais alguns passos e empedra. Todo em sulcos e veias em tons de roxo e melancia, inchando bem o pescoço e cuspindo caroços.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leio elogios e escrevo um poema. Eu todo de vaidade intumescida e latejante. Mais alguns elogios eu poderia fazer brotar um texto inteiro. Um texto descente, daqueles que dizem o que esperam que a gente diga. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tipo um texto que falasse coisas sobre amores e rejeições. Sempre há amores e rejeições. E o rejeitado sempre diz coisas como se quem perdesse fosse o rejeitador. Não perde nada. Se você quer saber, a dor de cotovelo morde o mundo. E eu escreveria sobre dor de cotovelo sem tê-la, só porque dá audiência. Coisa que não dá mensagens assim, como essa, sobre uvas e pedras e melancias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;E em todo lugar aquele homem vira pedra e as pedras racham e os cartazes velhos rasgam e tudo vem abaixo  em poeira cinza. Sobra só o guarda-chuva. Ou melhor, sobram só as varetas do guarda-chuva. E o tempo passa, acelerado como nos filmes. Dias e noites e noites e dias e mais rápido assim: diasenoitesenoitesedias até não se poder mais ver: dinoitestdiesdasoitedis. E tudo pára. E das cinzas do chão nasce um broto verde, folha por folha. E outro lá e outro ali e outro lá longe, até tudo ser uma ramagem verde abaixo do sol que amanhece. E de repente os frutos. Pelo chão, em ramas selvagens, uvas e melancias. Melancias rachando de tão maduras – sem que ninguém as coma. E a explosão de vida roxa e vermelha e verde. Divina. E o trinado das moscas no suco das frutas. E os vermes corroendo as polpas coloridas e as melancias encontrando-se com as uvas e tudo virando pedra. E os vermes virando homens. E os homens pintando cartazes. E os cartazes desbotando. E o homem consertando as varetas do guarda-chuva. Tempo, tempo, tempo. E eis o homem de terno cinza, gravata cinza, chapéu cinza e guarda-chuva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Termino tudo e penso no que não disse sobre números. Paciência. Não há o que dizer, porque os números que eu via já desbotam a ponto de eu não saber mais diferenciá-los. E as uvas ficam tão roxas quanto são as melancias vermelhas. E eu já sinto na boca outro gosto. Outro doce. E não importa mais se não vai chover. O amanhã nascerá amarelo. Sim, no amanhã haverá manga com leite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6244055593214400818?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6244055593214400818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6244055593214400818&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6244055593214400818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6244055593214400818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/12/post-confuso-de-um-duelistico-surreal.html' title='Post Confuso de um duelístico surreal'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3093667968415359957</id><published>2011-12-08T13:54:00.000-02:00</published><updated>2011-12-08T13:54:10.378-02:00</updated><title type='text'>A flor de cookies</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2010/017/7/4/cookies__milk_and_mistletoe_by_fhrankee.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2010/017/7/4/cookies__milk_and_mistletoe_by_fhrankee.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É 8 de dezembro, faz 27 graus e há 3 dias eu acordo com 24 anos. Não gosto do número. Detesto todo número que é par. O 25 do ano que vem também não me agrada. É natal demais. O 26 será novamente par. Isso significa que só estarei de acordo novamente quando estiver com 27 anos. Espera-se então.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu saio na rua e a rua é quente. As nuvens tratam de abafar o dia. Passo pela cidade, eles me olham e falam meu nome, descaradamente. Vou em um banco para tirar dinheiro e depositar no outro. Quando chego no outro, me avisam que há quantia suficiente para eu pagar meu boleto. Mas como? Depositaram para você. Hoje de manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico sem saber o que fazer do dinheiro do primeiro banco. Desperdício de tempo e caminho. Logo agora que eu vivo o estritamente necessário. Logo agora que todo excesso é sumariamente evitado ou descartado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorrio educado para a moça do caixa e desisto do depósito. Amanhã eu volto ao banco primeiro e deposito de volta. Um inferno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou à padaria e os &lt;i&gt;cookies&lt;/i&gt; são frescos. Preciso comprá-los para encher um pote. Ághata me ensinou: nunca se devolve um pote vazio. Superstição? Não, educação, gentileza, sensibilidade, esses toques tão frescos quanto os &lt;i&gt;cookies&lt;/i&gt; que eu teimo em reproduzir com rigor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olho para Clarice Lispector. O tempo todo estive de mãos dadas com ela. Vou para devolvê-la, mas é outro desperdício. A casa não abriu ainda. Olho de novo para ela. Vire-se, ela me diz, carregando bem o erre e soprando-me fumaça azul na cara. Estou atrasado em devolvê-la, mesmo sem tê-la aproveitado. É que não me foi necessária a luz do Lustre. E vivo hoje, como disse, o necessário apenas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trago Clarice de volta para casa. Agora precisarei de mais dinheiro quando eu for devolvê-la, para que a aceitem. Como um resgate, só que ao contrário. Pago para que a aceitem. E pago para que me perdoem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entro na casa e tiro a roupa toda. Como se nela estivesse grudado o calor. Não está. O calor vem do ar e parece que não choverá nunca mais. Tomo um banho, coloco outra roupa, tento ler alguma coisa. Não consigo. Tento corrigir algum trabalho. Não consigo. Tento preparar a aula de amanhã. Não consigo. Tento dormir. Não consigo. Tento fotografar. Não consigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só o necessário, relembro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou à cozinha e não derramo os &lt;i&gt;cookies&lt;/i&gt; no pote que vou devolver. Os arranjo de tal forma que façam a figura de uma flor. Ninguém vai perceber, eu sei. Mas Ághata me ensinou que é assim que se fazem todas as coisas. Vivo o necessário. E a flor de &lt;i&gt;cookies&lt;/i&gt; é necessária. Vital até. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3093667968415359957?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3093667968415359957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3093667968415359957&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3093667968415359957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3093667968415359957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/12/flor-de-cookies.html' title='A flor de &lt;i&gt;cookies&lt;/i&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4073949981348901189</id><published>2011-12-03T20:11:00.002-02:00</published><updated>2011-12-03T20:14:20.169-02:00</updated><title type='text'>Das lições como as  de Bree Van De Kamp</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do último surto, ela voltou para casa com o que seria seu mais novo e belo e encantador normal. A partir da volta, seu bom dia tornou-se esfusiante, quase agudo. Ela passava o dia a cantarolar pela casa, enquanto fazia bolos de baunilha, tortas de amora e &lt;i&gt;cookies&lt;/i&gt; de chocolate.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A roupa ela passou a perfumar com amaciante e a passar à ferro com cuidado, além de dobrar e colocar em seu lugar mais corretos. Os móveis brilhavam, só não mais que os copos de cristal. Tudo nela era sorriso e bondade e generosidade, depois do último surto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As facas velhas, que por precaução continuavam escondidas, ela substitiu por novas. Todas com cabos decorados, lindas. Sobre a mesa da sala, sempre havia um buquê de perfumados lírios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se ouviu uma reclamação, uma grosseria, um grito sequer, depois do último surto. Tudo nela era delicadeza e carinho e docilidade amestrada. O marido e os filhos estranharam, é verdade, mas agradeciam a deus todas as noite pelo que ela havia se tornado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do último surto, ela visitava com frequência os vizinhos e tinha amigos, até. Levava para eles um sorriso e doces em cestas com fitas. Fazia favores a quem pedisse e estava sempre disposta a ajudar mais alguém. A doar qualquer coisa para a caridade. A contribuir voluntariamente em o que quer que fosse. Prestativa ela ficou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida passou a ser maravilhosa naquela casa, depois do último surto. Tudo se encaixava e tudo brilhava como na mais perfeita tarde de primavera.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: justify;"&gt;O que ninguém sabia. O que ninguém se preocupava em saber. O que ninguém descofiava era de que, por baixo de tudo, ela voltou com um plano, depois do último surto.&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc05.deviantart.net/fs16/i/2007/205/5/2/Vintage_Pin_up_by_viamarie.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://fc05.deviantart.net/fs16/i/2007/205/5/2/Vintage_Pin_up_by_viamarie.jpg" width="217" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4073949981348901189?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4073949981348901189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4073949981348901189&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4073949981348901189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4073949981348901189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/12/das-licoes-de-bree-van-de-kamp.html' title='Das lições como as  de Bree Van De Kamp'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2631883515444008807</id><published>2011-11-30T17:08:00.002-02:00</published><updated>2011-11-30T20:08:23.999-02:00</updated><title type='text'>O menor lado do triângulo escaleno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chego tarde, acendo outro cigarro e fumo na janela, enquanto você não está. Tem sido assim agora. Eu venho para tua casa para ficar sozinho. Os carros passam já sem profusão, as crianças quase não gritam e as mulheres poucas andam armadas pelas sacolas. Na praça, cachorros coçam uns aos outros em ritual pagão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tua casa respira pelos pêlos no nariz da velha. Ela sentada me observa como se eu fosse um invasor. Mas ela só me olha assim enquanto você não está. Assim que você entrar pela porta, a velha volta seu humilde natural. O que me fere mais. A humildade me dilacera pela pena que eu não tenho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não posso ter. É pela velha que você não vem. A velha te impulsiona para fora daqui e de mim. Eu sei. Você ainda não sabe, mas eu já sei. As linhas, os bordados as costuras que você fica até tarde a comprar. As pílulas, as gotas, os analgésicos que você começou a tomar. Tudo coisa da velha. Ela te sussurra essas coisas no peito, quando ninguém mais escuta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anoitece, e então eu venho. Venho e fico sozinho. Ou venho e vejo você ser da velha, enquanto eu só estou, sem pertencer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora eu fumo. Fumo e minha fumaça incomoda a velha, eu sei. A fumaça azul irrita a textura vermelha dela. Não faço de propósito. Faço de nervoso que fico. Qualquer hora ela me dilacera. Minha vontade era a de não vir mais. Não ficar esperando na casa que tem o cheiro dela. Não esperar até seus poucos segundos de atenção, antes que você se volte – de novo – toda pra ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto-me sem ser. Ela não me deixa lugar na casa. Ela ocupa tua parede inteira, porta à porta. O que me sobra são as migalhas tuas que ela derruba. Minutos entre teu limpar da baba dela e criar da tua própria, já no sono pesado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então eu existo para isso? Para os minutos que caem sujos das sobras da velha? Eu existo para você me ver entre o fazer das coisas e o desfazer do sono? Penso nisso quando você entra, carregada de sacolas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Beija-me rápida, coloca tudo nos lugares, corre pelos cômodos todos, azula tudo com tua presença sem força, com teu rosto sem marca, com tua cara vazia. Quando lembra de mim já é tarde. Bem tarde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da janela já só se vêem as prostitutas. Você pergunta sem interesse pelo meu dia. Que quem sabe foi quente. Eu respondo qualquer coisa e penso nos filhos que já não vamos ter – falta espaço na casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você sorri e eu sei que é para a velha. Agora ela toda é humildade e compaixão e carinho. Já escondeu sob o peito a voracidade com que te devora. Protocolar, você pergunta se tenho fome. Digo que não. Pergunta se tenho sono. Digo que não. Deveria perguntar se tenho sentido. E eu responderia que não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até eu apagar o cigarro você já dormiu. Meus olhos se abrem no escuro e viram abismos. E eu já não sei mais o que eu faço aqui sozinho. Tenho ímpetos de levantar, vestir minhas calças e sair dessa casa. Mas tenho medo de fazer isso. Medo do mal que pode te fazer a velha. Pintada assim, na tela de Marc Chagall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;_________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;Conto inspirado em&amp;nbsp;&lt;i&gt;Lídia e o Rabino &lt;/i&gt;do - e custa-me dizer isso, depois que o conheci na Jornada - Charles Kiefer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2631883515444008807?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2631883515444008807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2631883515444008807&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2631883515444008807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2631883515444008807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/o-menor-lado-do-triangulo-escaleno.html' title='O menor lado do triângulo escaleno'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-8989894714943483758</id><published>2011-11-29T19:04:00.000-02:00</published><updated>2011-11-29T19:04:57.427-02:00</updated><title type='text'>Divulgação</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ui_b1mnkoVw/TtVIivEOFYI/AAAAAAAAAdI/MPBJ1Pqm29k/s1600/Cd.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-ui_b1mnkoVw/TtVIivEOFYI/AAAAAAAAAdI/MPBJ1Pqm29k/s320/Cd.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Poema meu concorrendo a destaque &lt;a href="http://www.livrodatribo.com.br/texto_votar.php"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Se gostar, é obséquio votar.&lt;br /&gt;Obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-8989894714943483758?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/8989894714943483758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=8989894714943483758&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8989894714943483758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8989894714943483758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/divulgacao.html' title='Divulgação'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ui_b1mnkoVw/TtVIivEOFYI/AAAAAAAAAdI/MPBJ1Pqm29k/s72-c/Cd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-718112410963691115</id><published>2011-11-26T12:15:00.001-02:00</published><updated>2011-11-26T12:16:17.526-02:00</updated><title type='text'>Réquiem para Shana Maria Cristina.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu queria ligar pra alguém. Eu queria te dizer alguma coisa. Eu queria, mais do que tudo, ter feito um último afago no teu focinho marrom. Mas não consigo fazer nada disso. Assim como não consigo ainda chorar. Estou tão corroído por dentro, meu amor, que não consigo chorar. E é também porque se eu começasse a chorar por ti, eu não conseguiria parar. Viriam as lágrimas também por mim e aí tudo estaria perdido. Se a primeira gota escorre, eu me afogaria e morreria. Como tu. Bem igual, meu benzinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teu cheiro de nova eu ainda lembro, teu corpo todo preto, sem marca nenhuma, tua boca faminta de leite a beber de uma outra que já era minha. A rejeição, tua volta pra casa, por um tempo, me diziam, por um tempo. E foi. Quando te encontrei de novo já tinhas as manchas brancas nas patas e no peito. O desenhado marrom na fuça e nas sobrancelhas e o porte elegante do que me  pertenceria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu te ninei e brinquei e corri e pulei na grama verde. Foram nossos anos melhores, não foram? Eu ri dos teus emburramentos, da tua personalidade minha, das tuas graças e dos teus acidentes de percurso. Eu te vi chorar, meu amor. E tu me viste chorar, meu amor. E eu te chamei quando ninguém mais havia. E tu vieste. Sempre. Sempre atendendo ao meu chamado. Sempre fazendo festa quando eu voltava pra ti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E agora se foi tudo. Todos os amores me abandonaram. O gato preto primeiro, que eu achava tão meu. Depois aquele que cresceu comigo. E agora tu. Por pura injustiça eu fiquei sem ninguém. Ninguém, meu amor. Como tu podes me deixar sem ninguém?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, eu sinto, meus olhos já se molham. Minha cabeça pesa. Minha casa inteira reclama tua falta. Nunca mais o latido forte. Nunca mais os arranhões na porta do quarto – que eu nem sempre abri. Nunca mais a alegria teimosa de me ver. Nunca mais tua cara pensante no vento lá fora. Nunca mais o passeio de carro enquanto a tarde entardecia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que faço de mim sem amor, meu amor? De repente eu fiquei bem bem sozinho. Ninguém para esperar por mim. Ninguém para um carinho apressado. Ninguém com quem repartir uma bala de goma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E me escorre de cada olho uma lágrima. Já posso chorar. Mas não deveria. Não queria. Escorrem duas juntas. Uma por mim. Outra por ti. Eu queria te ouvir voltar, meu bem. De tamancos russos fazendo tec-tec-tec na madeira do quarto. Queria ouvir teu sopro de desagrado, teu choro por querer visitar nossa avó.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo me vai sendo tirado, como se testassem até que ponto eu aguento – sem morte – a solidão. Quão fundo a pessoa pode ir sem despedaçar pela própria dor. E a novidade é que eu já não aguento mais. Eu já não consigo me recompor e me arrastar vivendo em cacos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu, rainha bonita que era, não me deixarias desistir. Diria com tuas bolitas de amêndoas: por mim. Mais um pouco por mim. Mas agora não tenho tua voz para me segurar, teu cheiro para me embalar, teus olhos para me olharem com o máximo amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E teu último pensamento não foi deus. Fui eu. E onde eu coloco a dor de te ver morrer se já não há lugar pra mais dor dentro de mim? Eu não sei o que fazer, meu amor. Eu não sei como chorar mais e me esvaziar um pouco. Eu não sei como te chamar e fazer com que tu venhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se eu assobiar daquele jeito mais uma vez? Tu virás correndo e contente ver o que eu quero? Se eu tentar tu voltas, mesmo dos mortos pra me olhar mais uma vez? Não volta, meu bem? Mas não volta por quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-o0fYLlfFrsA/TtD0Y3XvMCI/AAAAAAAAAc8/5aYq1sOqLmo/s1600/sm.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-o0fYLlfFrsA/TtD0Y3XvMCI/AAAAAAAAAc8/5aYq1sOqLmo/s320/sm.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-718112410963691115?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/718112410963691115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=718112410963691115&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/718112410963691115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/718112410963691115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/eu-queria-ligar-pra-alguem.html' title='Réquiem para Shana Maria Cristina.'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-o0fYLlfFrsA/TtD0Y3XvMCI/AAAAAAAAAc8/5aYq1sOqLmo/s72-c/sm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1842612212873539883</id><published>2011-11-25T10:49:00.002-02:00</published><updated>2011-11-25T10:50:37.317-02:00</updated><title type='text'>Os nomes</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc01.deviantart.net/fs35/f/2008/237/c/b/My_woman_by_velline.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://fc01.deviantart.net/fs35/f/2008/237/c/b/My_woman_by_velline.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Substantivos e adjetivos são modos de chamar e qualificar as coisas e as pessoas. Isso é o que eu ensino para as minhas crianças.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Nomear algo ou alguém é o mesmo que possuir esse algo ou alguém. Isso é o que eu li enquanto fazia minha dissertação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Palavras. Eu sou cheio delas, todo completo por elas, não sou?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Mas quero falar das palavras que me dão, sem que eu as tenha pedido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Substantivos, adjetivos, nomes [feios]. Já me chamaram de tanta coisa, sabe?! De antipático, arrogante, falso, chato, estranho. De poeta, louco, escritor, maldito e anjo. Já me disseram que sou simpático, carinhoso, talentoso, educado e sensível. Como também já incluíram na lista que me nomeia irresponsável, desorganizado e incompetente. É. Nunca falta quem nos chame de alguma coisa, quem tente nos definir para nos dominar de algum jeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Já me chamaram de amigo, de irmão, de filho e de pai. Já me chamaram de senhor, professor, mestre, doutor e homenzarrão. Já me chamaram de gatinho, de feio e de gordo. E de Thiago Lacerda [hehehe]. Já disseram que sou autoritário, submisso, depressivo, feliz demais, frio, chorão, triste, depressivo e insensível. São contraditórios os nomes, eu sei. A culpa seria minha, que vario tanto, ou das pessoas que não se encontram?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Já me chamaram de sagitariano, de cincodezembrista e de leitor. Já me fizeram neurótico, cínico, infantil, maduro e debochado. Míope, cego, surdo, desastrado, estabanado, ansioso, calmo, cuidadoso, neto e afiliado [de loucos]. Já me chamaram de adotado, de mal-educado e de tinhoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Meu Deus. Para cada palavra que escrevo nascem três outras novas. E a lista, percebo, é infinita. Já fui chamado de quase tudo e quase tantas vezes a ponto de me acostumar até a não ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Já me chamaram de muito, é verdade, mas só uma pessoa me chamou de amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Você.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;E porque você um dia escolheu me chamar de amor, eu posso dizer que hoje sou uma pessoa melhor. Pelo teu exemplo. Você me fez crescer e pertencer de um jeito que eu nunca imaginaria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;A tua força é hoje a minha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Eu admiro muito tua organização, tua dedicação, teu jeito todo borboleta de cuidar de mim. Eu não conheço ninguém mais assim. Forte quando precisa e frágil quando está no meio do meu abraço. Bonita sempre. Amiga em todas as horas. Amante quando me arrepia inteiro. Carinhosa, preocupada, responsável. Criativa, inteligente [e nem adianta me dizer que não], carretel de quando &lt;st1:personname productid="em vez... Apaixonada" w:st="on"&gt;em vez... Apaixonada&lt;/st1:personname&gt;, apaixonante, leal e envolvente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Nossa. Eu tenho tantos, tantos nomes para te chamar. Mas entre todos, eu prefiro também te chamar de amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;E te dando o nome de um sentimento – o maior deles – eu espero dizer, pelo menos um pouco, o que você provoca dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1842612212873539883?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1842612212873539883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1842612212873539883&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1842612212873539883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1842612212873539883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/substantivos-e-adjetivos-sao-modos-de.html' title='Os nomes'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1332462384016826106</id><published>2011-11-25T10:34:00.002-02:00</published><updated>2011-11-25T10:35:44.601-02:00</updated><title type='text'>Na mala, seis espadas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre as lâminas afiadas essa é a hora de não cortar. É a hora de não vazar o [próprio] sangue em crime passional. É a hora de não gritar, não virar tudo, não quebrar as coisas e não fugir depressa, feito louco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora é hora de embalar, calmamente, cada pertence. É hora do olhar demorado – e já sem mágoa – para tudo que se optou deixar. É hora de botar a melhor capa e entrar no barco já sem pensar na volta, levando o essencial apenas aos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É hora de deixar alguém conduzir enquanto você atira o coração no rio e segue só razão pelo resto do caminho, respirando fundo, sentindo bem o ar. É hora de aplicar anestesia na alma e entorpecer a vida a ponto de deixá-la [apenas] indolor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É hora de testar a própria insensibilidade e de fazer do coração tripas. Quem sabe não nasce um novo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1332462384016826106?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1332462384016826106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1332462384016826106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1332462384016826106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1332462384016826106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/na-mala-seis-espadas.html' title='Na mala, seis espadas'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2959569715533975353</id><published>2011-11-22T17:59:00.000-02:00</published><updated>2011-11-22T17:59:22.767-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;estúpidos dias&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;de estupor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;estupram minhalma&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;com tiros de estopim&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2959569715533975353?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2959569715533975353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2959569715533975353&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2959569715533975353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2959569715533975353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/estupidos-dias-de-estupor-estupram.html' title=''/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7118424975397108723</id><published>2011-11-17T22:02:00.000-02:00</published><updated>2011-11-17T22:02:44.798-02:00</updated><title type='text'>Salva-me dela!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu hoje pari Virgínia. Não, não pari. Abortei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, eu hoje abortei Virgínia. E, meu Deus, que aberração mais deformada. O artista dá a luz àquilo que cria. E foi com horror que eu vi brotar essa menina. Nenhum outro escrito fluiu com a mesma independência que ela. Nenhum me dominou tão inteiro. Nem quando falo de mim, consigo ser tão sufocado pelas letras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Virgínia saiu de minha cabeça rasgando-a, como Atenas fez com Zeus. Ela me apavora. Começou como um conto simples, fácil, de história quase zombeteira. E de repente aquela intensidade. De repente aquela certeza de que eu mesmo não poderei ler o que escrevi. Não sem choque. Não sem náusea. Não sem pavor. Pavor do que nasceu de mim. Ou do que saiu de mim, como sai um verme expelido da nossa carne.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de uma dúzia de folhas completas ela não me largou. E quando me largou, deixou arranhões no braço, dores na cabeça e uma ânsia de vomitar no mundo. Virgínia me apavora. Antes meus personagens também foram assim, abortados, eu disse. Mentira. Agora que me veio Virgínia, vejo que todos os outros eram anjos ternamente nascidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Virgínia me choca tanto porque é humana. Sua crueza nada tem de sobrenatural ou fantástico. Nada que pudesse me consolar. Nada que pudesse me dar indícios de ficção. A Virgínia que escrevo tem a crueldade de coisa humana, que cheira à carne.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria publicar ela inteira aqui. Não sem advertência. Já ensaiava dizer: Não leiam. O conto é longo e não vale o olho. Queria dizer que eu mesmo não o revisei por temê-lo. Assim eu tentaria fazer desistir aqueles dois ou três que, vendo o tamanho, ousariam começar. Eu queria expor ela para o mundo e assim ela não seria mais só minha. (Ou eu é que não seria mais dela? Eu queria jogar Virgínia nos outros como quem esconde, em um bolo de maçã, a mais funesta maldição? Queria eu passar a você o que senti, como forma de purgar o que fiz? Como forma de diminuir minha culpa por tê-la nascido?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei. Escrevo sobre ela agora, como jeito de também tomar distância, de me lembrar que ela é só oito letras, que eu a fiz com palavras, que eu a posso esquecer e que eu a posso matar com um punhal de letras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas Virgínia não morreria sem luta feroz. Sem mordida. Sem me arrancar sangue do rosto. E ela gostaria disso. Ou eu é que gostaria? Virgínia me mortifica porque temo encontrar na menina qualquer coisa minha. E eu lhe dei minhas coisas, traços meus, quando ela ainda não era monstro. Quando ela ainda não havia pulado o muro e entrado no mato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que eu fiz de Virgínia? O que Virgínia fez de mim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha tela ela descansa. Ela espera. Ansiosa, eu sei. Os outros morrem, os outros se limitam ao papel, os outros eu controlo. Virgínia não. Ela é demônio que me possuiu e que eu não sei exorcizar. Ela me faz um mal que eu mesmo não posso explicar racionalmente. É novo. Isso é novo. Não é mais arte. É bruxaria, Virgínia!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela não me deixará. E eu não a deixarei. Ela precisa pagar. Mas é mais forte que eu. Posso vê-la. Na porta da casa que lhe fiz. Os olhos verdes que lhe dei. Os cabelos já sujos. As sapatilhas recém lavadas. A boca fina de sorriso mau, como que a dizer “Vem! Vem brincar!” só pra depois gargalhar. As sardas finas. O corpo escorado no umbral. A torneira do tanque ainda pingando. O pano sujo no chão ao seu lado. A cara de quem sabe que me domina...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Socorro. Sufocação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela espera por mim. Espera por mais. Espera pra existir mais, pra completar sua história. Para ir até o fim. E ela nem me deixa colocá-la aqui. Não me dá essa liberdade. Não me permite a ousadia de me desfazer dela. Virgínia quer o fim. E Virgínia sempre tem o que quer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7118424975397108723?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7118424975397108723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7118424975397108723&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7118424975397108723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7118424975397108723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/salva-me-dela.html' title='Salva-me dela!'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6919186049054386978</id><published>2011-11-14T19:32:00.001-02:00</published><updated>2011-11-14T19:37:29.698-02:00</updated><title type='text'>Lame Love</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc00.deviantart.net/fs19/f/2007/255/a/6/After_by_strany.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc00.deviantart.net/fs19/f/2007/255/a/6/After_by_strany.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro clique pegou teu rosto. O segundo teu corpo. O terceiro teu umbigo. No meu quarto, tuas calças no chão. Outro drinque, por favor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qualquer música toca tudo com uma batida que diz "Have I lost my soul, Have I lost myself.&amp;nbsp;I used to be such a romantic,&amp;nbsp;I used to be a good girl". Canto junto, mexendo os lábios com lentidão, passando os dedos pelo teu peito. Tu me perguntas do que fala a música. De amor. Minto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre menti que era de amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu fumas outro cigarro. E eu não gosto que fumem aqui. Já não importa. É só mais um pouco de ti que ficará impregnado nas minhas cobertas, nas minhas cortinas e no meu cabelo. Só. Quando tu fores embora. Vais ir logo, por falar nisso? Tenho mais o que fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Revelar as fotos, terminar minha música, editar o vídeo que estou devendo desde setembro. Bebo mais alguma coisa. Gole fundo. Sufoco. Mas pelo menos o gelo faz escorregar teu gosto pra mais fundo de mim. Para lá onde não incomoda mais a aspereza das tuas mãos, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A música acaba e a coloco de novo. Tu me perguntas se gosto. Não. Minto. Minha pele está suada. Eu queria um banho. E tanto por fazer. Vocês poderiam pelo menos ter a gentileza de ir embora depois? E eu que já odeio as novelas românticas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mãos no teu corpo, enfeitiçando. Não para tê-lo mais. Para que te vás, de uma vez. Como os cachorros e os corvos que já se recolhem lá fora. Anoitece, meu Deus, custa me devolver a solidão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a tua [solidão] é maior que a minha. E gulosa. Pensas que cada carinho já é saudade. Não é. É nojo. De mim. Por me ter tanto nojo é que me entrego a ti. Não é amor, meu bem, é castigo. É autoflagelo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente tu pareces lembrar que existe outra vida, longe da minha. Ergue as calças do chão. Pergunta, distraidamente, sobre os cliques. Respondo que devem ter ficado alguns bons. Minto. De novo. É hábito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É hálito. Colocas de novo tua boca suja na minha. Sinto gosto de cinzas. Mas faz parte da redenção. Mas faz parte do meu castigo por algum dia eu ter acreditado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outro tipo de amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6919186049054386978?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6919186049054386978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6919186049054386978&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6919186049054386978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6919186049054386978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/lame-love.html' title='Lame Love'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7895794006292678615</id><published>2011-11-14T11:54:00.002-02:00</published><updated>2011-11-14T11:55:35.207-02:00</updated><title type='text'>Ballerina derramada</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc00.deviantart.net/fs71/f/2011/028/1/e/1ecceef686173b9289528e122a73969a-d387wca.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://fc00.deviantart.net/fs71/f/2011/028/1/e/1ecceef686173b9289528e122a73969a-d387wca.jpg" width="224" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia você não veio. E gastei por nada a fita das sapatilhas azuis. Gastei à toa o pulo ensaiado no ar. A maquiagem bonita, até o batom, tudo em vão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O perfume que estava na última gota. O cabelo arrumado assim, amarrado só pra você ver. E nada. Em nenhuma cadeira você esteve. Meus rodopios, meus floreios e bordados. A espera toda e o brilho do olho, tudo perdido no ar. A luz bem acesa do palco e do sorriso. Foi só pra você, meu amor. Desperdício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os versos bonitos que ensaie pra cantar. O violão que aprendi a dedilhar. Cada compasso da dança era teu. E nada. A rosa que colhi bem madura e coloquei entre os seios, perfumada, exuberante e rubra a rosa. Até amanhã está morta. Amanhã você vem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O gliter derramado no cabelo, a lágrima pintada no olho, as meias coladas nas pernas. Eram pra ti,meu bem. A música escolhida no disco, o champanhe gelado no camarim. Os morangos escolhidos na feira e cobertos de creme amarelo. Tudo é para o lixo agora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As fitas penduradas na sombrinha. A corda esticada até o fim. A pele limpa cheirando alecrim. O banho demorado de espuma colorida. Era, tudo, pra você. E outro dia você não veio. Decerto foi ensolarar outro lugar. E assim fez-se noite dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Noite entre rostos estranhos, que aplaudem e aplaudem o espetáculo que não é deles. Que é teu. Que é só teu. E que você não quis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7895794006292678615?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7895794006292678615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7895794006292678615&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7895794006292678615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7895794006292678615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/ballerina-derramada.html' title='Ballerina derramada'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2899465869124416822</id><published>2011-11-12T17:47:00.000-02:00</published><updated>2011-11-12T17:47:15.033-02:00</updated><title type='text'>O menino deus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para me inspirar eu preciso respirar. Fotografia, música, arte. Eu preciso colocar de volta no peito tudo que eu já senti. E então bater, bater, bater. Para que alguma coisa de dentro possa jorrar. Às vezes sangue. Às vezes sêmen. Às vezes nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o nada banal é que me destrói. Quando eu tento e não consigo espargir palavras no papel. Escrever me dá significado. Mas isso eu já cansei de dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo sobre sentimentos. Eu os materializo, acho, na falta de matéria desse papel digital. Escrevo não o que estou sentindo. Mas o que já senti. Eu me uso. Uso os restos do que ficou. Componho com sobras banquete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que escrevo não pertence a ninguém mais que o próprio escrever. O que me fascina não é mais fazer íntimo diário. Para isso tenho as agendas velhas de fecho. Hoje o que almejo é toda criação que se dá pela palavra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O código posto a serviço de um homem para torná-lo não menos que Deus. O que me encanta é o criar das letras. A dança que vou regendo em compassos submarinos. Preposições de pés no alto, adjetivos de malha colada, verbos verbando lépidos enquanto as crases permanecem graves, na platéia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo para me consumir e guardar. E também para que alguém possa encontrar eco nos muros que pinto. Escrevo porque em algum momento fui também ecoado. Por Clarice, por Caio, por Virgínia, por Ana, por Renato, por Katherine, por Sílvia, por Agenor, por Fernanda e por Clarissa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo porque sou meu personagem. Minha vida eu dou aos outros. Escrevo com outra letra o que eu sinto por dentro. Aqui, só coloco para secar as máscaras que pinto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São sentires fabricados. A menos que eu me exponha todo. De resto é arte de partes. Não faço espelho de tolos. Nem de prata. Nem de ouro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faço canção de ser cantada em outra boca. Como pela menina do palco que falou minhas palavras. Deu ar ao que era meu sopro [de vida].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não escrevo para que me tomem. E quem não quer me ler, que feche os olhos. Tantos fecham, meu Deus, e já não reclamo mais. Também isso aprendi. O texto chega aonde dele for preciso. Nunca além. Não almejo mais grandes oblações. Quero canto quieto. Porque toda palavra que viaja, se perde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me cobrem, então, realidade, referência ou direitos de imagem se usei alguém. Escrever é não ter compromisso. Ser omisso com a ética e com qualquer decência cruel. Tudo em nome do seu próprio fazer. Tudo em nome de uma arte que em dois segundos pode se tornar de ninguém. Ou de Lispector. Ou de Jabor. Ou de uma menina paraibana que viu e gostou e achou que era dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, é pelos outros que vamos. Traço por traço. Desde os cadernos da primeira série. Compondo e desfazendo e repetindo sem parar o abecedário. Tudo para um dia firmar a glória de ser espancado. Pela máquina de escrever. É para os outros que nos doamos, nos reviramos, nos destroçamos e cortamos tudo um pedaços bonitos de se verem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É pelos outros que cometemos o crime de expor até a vida que é alheia e que nos foi tocada. Mas o texto, depois de saído, não é mais do outro. Como não é meu. Ele é de si. Como o homem deve ser do homem, depois de feito o pecado da maçã. Como o Deus deve ser do Deus, sem que isso seja questionado aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O texto é tudo. E todo resto é vazio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2899465869124416822?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2899465869124416822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2899465869124416822&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2899465869124416822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2899465869124416822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/o-menino-deus.html' title='O menino deus'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2724790605607467797</id><published>2011-11-12T11:41:00.000-02:00</published><updated>2011-11-12T11:41:16.613-02:00</updated><title type='text'>Tão Alto</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc01.deviantart.net/fs70/f/2011/306/7/f/i_can__t_make_you_love_me_by_tristangreer-d4eu1ov.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://fc01.deviantart.net/fs70/f/2011/306/7/f/i_can__t_make_you_love_me_by_tristangreer-d4eu1ov.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feche as janelas, apague o dia dentro de casa. Deixe só a luz que consegue passar pelas janelas marrons. A luz vermelha, vinda em raios pelas frestas, iluminando a dança saxofônica da poeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deite no chão. Esqueça de tudo mais. Pense só no assoalho tocando cada ponto teu, se abrindo para melhor conter teu corpo. Feito mãe. Deixe qualquer som te levar. Qualquer som em uma língua que você desconheça. Que não te convide a pensar. A concordar. A sentir, sentir com a razão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixe o coração mergulhado na poeira debaixo dos móveis. Você não precisa mais dele. Não desde que eu me fui. Estenda as mãos. Ou não: passe-as pelo corpo, assim. No ritmo sentido da música. Dos gritos que gritam pela tua alma. Da música que tem tua voz, ainda que distante, ainda que incompleta e incompreendida. Deixe-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abandone-se em mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em mim que te pedi a paz de não existir. A paz de não te ver. A paz de não reconhecer teus olhos no fundo das bacias com água. Eu te pedi paz. Agora venho, sensual, sussurrar que esfregue teu corpo no chão. Que deite na minha voz rouca e se afogue de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei. Contraditório. Eu sou. Se deixe levar, apenas, então. As roupas. Os copos quebrados. Você sobre os cacos, amor, porque tudo que voa alto e é bonito na queda. E colorido, meu bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou morto porque quis estar. Falecido e enterrado no&amp;nbsp;cemitério&amp;nbsp;que agora tem sol demais. Estou morto lá. E estou morto aqui, dentro de ti. Porque eu pedi assim. Eu quis assim. Eu implorei. Bem assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E agora que estou morto percebi a paz de deserto lunar. E não a quero. Amor. Então voltei, pra dentro de ti. Pra te dizer assim: mergulhe no chão. Afogue-se na poeira, nos objetos e dejetos e nos pêlos negros do gato branco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afogue-se porque agora eu não quero paz. Me enganei. Quero tuas orações antes de dormir. Tuas ladainhas ensaiadas, tuas rosas cortadas, tua boca decorada de batom. Quero tudo e nada toco. Morto. Eu queria descansar pra não te deixar descansar. Pra não ver outra boca comer a tua. Outros olhos lamberem os teus. Outra alma te engolir o corpo inteiro. Não!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu aqui? E a solidão minha? E a cruz sobre meu túmulo que só faz sombra no túmulo alheio? Não. Eu quero de volta. Você. Eu quero. Eu preciso para não te enlouquecer. E como faz para tudo voltar. Para meus cortes fecharem, meu sangue escorrer de volta pra dentro, a faca nunca ter entrado naquele jardim. Enquanto o sol se punha. Minha boca. Teu pescoço. Nunca mais?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Socorro. Meu amor. Salva-me do nada. Do vazio. Da minha velhice de violeta murcha. De trigo que apodreceu sem ser colhido. Por Deus, eu só quero ser teu pão. Eu que te neguei farelos. Como faço agora? De onde volto? Porque estou nos raios de luz que voam alto e pra longe. Estou congelado no ar dos salões. Onde ninguém pode me tocar como você um dia tocou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volto como? Não volto, amor? Diz que ainda me quer. Que ainda existo para você. Que não preciso da minha paz maldita. Diz que me espera no banco de tábuas claras. Diz que me quer mostrar a tatuagem que fez para mim. Diz que o sol ainda não se pôs naquele dia. Naquele jardim. Diz que vai me entregar as cartas do teu futuro. Diz que as pedras ainda esperam por nós. Que as folhas voltarão a cair num outono irreal. Diz amor. Diz que eu volto. Diz que eu estarei lá, esperando. Diz que voaremos juntos enquanto ouvirei tuas palavras bonitas. Diz que não foi em vão a tinta roxa das cartas não escritas. Diz que valerá quando estivermos juntos. Diz que estaremos. Por favor, antes que a música acabe de novo e eu volte para. &lt;i&gt;"nunca mais" &lt;/i&gt;Lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cccccc; font-size: x-small;"&gt;_______________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cccccc;"&gt;Escrito ao som de&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?NR=1&amp;amp;v=TIWTrISy5QI"&gt; The Gift&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cccccc;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2724790605607467797?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2724790605607467797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2724790605607467797&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2724790605607467797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2724790605607467797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/tao-alto.html' title='Tão Alto'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-8394921438561536541</id><published>2011-11-06T13:11:00.001-02:00</published><updated>2011-11-06T13:12:53.632-02:00</updated><title type='text'>En.torpe.cer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Se não há a bebida&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;da geladeira,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sempre há a poesia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;da prateleira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-8394921438561536541?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/8394921438561536541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=8394921438561536541&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8394921438561536541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8394921438561536541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/11/entorpecer.html' title='&lt;center&gt;En.torpe.cer&lt;/center&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4829645816916603866</id><published>2011-10-31T15:26:00.000-02:00</published><updated>2011-10-31T15:26:31.548-02:00</updated><title type='text'>Passo leve em Passo Fundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Eo2Z4sexw08/Tq7aHTcLg2I/AAAAAAAAAcQ/yIYMWPCUrvs/s1600/PF.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://1.bp.blogspot.com/-Eo2Z4sexw08/Tq7aHTcLg2I/AAAAAAAAAcQ/yIYMWPCUrvs/s200/PF.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;A felicidade de pertencer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pânico de ser encontrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não consigo estar aqui em Passo Fundo sem experimentar essas duas sensações, alternadamente. Nessa cidade que é minha, ando com o olhar perdido nos plátanos, sabendo que tudo aqui me pertence. Sou mais leve caminhando nessas ruas cheias, esbarrando em pessoas com sacolas grandes, sentando no banco de uma das praças e pegando um papel para simplesmente escrever. Aqui nada me é estranho. Porque aqui eu pertenço. Finalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde criança é assim. Entrar em Passo Fundo, ver os prédios, as construções, as sinaleiras e a agitação me é sempre reconfortante e familiar. Não importa que eu nunca tenha morado aqui. É minha casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na escola eu compreendia o porquê de ser diferente. Enquanto todos os outros tinham nascido ali mesmo, nas profundesas vermelhas da Cratera, eu tinha vindo. Vindo de Passo Fundo. Não era em vão que eu jamais me encaixaria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De pequeno, tão logo cruzássemos o trevo eu perguntava: Pai, foi aqui que eu nasci, né? Foi. A mesma resposta que me soava doce. Soava como um motivo, como uma explicação, como um atestado de que eu pertencia a algum lugar. De que eu brotara ali e de que, portanto, alguma raíz decerto havia ficado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui, em Passo Fundo, nunca me invadiu a insanidade de dizer "quero ir pra casa". Insanidade porque digo isso em Cratera, até mesmo no meu quarto. De repente penso assim e rio de mim. Que bobo. Pois se estou no meu quarto. A alma, que sussurrou isso, no entanto, sabe... Em Cratera eu jamais estarei em casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acompanhando sempre essa leveza de ar, essa graça boba e descomplicada de ser parte do chão em que se pisa me vem, de súbito, o pânico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Passo Fundo eu tenho medo do encontro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou não do encontro, mas do reconhecimento. O medo vem quando alguém me olha por tempo demais. Ou quando franze os olhos, estreita o rosto e faz cara de "mas de algum lugar eu te conheço". Fujo. Desenfreado fujo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nasci aqui e fui adotado ainda pequeno. Não sei nada de minha família biológica. Por isso o medo. De pequeno, me fascinava pensar que em qualquer esquina podia estar uma irmã minha, um irmão, um primo, um pai. Divertia-me o enigma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje me apavora. Apavora que num desses olhares eu possa ler na cara do outro escrito assim: "Mas esse homem... ele é a cara do fulano. Como pode?" Ou então: "Mas é tão parecido com beltrano... Podia até ser filho."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então estremeço quando me olham por tempo demais. E disparo feito gato arisco. Esqueço plátanos, bancos e praças. Fujo até a próxima esquina, que é quando consigo voltar a respirar, ainda que ofegante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei qual o meu medo. Nem sequer o justifico. Só tremo todo, como treme quem não quer mais ser encontrado. Quem se satisfez em estar perdido. Como deveria fazer um cãozinho jogado do carro. Mas o cãozinho não faz, o orgulho é contra sua natureza canina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a minha é felina. E meu orgulho é ferrenho. E hoje mesmo me dei conta de que meu gato tatuado também nasceu aqui. Um dia antes do meu aniversário - ou no dia do meu aniversário [?]. Pertencemos os dois a esse lugar. E aos mistérios do meu pertencimento obscuro. Sim, porque pertenço de graça, como se decifrar minha esfinge a matasse. Como se descobrir de onde eu realmente vim me quebrasse inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso o medo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. Não sei.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que uma senhora já me olha há tempo demais. Hora de escapar de novo, e bem rápido, antes que ela seja minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4829645816916603866?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4829645816916603866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4829645816916603866&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4829645816916603866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4829645816916603866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/passo-leve-em-passo-fundo.html' title='Passo leve em Passo Fundo'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Eo2Z4sexw08/Tq7aHTcLg2I/AAAAAAAAAcQ/yIYMWPCUrvs/s72-c/PF.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4121593476101463260</id><published>2011-10-22T23:32:00.000-02:00</published><updated>2011-10-22T23:32:20.519-02:00</updated><title type='text'>Silenciosa inveja</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc07.deviantart.net/fs21/i/2007/294/2/b/Mute_by_RobbyP.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc07.deviantart.net/fs21/i/2007/294/2/b/Mute_by_RobbyP.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Desde o primeiro momento eu lhe invejei aquelas palavras. As palavras. Elas pra mim eram só som cuspido no ar. Ou, se desse sorte, tinta preta na página em branco. Pra ele não. Pra ele as palavras, essas putas, dançavam no ar. Ele podia pegá-las, domá-las, masturbar-se com as palavras aquelas. Putas, elas preferiam a ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compensação. Quando lhe tiraram uma coisa, deram-lhe outra. Mas eu é que não adimitia. Minhas palavras eram tão pobres perto das dele. Eu queria aquelas pra mim, não essas. Eu queria domá-las e fazer-lhes qualquer coisa menos do que comê-las. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Elas ali, dançando no ar, pousando e partido feito pombas ou bailarinas brancas. As palavras se materializando naqueles dedos compridos de pianista, as palavras que ele comia com aquela boca bem grossa. Palavras que ele enfiava pelo nariz comprido. Overdose de palavras, meu Deus!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu ali, expulsando uma bile silenciosa entre as cadeiras do espetáculo, já alheio ao que me diziam, às palavras pobres que me mandavam. Eu queria aquelas, eu cobiçava eram as palavras do menino mudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4121593476101463260?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4121593476101463260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4121593476101463260&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4121593476101463260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4121593476101463260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/silenciosa-inveja.html' title='Silenciosa inveja'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-8213148445423389615</id><published>2011-10-18T14:07:00.004-02:00</published><updated>2011-10-18T15:51:06.886-02:00</updated><title type='text'>Para mim.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Para Ághata.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concordo com Clarice. Pertencer é a mais premente necessidade humana. Mas como você pode pertencer a alguém sem se entregar, sem se doar inteiro ao outro? Não pode.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você não pode pertencer a alguém e continuar seguro, continuar imune, continuar por sua própria conta. É como na matemática: ou pertence, ou não pertence. Há a vontade imensa de se sentir amado, isso é natural. Mas enquanto você não aprender que, para isso, é preciso se deixar amar, não vai funcionar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se deixar amar tem preço. O preço é expor sua fragilidade, sua bondade, sua fraqueza imensa. O preço é arriscar machucar-se pelo incerto, pelo sonho, pelo pulo de trapezista sem rede. O preço, meu bem, é se deixar inteiro na mão de alguém. E disso poucos tem coragem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso o vazio da vida, por isso as festas, as bebedeiras, a futilidade cotidiana a que nos expomos. Por vontade e medo. Vontade de pertencer e medo de se doar. Enquanto tudo for assim, ainda haverá lágrima no escuro da noite. Ainda haverá solidão no fundo da alma. Ainda haverá angústia assombrando no peito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-8213148445423389615?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/8213148445423389615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=8213148445423389615&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8213148445423389615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8213148445423389615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/para-mim.html' title='Para mim.'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4293171382675221716</id><published>2011-10-17T15:24:00.001-02:00</published><updated>2011-10-17T15:25:07.171-02:00</updated><title type='text'>Literatura NaLomba</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uDCG_MumsNk/Tpxkdn0FEBI/AAAAAAAAAb8/R4JBvh4Uf88/s1600/317077_275459609142796_100000362773646_957366_1765785349_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://2.bp.blogspot.com/-uDCG_MumsNk/Tpxkdn0FEBI/AAAAAAAAAb8/R4JBvh4Uf88/s400/317077_275459609142796_100000362773646_957366_1765785349_n.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;Mais em:&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/nalomba/"&gt;http://www.flickr.com/photos/nalomba/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4293171382675221716?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4293171382675221716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4293171382675221716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4293171382675221716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4293171382675221716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/literatura-nalomba.html' title='&lt;center&gt;Literatura NaLomba&lt;/center&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-uDCG_MumsNk/Tpxkdn0FEBI/AAAAAAAAAb8/R4JBvh4Uf88/s72-c/317077_275459609142796_100000362773646_957366_1765785349_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-860345758187221418</id><published>2011-10-17T14:10:00.002-02:00</published><updated>2011-10-17T14:13:12.943-02:00</updated><title type='text'>Só de uma canção</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc01.deviantart.net/fs46/f/2009/224/1/d/Love_by_yavorancho.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="153" src="http://fc01.deviantart.net/fs46/f/2009/224/1/d/Love_by_yavorancho.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Anoitecia e a brisa de chuva nos lambia os corpos nus. Despertamos lentos, na tua cama de borboletas azuis. A música tocava ao lado, embora parecesse vir de longe. Lembro de ti, teus olhos nos meus, teus braços envolta de mim, tua boca dedicando a mim aquela canção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Adoro essa sua cara de sono&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca durmo antes de ti. Sempre espero; meu corpo encaixado no teu, minhas mãos alisando teus cabelos. Se acaso tens insônia, minha voz te canta bem baixinho "Dust in the wind, all we are is dust in the wind...". E teu corpo todo se relaxa, tua respiração se acalma, teu sono vem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é sempre do teu lado que eu acordo. E só tu podes ver meus olhos pequenos de mandarim, minha boca que amanhece sempre inchada, meu cabelo bagunçado e meu sorriso meio tonto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se durmo depois, é depois também que acordo. Acordo e, às vezes, eu te flagro olhando pra mim. Tu ali, quietinha, sabe-se lá há quanto tempo, só me admirando, com os olhos cheios de estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;E o timbre da sua voz&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É só no teu ouvido que ouso ronronar, usar minhas vozes roucas e baixas. Sim, eu conheço a intensidade exata que faz teu pescoço arrepiar. É só do teu lado que eu me arrisco a cantar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;que fica me dizendo coisas tão malucas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É só tu que podes ouvir minhas melhores loucuras. E rir delas. Ou compenetrar-se nas minhas besteiras sobre deuses gregos, dissecações de Dodecaedros e dissertações de Clarice Lispector. Eu posso te dizer o que eu quiser. E tu ouves, plena de atenção e fascinação. Posso te falar do sentido da vida de uma mosca que passa. Das minhas cicatrizes e crises e regras de case. Dos filmes poloneses do século passado ou dos franceses e italianos desencavados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pra ti eu posso declamar poemas à meia-noite. Expor minhas teorias sobre minha insônia, que depende de domingos, coca-cola e luas cheias. Posso falar de Eros e Psiquê. Pra ti eu posso contar as piadas mais sujas ou os trechos piores dos meus livros mais densos. Pra ti eu posso apontar os desenhos nas nuvens. Explicar conceitos de abertura, exposição, diafragma, foco e zoom. Só contigo eu posso dizer besteira e, ao mesmo tempo, filosofar. Só para ti eu posso perguntar o que me angustia, como a utilidade do céu, por exemplo. É só do teu lado que eu me arrisco a falar tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;e que quase me mata de rir&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só tu viste minhas caretas recheadas de lábios virados e piscadas bem tortas, que no segundo seguinte eu troco por minha cara de sério e te deixo rindo por boba. Só pra ti eu faço meus comentários mais sarcásticos. E tudo pra ouvir outra vez o teu riso. Só tu conheces, aliás, meu riso. Seja falso, forçado, inevitável ou bêbado. Só tu sabes o que me acontece quando bebo. É tu quem eu agarro e faço cócegas e aperto e mordo onde puder. Eu amo te fazer rir, especialmente quando tu precisas ficar séria. E é também, meu amor, só do teu lado que eu me arrisco a sorrir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;quando tenta me convencer&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;que eu só fiquei aqui&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;porque nos dóis somos iguais&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tento. Tento fazer com que tu vejas o que eu vejo. Tua inteligência, tua criatividade, teu talento. Eu anoto tuas melhores frases, meu amor. Todas cunhadas com uma sagacidade e uma sutileza que me encantam. Consigo te admirar tanto e, no entanto, não consigo te demonstrar isso sempre. Não consigo te convencer do quão maravilhosa tu podes ser. Não somos iguais, meu amor. Tu sempre serás melhor do que eu. É só do teu lado que eu me arrisco a tentar ser como te vejo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;até parece que você já tinha&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;o meu manual de instruções&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt; porque você decifra os meus sonhos&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;porque você sabe o que eu gosto&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;e porque quando você me abraça&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;o mundo gira devagar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu conheço todo teu corpo e o efeito de cada toque. Consigo te percorrer inteira, pele, mente, alma. Tenho, como tu disseste, olhos de te ver por dentro. Por isso adivinho o que tu pensas antes que tu o fales. E sempre te deixo tonta com isso. Sei dos teus desejos, dos teus quereres, das tuas coisas mais simples às mais complexas. E entendo. Só de olhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da mesma forma, só tu conhece tudo de mim. O número do meu sapato, o nome dos meus perfumes, o castanho dos meus olhos, o mapa de pintas do meu corpo, a bagunça do meu quarto, o gosto dos meus molhos, o tamanho dos meus sonhos, o choro das minhas músicas, o nome secreto nos meus textos, a marca do meu shampoo, o meu medo por quero-queros, a minha obsessão pela leitura, o meu cheiro no teu travesseiro. É só para ti que deixo meu manual também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;E o tempo é só meu&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;e ninguém registra a cena&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;de repente vira um filme&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;todo em câmera lenta&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;i&gt;e eu acho que eu gosto mesmo de você&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;bem do jeito que você é.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso, tudo para dizer que importante és tu. Não importa quantos gostem de uma fotografia minha. É na tua casa que foi tirada. Não importa quantos comentem em um texto meu. Foi enquanto tu dormias na minha cama que ele foi escrito. Não importa quantos sorrisos me dêem na rua. É a tua boca que a minha beija.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entende?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu te preocupas demais com o tão pouco meu que dou aos outros, quando na verdade me tens de um jeito que jamais outro alguém terá. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São tuas as fotos pela minha casa. É o teu nome no topo da agenda do meu celular. São teus os cartões na gaveta da cômoda. É teu o nome no topo da poesia que te dediquei. É tu que estás ao meu lado, avaliando textos que jamais serão publicados, palpitando nas cores das minhas fotos mais bobas. É tu que me aguentas clicando teias de aranha e xícaras velhas. É tu que corres na rua comigo a tentar flagrar passarinhos. É contigo que eu rolo no chão ou na cama ou na área de casa. É teu o corpo que abraço. É tua a pele que beijo. É teu o cheiro que eu gosto de sentir sempre aqui. É por ti que pico a cebola sempre tão miudinha. É por ti que tomo conta de mim. É pra ti que guardo meu melhor, meu amor. Só pra ti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-860345758187221418?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/860345758187221418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=860345758187221418&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/860345758187221418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/860345758187221418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/so-de-uma-cancao.html' title='Só de uma canção'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4884037660625009076</id><published>2011-10-13T13:00:00.001-03:00</published><updated>2011-10-13T13:03:05.621-03:00</updated><title type='text'>Sou todo feito de cacos e demolições, graçazadeus.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;‎"Um dia, perguntou-me por que andava eu tão diferente. Respondi-lhe risonha, empregando os termos de Hegel, ouvidos pela boca do meu examinador. Disse-lhe que o primitivo equilíbrio tinha-se rompido e formara-se um novo, com outra base."&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;{Clarice Lispector}&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Romper suas estruturas e fundações sempre é uma experiência interessante. Interessante, não indolor. Algumas vezes tudo que você construiu como "você" se desmancha, vira pó e escombros. Às vezes só sacode, como diante de um terremoto forte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De qualquer modo, pó ou não, depois você percebe que tem diante de si uma base nova. Melhor, mais sólida, com erros de cálculos evitados. Você percebe que pode restaurar o "você" a partir daquilo, que pode reerguer alguém melhor, mais completo, mais feliz. Há outro base toda construída para fornecer o equilíbrio perdido. E, superados os primeiros traumas da demolição, você se reergue, com outros materiais, com outras cores, com outras vidas dentro de si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois, olhando para o "você" novo, só o que pode vir é a satisfação. Ou, talvez, o arrependimento de não ter se destruído antes, só para poder se construir melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4884037660625009076?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4884037660625009076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4884037660625009076&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4884037660625009076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4884037660625009076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/sou-todo-feito-de-cacos-e-demolicoes.html' title='Sou todo feito de cacos e demolições, graçazadeus.'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4711090599028695315</id><published>2011-10-12T21:23:00.005-03:00</published><updated>2011-10-12T21:26:15.222-03:00</updated><title type='text'>Poesia úmida</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Chove.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cada pingo me diz&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;Foge.&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;_________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;Do &lt;a href="http://www.facebook.com/vinicius.linne"&gt;meu Facebook &lt;/a&gt;pra cá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4711090599028695315?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4711090599028695315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4711090599028695315&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4711090599028695315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4711090599028695315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/poesia-umida.html' title='&lt;center&gt;Poesia úmida&lt;/center&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1396322208658424421</id><published>2011-10-10T17:12:00.002-03:00</published><updated>2011-10-10T17:17:03.892-03:00</updated><title type='text'>Unhas vermelhas</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc02.deviantart.net/fs41/i/2009/034/6/e/Red__by_t0x1c_d0LLy.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc02.deviantart.net/fs41/i/2009/034/6/e/Red__by_t0x1c_d0LLy.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ághata domina a casa. Se tranco a porta, ela tenta a janela. Se tranco a janela, seus gritos a derrubam. Por Deus, Ághata me invade inteiro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suas unhas longas força passagem pelos meus olhos, fincando feito agulha até despejar deles o mel que há. Suas garras de dedos finos escancaram minha boca. Pra dentro de mim ela procura passagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passagem não há. Eu sangro e ela não entende que o sangue nas suas mãos é meu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cada lasca que ela arranca do muro que me cerca, eu envergo nova muralha. Mais pedras, mais cimento, mais areia, mais massa, mais depressa! Ela não entende que quanto mais me sufoca e mais se força em mim, mais eu escorrego pra longe, mais eu me refugio na escuridão que resta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ela vem. Vem de lança em punho, vem de azul letal nos olhos, vem para tentar me abrir e me enxergar por dentro. Vem em vão. Ághata não entende que em mim não há mais caminho pra ela. Não assim. Não quando ela investe em venenos tão fortes, ácidos tão corrosivos e facas tão afiadas. Não com tanta força.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém entende, eu acho. Ninguém me aceita sem pertencer. E eu não quero pertencer. Sou egoísta. Eu me pertenço inteiro. E aceitar isso é a senha para a ponte elevadiça destravar. Destravar, não abrir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso mais paciência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é uma questão de me possuir. Entende?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;Não! Ághata, você jamais vai entender, porque é passional demais pra isso. Quem tenta me possuir me perde, meu amor. É preciso se deixar possuir. É preciso que eu te queira, do contrário, caminho não há.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;E como vou te querer recheada de espinhos? Como vou te querer coberta de escarras? Como vou te querer de armas na mão? Não vou! E enquanto eu não quiser, você não entra, meu bem. Você não chega perto, você não conquista o direito ao afago, ao riso e ao beijo.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;Você me quer domar pela força. E pela força é que eu não me entrego, sou mais forte que isso. Sou mais forte do que você. Sou mais forte do que eu!*&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;____________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;A última frase de Clarice Lispector, na nota de &lt;i&gt;Uma aprendizagem - ou livro dos prazeres.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1396322208658424421?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1396322208658424421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1396322208658424421&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1396322208658424421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1396322208658424421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/unhas-vermelhas.html' title='Unhas vermelhas'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3704221177353581078</id><published>2011-10-07T10:59:00.003-03:00</published><updated>2011-10-07T11:03:58.098-03:00</updated><title type='text'>"Eu li na Zero"</title><content type='html'>&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Para amigos além de uma fronteira*&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;De Tomas Tranströmer (poeta vencedor do Nobel de Literatura)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;Fui tão econômico em minha carta. Mas o que não pude escrever&lt;br /&gt;Inflou e inflou como um antigo zepelim&lt;br /&gt;E se perdeu, por fim, no céu noturno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Agora o censor está com a carta. Acende a lâmpada&lt;br /&gt;Na luminosidade voam minhas palavras, como macacos na jaula&lt;br /&gt;se sacodem, se aquietam, mostram os dentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Leiam nas entrelinhas.&lt;br /&gt;Nos encontraremos em 200 anos&lt;br /&gt;Quando caírem no esquecimento os microfones de hotel&lt;br /&gt;e poderemos dormir feito moluscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* traduzido da versão castelhana por Roberto Mascaró&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;b&gt;Sagitário&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;De Oscar Quiroga (no horóscopo do meu signo)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;As palavras corretas que não são ditas quando necessárias, o tempo as transforma em maldições. São palavras corretas, porém mal ditas. O momento deve ser apropriado para as palavras importantes serem proferidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo no jornal Zero Hora de hoje, 07 de outubro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3704221177353581078?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3704221177353581078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3704221177353581078&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3704221177353581078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3704221177353581078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/eu-li-na-zero.html' title='&quot;Eu li na Zero&quot;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4184286368950374646</id><published>2011-10-03T19:20:00.002-03:00</published><updated>2011-10-03T19:24:58.582-03:00</updated><title type='text'>Partir</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-MlWg9KPRirk/Too1HUpP8WI/AAAAAAAAAb0/xTEyQOYch5s/s1600/I_Found_This_Boy_by_gracieeatsnewts.png" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="159" src="http://1.bp.blogspot.com/-MlWg9KPRirk/Too1HUpP8WI/AAAAAAAAAb0/xTEyQOYch5s/s200/I_Found_This_Boy_by_gracieeatsnewts.png" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda do aeroporto, enquanto os outros nos olham, eu digo minhas últimas palavras pra você. E elas são estranhamento doces. Também é doce o que você me diz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ironia: mergulhados no ácido, falamos caramelos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E de minha parte, mesmo que doce, não há volta possível. Há a dor que se acalma a cada dia. Há o amor que deixamos descansar e mofar no fundo da gaveta do meio. Há os traços do rosto que vamos esquecendo. Há o perfume da pele que já não conseguimos mais sentir. Há a voz que começamos a confundir com outras vozes. Há as músicas que voltam a ser apenas belas músicas. Há os sonhos que vamos apagando, desfazendo, descosturando, bem aos poucos. Há as coisas que o outro disse e que vamos embaralhando... embaçando... até perdê-las.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há dor definitiva. Há o tempo e sua corrosão. Há o inferno daqui e há as outras pessoas que chegarão um dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não te disse tudo isso, mas vi. Vi você se apagando de mim. Vi eu me apagando em você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não chorei. Fui firme, embora quem nos visse ali, no saguão, desolados, compreendesse qualquer coisa de dor nos meus olhos de mel. Você ainda tinha o quê dizer. Não disse. Eu pedi assim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Agora é melhor você ir. Você está se atrasando e se ficar mais um minuto, do jeito que as coisas estão, eu vou acabar dizendo “Eu te amo”. E não é isso que eu quero. Então... Até mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Menti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não no dizer que eu amava. Amo, louca e desesperadamente amo, para minha própria maldição. Menti quando disse o "até mais".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque, meu amor, nós não nos veremos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4184286368950374646?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4184286368950374646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4184286368950374646&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4184286368950374646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4184286368950374646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/partir.html' title='Partir'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-MlWg9KPRirk/Too1HUpP8WI/AAAAAAAAAb0/xTEyQOYch5s/s72-c/I_Found_This_Boy_by_gracieeatsnewts.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1344666791867829987</id><published>2011-10-03T15:21:00.001-03:00</published><updated>2011-10-03T15:29:25.106-03:00</updated><title type='text'>"Gosto muito de você, leãozinho..."</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-NVWZfYkA_Mg/Ton88Js2UBI/AAAAAAAAAbs/G6tplQLY77E/s1600/Imagem+250-3.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="184" src="http://1.bp.blogspot.com/-NVWZfYkA_Mg/Ton88Js2UBI/AAAAAAAAAbs/G6tplQLY77E/s200/Imagem+250-3.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu pai sempre foi de economizar, especialmente com as "porcarias" para mim.&amp;nbsp;Mas lembro de uma tarde em que fui junto com seu caminhão, cidade estranha, de nome há muito esquecido...&amp;nbsp;Em uma loja de beira de estrada, havia um leão de pelúcia. Um Simba. Era bonito.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bonito diz pouco. Era lindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomei a ousadia de pedir, esperando a recusa. Se minha mãe estivesse junto, eu conseguiria facilmente, imperador que era dela. Do meu pai eu esperava uma franzida de testa, uma exclamação de como era caro - e era, realmente - , de como os tempos estavam difíceis... De tudo eu esperava. E de todas as alternativas, só o que eu não esperava era aquele leão nos meus braços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu pai me olhou, olhou para o bichinho. E de alguma forma ele soube minha necessidade tê-lo. Necessidade que mesmo eu não saberia explicar. Sabia era colocá-la nos olhos. Não houve protestos. De carinho imenso, ele pediu o leão sem nem perguntar pelo preço. Naquele dia eu soube que ele me amava, mesmo que não demonstrasse isso sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da infância toda e da minha voracidade em descobrir a vida que havia por dentro - inclusive do que não tinha vida - o leão sobreviveu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto escrevo, eu olho para ele. Ele me olha de volta e sorri. Então eu entendo. Se naquele tempo meu pai, tão defeituoso herói, era imenso a ponto de me amar, isso significa que eu também posso; se tentar bastante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1344666791867829987?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1344666791867829987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1344666791867829987&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1344666791867829987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1344666791867829987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/gosto-muito-de-voce-leaozinho.html' title='&quot;Gosto muito de você, leãozinho...&quot;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-NVWZfYkA_Mg/Ton88Js2UBI/AAAAAAAAAbs/G6tplQLY77E/s72-c/Imagem+250-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3886040945760637626</id><published>2011-10-01T15:23:00.002-03:00</published><updated>2011-10-01T18:22:11.582-03:00</updated><title type='text'>Indigno</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;div style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc03.deviantart.net/fs70/f/2010/096/e/f/ef4374c8a694bba23962f46f93d4857d.jpg" width="200" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Não posso lhes contar o que me aconteceu ontem sem esfarelar uma imagem que vocês têm de mim. E como tudo isso que escrevo - e que preciso escrever para compreender - é sobre imagem, então não posso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Submergidas as causas, reparto convosco as consequências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me descobri, de repente, indigno.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nós nos esforçamos a vida toda para construirmos uma imagem nossa a ser transmitida e propagada entre as outras pessoas. Nossas maneiras, nossos hábitos, nossas roupas, nossas fotos publicadas - ou excluídas, nossas citações, nossos textos, nossas frases e desculpas. Tudo é construído tendo em vista uma imagem. Podemos repetir e até ficarmos loucos - &amp;nbsp;ou roucos - de que não nos importamos com o que os outros pensam. E, fazendo isso, acabamos de construir uma imagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, essas imagens construídas funcionam relativamente bem. Cunhamos nossa máscara e deixamos que todos a vejam. Por que fazemos isso? Porque queremos ser admirados. Tão admirados a ponto de sermos dignos do amor alheio. E tudo no mundo só quer ser amado, como lembra bem &lt;i&gt;A cor púrpura&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até aqui tudo ocorre funcionalmente bem. Sua imagem se constrói ou se deforma de acordo com o seu autocontrole. Você decide o que vai deixar as outras pessoas verem de você e o que precisa - ou merece - ser bem escondido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas de repente, num momento de solidão em uma cidade estranha, você se desloca todo do eixo. É que encontrou o autorretrato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imagem passada para os outros pode ser moldada, manipulada, construída, fingida, pintada. Mas e a sua autoimagem? Essa não. Você é incapaz de enganar a si mesmo. A hora do espelho sempre chega e aí a verdade nos implode.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual imagem você tem de si? O que você julga merecer daquilo que lhe é dado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me apavorei quando descobri o quão baixo eu me considero. O quão indigno de tudo, inclusive do salvador amor alheio. Eu percebi que simplesmente não sei levar a sério qualquer elogio. Descobri que deprecio tudo que faço, como se nada fosse bom ou valioso o suficiente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas poesias eu chamo de ruins, não aceito que qualquer olhar seja para mim, descarto tudo que me apontam como qualidade, acho risível o que os outros chamam de talento, penso que minhas fotografias são só imagens feias, que minhas letras são rascunhos borrados, que meu corpo é deformação e minha alma enganação. Eu me humilho, espezinho e destrato. Descobri com horror súbito que eu me odeio e me acho indigno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descobri que ajo como se em todo lugar minha presença fosse só incômodo ao bem estar alheio. Como se as conversas que me destinam fossem amolação demais ao interlocutor. Como se minhas coisas todas fossem bobagens a encher o dia, o ar e a paciência de quem as vê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu Deus. Horror dos horrores. Encontrei com a imagem que eu mesmo fiz para mim. E ela mais monstruosa do que o retrato de &lt;i&gt;Dorian Gray.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu lugar era aquele. E daí já me revelo como não queria, mas escrever é essa incapacidade de contenção também. Aquele bar sujo era como eu me via. Aquelas paredes imudas, aquelas prateleiras com merda de rato, aquelas garrafas cobertas de pó, aquele chão com manchas de vômito, aquela puta velha de unhas auzis roídas e cigarro no canto da boca servindo um pastel rançoso. Esse era eu por dentro. A porta quebrada do banheiro imundo, revelando as entranhas do esgoto explêndido. A cigana discutindo com o amante por causa de dinheiro. O velho gordo vertendo sebo e morte na mesa do canto. Tudo era eu. Era isso que eu me destinava. Era isso que eu me fazia mercer. Era a isso que eu me entregava com gosto. Compreendem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. Também eu não compreendi até viver. E você, talvez, só vivendo porderá encontrar seu autorretrato. E poderá, então, maravilhar-se ou, como eu, chocar-se do mais puro horror.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A imagem toda. A manipulação fiel e habilidosa que eu fiz para os outros jamais serviu para mim. A mim ela não convenceu. Eu não fui capaz de comprar minhas próprias ilusões. Na hora de ver no espelho minha máscara de veludo escarlate, rubis e pedrarias, eu só fui capaz de olhar para meu rosto sujo, gorduroso e desossado. Choque.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu queria que ter constatado tudo isso me servisse de consolo. Como quem, ao quebrar a parede, finalmente encontra o vasamento e pode consertá-lo. Mas eu não sei consertar. Não sei o que fazer do horror que me foi dado. Minha imagem. Os olhos com os quais eu me vejo. Como trocá-los? Como convencê-los de que eu sou, sim, digno? De que eu mereço mais do que aquele bar? De que eu mereço o salão espelhado com garçom servindo à direita? De que eu mereço o vinho caro da uva mais bem pisada? De que eu mereço estar ali, falar e ser ouvido, fascinar e ser fascinado? De que eu mereço, por Deus, escrever e fotografar, fazer arte e chamá-la assim? De que eu mereço ter minha boca cheia beijada, meu cabelo afagado, minhas mãos presas por outras mãos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu vou me convencer de que eu estou aqui? E de que se eu estou é porque alguma coisa de especial eu tenho? Qualquer coisa. Quando eu vou, finalmente, deixar de ver um desperdício e ver uma pessoa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu vou, finalmente, olhar no espelho e enxergar o que você consegue ver?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que não demore. Que não demore porque eu já não sei por quanto tempo aguento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3886040945760637626?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3886040945760637626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3886040945760637626&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3886040945760637626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3886040945760637626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/10/indigno.html' title='Indigno'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-8065754921036490465</id><published>2011-09-27T21:35:00.000-03:00</published><updated>2011-09-27T21:35:11.903-03:00</updated><title type='text'>Da cópia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro dia cunhei a seguinte frase: "Escrever é isso, no fim, encontro de dores. Da dor de quem lê, na dor de quem escreve". Nada tão inovador, nem muito diferente do que Pessoa já dizia na sua &lt;i&gt;Autopsicografia&lt;/i&gt;, apesar disso, verdadeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me identifico com tantas dores alheias... Muitas delas escritas. Às vezes o outro consegue condensar tão bem o que sentimos, em palavras, que é como se elas tivessem saído de nós. Daí vem a vontade imensa de ter escrito aquilo, cada letra, porque não é de outra coisa que fala, senão de nós. Eu mesmo queria, por exemplo, ter escrito metade dos livros da Clarice Lispector. E quase todos os do Caio Fernando Abreu. Não escrevi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não escrevi, mas posso ler, posso me identificar, posso encaixar minhas dores nas deles e posso, sim, copiar. Copiar para guardar, para compartilhar, para dizer com as palavras deles como eu me sinto aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fundamental, porém, é o que se faz nessa cópia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em primeiro lugar,&lt;b&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;não posso jamais mudar um texto que não é meu.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; É como se, diante de uma pintura, eu decidisse pegar um pincel e adequar qualquer cor a outra que mais me agradasse. Não. Não é assim. Alguém sentiu suas dores, sentou, pensou, escreveu, releu, corrigiu, refez para que tudo se encaixasse desse ou daquele modo... Que direito eu tenho de mexer no que não é meu? Princípios fundamentais. Daqueles que se aprendem na educação infantil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em segundo lugar, é imprecindível dar a César o que é de César. Ou seja, &lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;o nome de quem escreveu aquele texto PRECISA aparecer ali&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;. Apropriar-se do que não é seu - seja dinheiro, um objeto, um quadro, &lt;b&gt;um texto&lt;/b&gt; - é sempre &lt;b&gt;roubo&lt;/b&gt;. Não é porque são imateriais (e são mesmo?) as palavras que elas podem pertencer a qualquer um.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Magoa ver uma coisa sua, tão íntima - porque toda escrita minha é diário íntimo - servindo de palco ao agrado de qualquer um. Falo isso porque hoje vários textos meus estavam espalhados por aí, ao vento. E se eu perguntar a quem os copiou/roubou quem é a Ághata, por exemplo, de que falam os textos, eles não saberão. Para eles é um nome. Para mim não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entendem? Poucos compreendem a grandiosidade do que escondo ali, nos meus escritinhos pequenos. Meus códigos, meus traços, meus segredos. Coisas que para outros podem não fazer sentido algum, palavras e nomes que são enfeites alegóricos podem ser, em mim, o centro de tudo mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou contra a cópia, muito pelo contrário. Eu copio os textos de que gosto. Mas não os altero e sempre dou crédito a quem os escreveu. É preciso entender que isso não desmerece ninguém. Muito pelo contrário. Colocar o nome de quem desenhou aquelas letras não só demonstra sua &lt;b&gt;integridade &lt;/b&gt;e &lt;b&gt;caráter&lt;/b&gt;, como também enaltece suas leituras. Culto não é aquele que "escreve" palavras bonitas plagiando o que é alheio. Culto é quem reconhece o valor dessas palavras e de quem as escreveu. Culto é aquele capaz de mostrar as leituras que têm e as fontes nas quais se inspira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdão, enfim, pelo desabafo todo. Mas dói. Dói como doeria você ver uma coisa sua - e da qual você gosta muito -, sendo exibida nas mãos de outro. Eu só não queria cair no abismo de bloquear esse blog todo. Seleção, clique com botão direito e teclado com o seu &lt;i&gt;Ctrl&lt;/i&gt;... Penso que certas coisas são mesmo desnecessárias. E no fundo, mesmo, nem que seja de bobo, eu acredito no melhor das pessoas. Acredito em quem copia e dá créditos. E acredito, acima de tudo, em quem corrige os próprios erros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Valeu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-8065754921036490465?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/8065754921036490465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=8065754921036490465&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8065754921036490465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8065754921036490465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/da-copia.html' title='Da cópia'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5552758986775834707</id><published>2011-09-27T13:48:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T13:56:37.003-03:00</updated><title type='text'>Paixão de Avalon</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhos. Ele se resumia a dois grandes olhos vivos e arregalados. Sempre. Seus olhos eram, na verdade, dotados de uma divina gula por mundo, tudo ele queria que coubesse ali. Na casa nada se dava longe daquele par de olhos. De cada barulho, ele capturava por eles o motivo. Cada coisa nova era devidamente registrada. Feito uma coruja muito arrepiada e arregalada, o gato passava a vida a olhar as coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi de repente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente não o entendemos mais. Tinha os olhos sempre semi-cerrados, sonhadores e sedutores; felinos. Como se alguém lhe houvesse matado a curiosidade, sem ter matado o gato. Tudo se tornou insignificante. Teria ele comido o mundo por aqueles seus globos verde-amarelados? Teria saciado sua fome de ver, enfim? O comportamento também mudou. Ele, que sempre fora dado à hábitos quase caninos de brincadeiras e saltos, agora se mantinha lânguido, aéreo, pouco dado a qualquer realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Mas que doença tem esse gato?" Ághata seguia-o na esperança de diagnosticá-lo, como faz com tudo mais que lhe escapa. Até que um dia o flagrou. Estava metido em carinhos ternos com um abandonado gato siamês, ainda mirrado. O siamês fugiu, pulando o mesmo puro pelo qual entrara no pátio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda bobo e hipnotizado, Avalon demorou-se a perceber o que havia. Até se dar por segui-lo, o outro já ia longe. Tristeza. Dos olhos quase fechados vertia tristeza. Minutos depois apareceu neles a esperança. Ele voltaria. Os amores sempre voltam. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Plantou-se o Avalon, então, com todo seu porte de leão negro, a esperar pacientemente sobre o muro antigo. Cada farfalhar de folha, cada ciscada de passarinho, cada fruta caída do pé, era um susto. O coração disparava a todo ínfimo barulho: Era ele! Não, nunca era. Naquele dia o outro gato não voltou. E nem o Avalon desceu do muro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu olhei e sorri. Entendia bem o que era aquela espera dos apaixonados. Eu me via refletido no gato. Lembrava bem de estar na janela alta, esperando. De me encher de esperança e alegria e glória a cada barulho equivocado. Benditas as esperas dos apaixonados. Benditos os que tem a quem esperar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois Ághata sentenciou: "Tu viu teu gato? Coitado! Apaixonado por outro gato..." É. Avalon está mesmo apaixonado. A ele não importa que o outro seja também macho. Tampouco sua própria castração importa muito. Ele ama. Ama por. Ou ama apesar de. Na verdade, não importa. Nunca importa. Ele ama. Isso é tudo. Ama e é correspondido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde então temos outro gato aqui, embora outro do mesmo. Nada mais daquele Avalon espoleta, curioso e quase cão. Agora temos um gato de passos trocados e leves, de olhos sempre sedutores, de pausas demoradas e observações sutis. Temos, enfim, um gato felino. Tão felino quanto se pode ser apaixonado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, todas as tardes, enquanto Ághata dorme e eu me deixo invadir pelo meu próprio infinito, um gato espera pelo outro encima do muro. E o outro vem, religioso. Entre os beijos e os trevos de três folhas só, passam pintados de sol trocando carícias e lambidas e afagos. Tudo enquanto ninguém os vê. Criaram seu próprio paraíso no jardim em que impera qualquer coisa de uma loucura de primavera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu queria amansar o outro gato, caso seja mesmo abandonado. Dar-lhe inteiro ao meu Avalon. Mas talvez ele não gostasse disso. O&amp;nbsp;proibido&amp;nbsp;das flores tem muito mais razão de ser. Se fosse também meu o outro, seria menos dele. Entendem? Além disso, não haveria mais o milagre da espera, do sofrimento de cada barulho não feito, e menos ainda da glória de vê-lo chegar com seus olhos azuis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então deixo tudo assim. Deixo porque é primavera e porque sei que, por enquanto, há amor no meu jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Fe-eCyKJBLY/ToH-OaSqilI/AAAAAAAAAbk/ZPtyTzdSFAY/s1600/Imagem+946.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-Fe-eCyKJBLY/ToH-OaSqilI/AAAAAAAAAbk/ZPtyTzdSFAY/s320/Imagem+946.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5552758986775834707?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5552758986775834707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5552758986775834707&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5552758986775834707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5552758986775834707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/paixao-de-avalon.html' title='Paixão de Avalon'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Fe-eCyKJBLY/ToH-OaSqilI/AAAAAAAAAbk/ZPtyTzdSFAY/s72-c/Imagem+946.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5776024682476628816</id><published>2011-09-24T21:55:00.002-03:00</published><updated>2011-09-24T21:58:41.351-03:00</updated><title type='text'>Apoc. 10:4</title><content type='html'>De repente não entendo.&lt;br /&gt;O mundo explode pelas plantas&lt;br /&gt;em bombas vermelhas e roxas&lt;br /&gt;de fumaça doce tóxica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pássaros gritam de pavor histérico,&lt;br /&gt;atormentando o dia azul.&lt;br /&gt;As abelhas se preparam, fazendo estoque&lt;br /&gt;de mel em &lt;i&gt;bunkers&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gato, tão preto quanto apaixonado,&lt;br /&gt;espera no muro a última chegada&lt;br /&gt;do amante nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando beiro a queda,&lt;br /&gt;vejo que tudo já é notícia.&lt;br /&gt;Na capa dos jornais,&lt;br /&gt;apocalipse tem outro nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima das fotos das explosões&lt;br /&gt;em caixa alta e imprensa alarma:&lt;br /&gt;CHEGOU A PRIMAVERA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5776024682476628816?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5776024682476628816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5776024682476628816&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5776024682476628816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5776024682476628816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/apoc-104.html' title='Apoc. 10:4'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1785273915537543242</id><published>2011-09-21T18:50:00.003-03:00</published><updated>2011-09-21T21:20:44.047-03:00</updated><title type='text'>Boneca Russa</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc09.deviantart.net/fs36/i/2008/287/4/5/Russian_Doll_by_ptitepixie.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="132" src="http://fc09.deviantart.net/fs36/i/2008/287/4/5/Russian_Doll_by_ptitepixie.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O corpo não. No corpo sou tão inevitável quanto todos vocês. Estrutura de ossos, músculos vermelhos, sangues, sêmen e outros fluídos, um emaranhado de nervos, veias e outros trapos. No corpo não há distinções, exceto pelo gato da mão esquerda e pela mancha na panturrilha, também esquerda, há muito coberta pelos pêlos das pernas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a alma, pressupondo e aceitando que possuo uma, essa é uma boneca russa. Sim, uma daquelas que quando abrimos sempre há outra dentro, e mais outra, e outra e ainda outra, &lt;i&gt;ad infinitum&lt;/i&gt;. Só o centro, o gérmen inicial, a boneca mais pequenina, não pode ser aberta ou partida, desconfio. Desconfio porque nem mesmo eu cheguei a ela. E, se acaso chegasse, não escreveria mais. Estaria mudo ou morto. O que, em suma, é o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;primeira &lt;/span&gt;boneca, a maior, tem olhos insignificantes, insossos até. Olhos de peixe fora d'água. Às vezes, em uma ousadia, ela parece ansiar pela petulância dos eleitos. Não consegue. Na primeira boneca até a petulância é um arremedo tosco. Mas ela se abre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem chega à &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;segunda &lt;/span&gt;boneca pode ver que eu sei coisas. Coisas que digo, que reparto, que facilmente dôo a quem pedir. Na segunda boneca estão as escritas, as fotografias, os planos e os afagos mínimos. Tudo que há de se admirar está pintado no colorido dessa madeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais fundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;terceira &lt;/span&gt;boneca é uma pândega. E só se chega à ela depois de algumas trancas. Essa tem cores berrantes, um colorido surreal e pinturas de macacos e flores e borboletas de lapela. Essa boneca faz festa e farra a quem vier. Ela é dona do riso bobo, da besteira dita, da besteira feita. É a boneca da graça e de fazer rir. É nela que se perde a pose, os óculos, a inteligência e a cultura. Nessa boneca ainda há qualquer coisa de criança. E de criança arteira. Quem só conhece as outras, nessa boneca nem acredita. E eu a escondo, bem calmo e soturno. Não é digno do tesouro quem não sabe da senha certa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se chega à &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;quarta &lt;/span&gt;boneca encontra-se a ira. Ela foi toda entalhada e pintada pela loucura azul de Ághata. Nela tudo fere como espinho. É a boneca desvairada, a que não se cala. A que implora por briga e só dá tapa de luva. É aquela que chega quando invocada e parte depois do estrago já feito. É minha boneca de vingança e sangue alheio no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já a &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;quinta &lt;/span&gt;boneca é toda preta e branca. Tem uma lágrima pintada debaixo do olho esquerdo. Quase imita um daqueles arlequins que por muito tempo assombraram meu quarto de infância. Essa boneca é de arrepios e quando nela há respingos vermelhos, eles são de puro sangue meu. Essa boneca é adoradora de coisas mortas e uiva pra lua sempre que lhe solto as cordas. É uma das mais finas. Aqui a madeira quase se parte ao menor sopro de vento. É a boneca dos silêncios que não se explicam, das escuridões em dia claro, das masmorras e dos calabouços frios. Não gosto dela, mas ela existe independente do meu gostar. E quase a venero por isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;sexta &lt;/span&gt;boneca, e aí já é querer ir fundo demais, só uma pessoa conhece. É uma boneca toda tingida de encarnado. É a boneca dos sussurros de dar arrepio bom. É a boneca de mordidas leves no pescoço. De voz rouca e grossa, de puxões e arranhões com unhas de gato. É a boneca que sabe francês, a única delas, e ainda melhor, sabe usar do francês. É a boneca de olhos agudos, de seduções altas, de sensações, de roçar de peles. É ela a aranha responsável por tecer todas as teias, venenosa a ponto de se desejá-la. Vinhos, luares, sabores, bocas e dentes, toda ela é só isso. É força e puxão, é pegada e o sexo no que há de animalesco. E ela tem mesmo traços de bicho. É a que não escuta e que urra, que não toma consciência da própria força, do próprio porte. É aquela a quem nada mais sossega, senão o próprio gozo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se parte o que é rubro, desponta a &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;sétima &lt;/span&gt;boneca. E aqui meu medo já aumenta. Dessa eu mesmo sei pouco. Sei que tem segredos. Sei que age como se fosse Pandora, ou antes sua própria caixa. É ela quem tem lábios costurados, atados nas coisas que não conta, nas coisas que só insinua, nas coisas que poderiam ferir - ou matar. A sétima é a única que realmente chora e não sei a quem ela deixa ver suas lágrimas. No meio dela há a cola. Dela não passo. Nem ninguém passou ainda. Na sétima a aventura minha termina. Mas balançando-a bem, eu sei, é possível ouvir mais. Dentro dela há outras. Muitas até chegar ao cerne que esgota tudo mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu paro. Temeroso e fiel, eu paro. Mais uma e meu medo seria grande demais. Paro em Pandora e no que ela contém. Paro para minha própria sorte. Deixo ainda dormir aquilo que quer dormir. A boneca menor - e a mais perigosa - ainda reside no ventre de todas as todas. E que assim seja até o seu momento chegar. E que ele demore. E que eu resista. E que alguém assista, nem que seja para contar de toda beleza e horror que pode haver escondido no fundo de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1785273915537543242?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1785273915537543242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1785273915537543242&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1785273915537543242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1785273915537543242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/boneca-russa.html' title='Boneca Russa'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-422271846278803931</id><published>2011-09-19T18:21:00.001-03:00</published><updated>2011-09-19T18:21:44.032-03:00</updated><title type='text'>E chove em Tapera VI</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Se ele não parar de tocar isso, vou tacar uma pedra naquela janela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não vai nada. Pára com isso. A música nem é ruim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Eu sei. E não é esse o problema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— E qual é o problema então?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— O problema é que desde antes de vir eu estava me preparando. Me preparando pra não estender essa mão aqui, pra não tocar tua pele, pra não sentir o calor, pra não chegar mais perto...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Pára.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não. Deixa eu falar. A distância às vezes é foda demais. E a distância entre nós é de alguns centímetros só e, mesmo assim, eu precisaria passar abismos pra poder ultrapassá-la. E essa música. Esse é o problema. Ela está me dando asas. Ela está me dando motivo, coragem, coragem de pular o abismo. De chegar meu rosto mais perto do teu. De tocar teu pescoço com a minha boca. De deslizar, de te beijar. Que droga. Eu não queria ter dito nada disso. Eu só queria ter dito que vou sentir sua falta agora que você se vai. E depois eu queria ter ido embora, chorando na chuva pra que ninguém visse ou risse. E agora estou falando sem parar. E a música vai começar de novo. E eu não sei o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-422271846278803931?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/422271846278803931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=422271846278803931&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/422271846278803931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/422271846278803931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/e-chove-em-tapera-vi.html' title='E chove em Tapera VI'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3331785060261278615</id><published>2011-09-19T16:47:00.004-03:00</published><updated>2011-09-19T17:02:33.082-03:00</updated><title type='text'>Detefon, almofada e trato</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc06.deviantart.net/fs51/i/2009/312/b/8/Red_ribbon_by_EvilWitchBunny.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://fc06.deviantart.net/fs51/i/2009/312/b/8/Red_ribbon_by_EvilWitchBunny.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando por conta, já estava no carpete roxo. Não sei. Não mãe, não outros, só os gigantes de falar nhénhénhén. Cheira leite. Parece leite. Tem gosto leite. Não tem leite. É um disco frio. Dizem bebe, gatinho. De fome eu bebo. De pura fome. Queria mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cresço e fico porque me passam a mão de quando em vez. Durmo deitado no sentador. Ouço a chuva e a vejo da janela sempre. Deito no sol, lambo as patas e fico, vou ficando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do pacote saem carnes e legumes e peixes e vegetais, tudo em pedacinhos secos. Os pacotes saem das sacolas de quando eles saem de casa. São bons. Eu entendo. Entendo e fico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois veio ele. Injeção na coxa. Tentei dizer que.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando acordo não sou o mesmo. Fico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico. Fico. Fico. Bem comum, eu fico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas um dia eu noto as unhas debaixo das patas minhas. Fofinhas as patas. O menino sempre brinca com elas. Dentro das patas tem unhas. É só apertar que elas saem pra fora. Afiadas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento nas&amp;nbsp;árvores.&amp;nbsp;Esticadinho eu as afio. As unhas. É bom arranhar os troncos. Tirar as lascas, sentir tração. Força.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As patas cada vez fortes mais. Eu posso. Logo logo logo eu posso. Eu posso passar a cerca, pular os jardins pra além dos muros, subir e descer e depois tropeçar no mundo. Não é assim. Do jeito todo, não fico mais. Por enquanto fico. Mas depois, eu é que não fico mais. E quando desficar, não volto. Nunca mais gatinho vermelhinho de lacinho pescocinho. Nunca mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3331785060261278615?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3331785060261278615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3331785060261278615&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3331785060261278615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3331785060261278615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/detefon-almofada-e-trato.html' title='Detefon, almofada e trato'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3279775297032599231</id><published>2011-09-13T12:47:00.002-03:00</published><updated>2011-09-13T12:51:07.572-03:00</updated><title type='text'>De porcelana</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2010/094/0/6/06bd16add1ab79a9c96a8d7c2b321665.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2010/094/0/6/06bd16add1ab79a9c96a8d7c2b321665.jpg" width="133" /&gt;&lt;/a&gt;Sou perigosamente distraído, eu sei. E às vezes me descuido todo. Meu coração, por exemplo, em algum momento deixei ele cair no chão e nem me dei por conta. Na pressa, devo tê-lo ajuntado de qualquer jeito, espanado a poeira um pouco e colocado-o de volta, sem perceber as rachaduras fininhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com as viagens e andanças, os tremores internos e os terremotos pequenos, ele foi se rachando mais e mais. Bem silenciosamente, sem os ruídos que denunciariam as pequenas raízes que se abrindo na porcelana vermelha e dourada. Mansamente ramos se abriam em outros ramos e, sem que eu esperasse, o coração todo me caiu em cacos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez viesse o desespero, não estivesse eu tão acostumado a quebrar coisas. Botei tudo no lugar, aquele amontoado de lascas e cacos e pedaços que não se encaixam mais. Estou vivendo com isso, com essa confusão de pedaços pontiagudos. Tudo em mim agora dói e emociona e apaixona e alegra e entristece, ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Veja, nesse caco você. Naquele a dor do meu vô. Nesse a loucura de Ághata. No maiorzinho a alegria que me dão maus adolescentes. Naquele outro, de ponta fina, uma solidão. Naquele ao lado um prazer. Esse saudade. aquele desejo. O outro tristeza. Em algum a esperança...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cacos meus, sem unidade, sem cola que me permita ter um coração inteiro de novo. Ainda assim eu tento. Vou encaixando os pedacinhos, desfazendo meus enganos, desistindo de alguns deles, procurando outros que não devo ter recolhido, moldando peças novas. Tentando, enfim, ter um coração de novo inteiro, como o seu e o de todo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3279775297032599231?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3279775297032599231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3279775297032599231&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3279775297032599231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3279775297032599231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/de-porcelana.html' title='De porcelana'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-988473926123034886</id><published>2011-09-12T19:01:00.000-03:00</published><updated>2011-09-12T19:01:25.687-03:00</updated><title type='text'>No meu divã, com Dr. Rilke</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"[...] Volte-se para si mesmo. Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples "Preciso", então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de se tornar, até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho desse impulso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[...] Por isso, resguarde-se dos temas gerais para acolher aqueles que seu próprio cotidiano lhe oferece; descreva suas tristezas e desejos, os pensamentos passageiros e a crença em alguma beleza - descreva tudo isso com sinceridade íntima, serena, paciente, e utilize, para se expressar, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de sua lembrança. &lt;b&gt;Caso o seu cotidiano lhe pareça pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo, diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas;&lt;/b&gt;" [grifo meu]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De: Rainer Maria Rilke em &lt;i&gt;Cartas a um jovem poeta&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-988473926123034886?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/988473926123034886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=988473926123034886&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/988473926123034886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/988473926123034886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/no-meu-diva-com-dr-rilke.html' title='No meu divã, com Dr. Rilke'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4075379439243951858</id><published>2011-09-10T13:26:00.004-03:00</published><updated>2011-09-10T13:29:09.071-03:00</updated><title type='text'>XII - O Enforcado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc05.deviantart.net/fs8/i/2006/163/0/2/Hanged_Man_1_by_Degare.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="246" src="http://fc05.deviantart.net/fs8/i/2006/163/0/2/Hanged_Man_1_by_Degare.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;No meu tornezelo, amarrada está a corda vermelha. Não vou longe. Quando penso demais em vôos e voltas, a corda fica tesa e me derruba de pronto. No tornozelo direito, tudo que há de racional em mim, todas as coisas concretas, as contas, as canetas, os livros comprados, os textos empacotados, os sentimentos guardados, tudo amarrado na outra ponta da corda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes tento roer a corda, esfiapo alguns centímetros, encho meus caninos de fibras vermelhas. Em vão. Eu mesmo remendo a corda depois, reforço, dou mais um nó, prendo bem, testo a distância e a encurto mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se não há corda suficiente, corto as pontas das asas, como fazem com os pássaros verdes. Ou arranco minhas penas de cera - as mesmas que me impedem de chegar junto ao Sol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou todo refém de mim e de minhas próprias armadilhas. Traço planos de liberdade à noite e reforço a segurança no dia seguinte. Eu me prendo porque tenho medo de onde poderia chegar caso fosse livre demais. Medo da loucura de me encontrar ao extremo. Medo de gostar da insanidade. Medo de realizar meu sonho de infância: o hospício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nestes medos eu penso que me prendo para minha própria segurança. E no fim não é. Eu me prendo pela comodidade, pela preservação da espécie, pela imobilidade que só tem aquilo que se prende. Para evitar os arranhões, as marcas, as cicatrizes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E me prendo também para poder sonhar ao invés de viver, pra poder cantar e ter alguém para ouvir. De besta, me prendo de besta mesmo. E sei que estou assim, sei que estou errado, sei que queria muito mais do que minha cordinha vermelha. Mas não sei onde encontrar coragem para prosseguir. Não sei onde encontrar tesoura afiada o suficiente para eu não me arrepender. Não sei onde me desencontrar. Perdão, não sei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4075379439243951858?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4075379439243951858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4075379439243951858&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4075379439243951858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4075379439243951858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/xii-o-enforcado.html' title='XII - O Enforcado'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5700181652574492336</id><published>2011-09-05T18:10:00.005-03:00</published><updated>2011-09-05T18:31:13.045-03:00</updated><title type='text'>Ameixas úmidas</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://th04.deviantart.net/fs17/PRE/f/2007/186/7/4/Plum_Dreams_by_devianb.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://th04.deviantart.net/fs17/PRE/f/2007/186/7/4/Plum_Dreams_by_devianb.jpg" width="158" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de sair ele pediu. Pediu ou mandou? Ando tão esquecida que agora não sei...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Torta de ameixas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é que eu não sei fazer. E os livros são tão confusos para uma mulher. A receita de torta de maçãs, por exemplo, serve se eu substituir maçãs por ameixas? Eu não sei fazer, mas também não disse a ele que não sei. Eu sorri, concordando, porque o amo mais que tudo e preciso dele para mim. Eu sou feliz. De verdade. Mesmo. Alguém não acredita em mim? Não acredita? Não acredita? Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Torta de ameixas. Ele adora. Por ele tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ameixas frescas ou em calda? Ameixas roxas ou vermelhas? Amarelas, quem sabe. Quem sabe? Anabela sabe. Mas ele não gosta que Anabela venha à nossa casa. Diz que ela é vulgar. Anabela não é vulgar, é linda, especialmente quando está com o vestido de veludo escuro, cor de ameixa. Qual ameixa? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A louça está lavada, lá em cima as camas suspiram a limpeza dos lençóis, as roupas se espreguiçam no varal, o gato dorme no sol da janela. A cozinha brilha e tudo está suspenso. Ovos, manteiga derretida – ele não gosta de margarina – farinha, açúcar, canela. A torta de maçãs leva canela, mas e a de ameixas, leva?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se Anabela vier ele não tem como saber. Ele volta só quando a noite já é alta. Até lá a torta está assada e Anabela na casa dela. Na parede o telefone arde, chame Anabela, ele diz. Eu chamo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anabela vem, delicadíssima. Fuma qualquer cigarrinho mentolado, que segura com graça. Quando ela anda, ela anda toda inteira, dos cachos do cabelo ao negror das pernas, tudo faz graça. Anabela tem uma boca que não se vê em qualquer lugar. É uma boca cheia, vermelha de batom. Batom que ela mesma vende. Anabela se sustenta e não tem homem. Por isso ele a acha vulgar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela me cumprimenta afetuosa, beijos no rosto, quentes, demorados, entorpecentes como seu perfume que lembra a floração das ameixeiras. Meus olhos se fecham, delicados. Fecham de quê? De delicados. Já os olhos de Anabela nunca são completamente abertos. Ela olha entre os cílios. Como se sorvesse do ar um prazer que a deixasse levemente embriagada. Anabela é pantera. E eu me arrepio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Torta de Ameixas. Ela sabe fazer? Sabe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabe, mas diz que precisa de mel. Eu tenho mel. No balcão, em cima. Deixe que eu pego. Eu pego. Eu derrubo. Eu quebro. O vidro corta meus dedos, mel e sangue escorrem nas minhas mãos em um vermelho dourado, pleno, farto, forte, doce. Anabela vem ao meu socorro. "Pobrezinha, ela diz, machucou?" Sua boca se abre. Tão carnuda a boca de Anabela. E a minha tão fina. A Língua de Anabela toca o sanguemel da minha mão. Tão vermelha a língua de Anabela e tão eriçada toda minha pele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mel sangue Anabela. Torta de ameixas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando ele chegar não haverá o que comer. Eu já terei sido comida toda por Anabela. Até o caroço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-family: inherit;"&gt;__________________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-family: inherit;"&gt;Inspirado em:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Lzek4sHZp-c&amp;amp;feature=shareLFQiexpKzkdseQltqvzwFA"&gt;What's the Use of Won'drin'?&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;, que por sua vez remete ao&lt;/span&gt; &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YwJcoIyEpFM&amp;amp;feature=share"&gt;Banquete&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;, &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;de&lt;/span&gt; &lt;a href="http://coisasdagaveta.blogspot.com/"&gt;Eduardo Baszczyn&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5700181652574492336?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5700181652574492336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5700181652574492336&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5700181652574492336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5700181652574492336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/ameixas-umidas.html' title='Ameixas úmidas'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1049345181139508743</id><published>2011-09-05T16:55:00.004-03:00</published><updated>2011-09-05T17:03:25.344-03:00</updated><title type='text'>O susto essencial</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc07.deviantart.net/fs70/f/2009/354/e/f/ef071427b3b3775503d305b4c633830d.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://fc07.deviantart.net/fs70/f/2009/354/e/f/ef071427b3b3775503d305b4c633830d.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me junto pouco aos homens. Sigo a imagem austera do escritor na torre de marfim, perdido na sua própria faiscante loucura. São raros os momentos em que, por exemplo, eu desço ao centro da Cratera. E quando o faço, sempre tenho destino certo: a biblioteca. Por isso, mesmo que eu ande na maior solidão do mundo, sempre tenho as mãos dadas com alguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje andávamos de braços Hermann Hesse e eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O susto essencial se deu na saída do teatro, para onde fomos depois que eu o peguei na estante. Antes do término, passou por mim uma senhora amiga, a quem eu não via de longa data. Cumprimentou-me cordialmente. Comentei:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quanto tempo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Disse-me ela:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quanto tempo para ti. Eu não perco um texto teu. Todo dia entro no facebook para ler o que tu escreves. Parabéns.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de eu me recompor inteiro ela já se fora. Dos meus olhos meio perdidos Hesse riu. Ele sabia o que era sentir isso. Eu não. E o susto talvez não houvesse se dado ali e tão imenso, se pouco antes de eu sair de casa, outra senhora a quem eu sempre admirei a distinção, a sabedoria e a elegância não tivesse me feito elogio maior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segui perplexo. Cabeça baixa a pensar. Convidei Hesse para irmos ao mercado. Ele aceitou. No caminho andávamos quietos. Eu pensando naquilo tudo, ele respirando a luz que já não via desde 82.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu pensava nos elogios feitos porque por todo tempo eu escrevi sem ser notado. Eu tinha leitores do meu blog (que já está com 7 anos) em todas as partes do país. Leitores que até hoje me seguem com uma devoção desmerecida. Liam-me, sobretudo, as meninas adolescentes, com quem eu me comunicava nas minhas dores melosas e meus amores sensíveis demais. Eu era lido e respeitado pelas minhas letras tontas, mas sempre fora, sempre longe daqui, sempre distante do meu (quase) berço, da minha Cratera (não) querida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente aquelas mulheres haviam descortinado facetas minhas que eu não podia supor. Especialmente lá do alto da minha torre branca. Então eu era lido aqui. Aqui. Aqui. Aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui, onde eu achei que minhas letras jamais alcançariam, apesar das iscas que eu teimava em jogar. Aqui, onde eu vivia bem comum e bem banal, só esperando o casulo romper, as asas se abrirem. Aqui, de onde eu queria (e quis e quero) fugir pra sempre. Então aqui, enquanto eu vivo, elas me lêem. E eu faço parte da vida delas de alguma forma estranha, mesmo que elas não me enviem suas respostas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém aqui gasta os minutos e me lê sem compromisso. Não só porque me conhecem, não para mexericar, não para agradar. Lêem porque querem. Porque alguma coisa encontram no que eu escrevo. Logo eu, que pensava escrever difícil demais, intrincado demais, pra dentro demais. Logo eu que tive crises, pensando que minha escrita ainda era a do adolescente bobo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E não é? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vocês me lêem, então não é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mercado eu já começava a me aceitar como coisa lida, como palavra impressa na tela e propagada para longe, respingando tão perto. Ia eu me recompondo, enquanto Hermann escolhia alguns chocolates. Na fila do mercado, a terceira senhora. (E pelas minhas leis tudo que acontece em três tem força a mais). Cumprimentou-me sorrindo com uma intimidade que não experimentamos e disse ser minha fã. Disse que acompanha tudo que eu escrevo e que acha um máximo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pasmo novo. Tudo que eu refizera até ali fora perdido. Fiquei apalermado. Hesse rindo sempre, disfarçado, embevecido de presenciar meus sustos. Então assim? Então mais uma?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma cidade como Cratera, tem qualquer coisa de glória em ser reconhecido por uma arte feito a escrita. Ser um expoente (?) de cultura aqui é tão complexo quanto querer ser um artista de cinema - ou um elfo mágico. Impossível praticamente. Por isso que UM reconhecimento aqui é uma coroação de louros. Três, em pouco mais de uma hora é o quê? O nirvana?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estou dizendo que sou ótimo por isso. Não estou mergulhado no orgulho besta. Eu sou mesmo o que menos acredita em mim. E se compartilho isso aqui é porque estou surpreso. De verdade. Estou surpreso porque não suspeitava ser lido assim, ou melhor, não suspeitava ser lido Aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agradeço de imenso a essas três mulheres (que talvez me leiam agora) porque me deram alguma esperança, alguma fé em mim e, melhor ainda, alguma fé na Cratera. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De coração, esse texto é para você três. Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1049345181139508743?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1049345181139508743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1049345181139508743&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1049345181139508743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1049345181139508743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/o-susto-essencial.html' title='O susto essencial'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6717344495103703995</id><published>2011-09-04T23:12:00.001-03:00</published><updated>2011-09-04T23:15:43.797-03:00</updated><title type='text'>Luffa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os outros frutos se inchavam com o sumo doce que suas plantas lhes injetavam por dentro. Não ela. Dentro dela tudo era de uma secura fibrosa e áspera, ela toda preparada para machucar quem lhe acariciasse demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na casa da avó velha havia, atrás, trepando a cerca com suas indecentes flores amarelas. Foi pisando nas pedras tortas, caindo sem se importar, que ela chegou. Abriu o portão e não o fechou atrás de si, o deixou caído, despencado, meio morto. A avó talvez dormisse naquela hora. Talvez morresse. Ela não bateu à porta para saber. Deu a volta na casa e as avistou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pendidas e tristes, feito pepinos que secaram demais ao sol, que torraram e morreram ali. Ela escolheu uma. Uma que os pássaros não alcançaram para quebrar-lhe a casca e comer-lhe as sementes. Sim, porque ao menos suas sementes eram comida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dela era inteira. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Virou-se, deu a volta na casa, passou pelo portão morto e subiu a rua enfiando as unhas bem fundo, quebrando a casca como se fosse a de uma ferida seca. Sentindo os dedos se enterrarem nas fibras duras daquele fruto hirto. Deixou nas pedras a trilha da coisa esfarelada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou ao portão da própria casa e depois de entrar o bateu bem forte. Ouviu a cerca toda bater e reverberar como que em protesto. Dissessem as grades os palavrões que quisessem. Nada mais feria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A roupa ela abandonou pelo caminho, completando a última trilha. Entrou no banheiro, o chuveiro quente demais. Passou a água pela polpa seca. Deixou-se cair nos ladrilhos gelados. Começou pelas mãos, esfregando até que ficassem róseas, depois vermelhas, depois até que começassem os arranhões, depois até que os filetes de sangue surgissem. Passou para os braços segundos antes de expor das mãos as veias, os músculos, os tendões, os ossos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre arranhando, sempre ferindo, sempre sem gemidos ou lágrimas que denunciassem uma dor. Quem sabe sem dor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esfregava. E enquanto esfregava a espuma vertia e enquanto vertia se tingia de um rosa algodão doce. O pescoço fino, o vão dos seios, os seios, o abdômen, as costas, até onde alcançassem as mãos. O rosto e os cabelos compridos e pretos demais. Os pés, as pernas, as coxas. O sexo de menina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda ela se acariciando até a carne com a bucha dura. Toda ela esperando para descobrir que também por dentro não havia polpa doce, só aquelas fibras entrelaçadas, unidas, perplexas e que não serviriam de alimento. A mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6717344495103703995?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6717344495103703995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6717344495103703995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6717344495103703995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6717344495103703995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/luffa.html' title='&lt;i&gt;Luffa&lt;/i&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-754362465083236475</id><published>2011-09-03T17:51:00.003-03:00</published><updated>2011-09-03T17:58:07.422-03:00</updated><title type='text'>Le fate ignoranti</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os diários de repente se enchem, transbordam, pingam no tapete e estragam os fios grossos do tramado azul. As coisas já não cabem só nas páginas, elas se infiltram no assoalho e apodrecem o porão de terra. Meu nome já escorre em toda parte, evaporando com o calor e mofando as paredes do quarto, apodrecendo a madeira branca e desenhando raízes no teto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas verdades se liquefazem e descem visguentas fazendo manchas no piso - cuidado para não pisar nelas quando você chegar. As tintas se soltam e, como benção, minhas letras podem se diluir e enfim livrarem-se do eterno. O papel se pinta em cores, feito obra abstrata. Só quem chegar bem perto poderá ver que ficaram cicatrizes - e perdão por isso; eu sempre escrevi forte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As agendas, as páginas finais dos cadernos, os guardanapos, os cartões, os bilhetes, aquele crachá de papel cartão, tudo perde o que foi por mim escrito. Tudo se esvazia, tudo se solta, tudo se desfaz para ter algum alívio. Para poder se livrar,&amp;nbsp;enfim, de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-754362465083236475?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/754362465083236475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=754362465083236475&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/754362465083236475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/754362465083236475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/le-fate-ignoranti.html' title='Le fate ignoranti'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5212158156696942966</id><published>2011-09-02T11:15:00.002-03:00</published><updated>2011-09-02T11:17:13.766-03:00</updated><title type='text'>Um entre aspas sobre ser entre parênteses</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1PLJWkWbLPc/TmDkc-gxbHI/AAAAAAAAAa4/LGCEt61LHzM/s1600/0+121.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://4.bp.blogspot.com/-1PLJWkWbLPc/TmDkc-gxbHI/AAAAAAAAAa4/LGCEt61LHzM/s200/0+121.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;"[...] Era uma mulher entre parênteses. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Fazia parte do universo, mas vivia isolada em seus próprios pensamentos e emoções.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Era como se ela fosse um sussurro, um segredo. Como uma amante que não pode ser exibida à luz do dia. Às vezes, sentia um certo incômodo com a situação, parecia que estava sendo discriminada, que não deveria interagir com o restante das pessoas por possuir algum vírus contagioso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Outras vezes, avaliava sua situação com olhos mais românticos e concluía que tudo não passava de proteção. Ela era tão especial que seria uma temeridade misturar-se com mulheres óbvias e transparentes em excesso. A mulher entre parênteses tinha algo a dizer, mas jamais aos gritos, jamais com ênfase, jamais invocando uma reação. Ela havia sido adestrada para falar para dentro, apenas consigo mesma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Tudo muito elegante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #660000;"&gt;Aos poucos, no entanto, ela passou a perceber que viver entre parênteses começava a sufocá-la. Ela mantinha suas verdades (e suas fantasias) numa redoma, e isso a livrava de uma existência vulgar, mas que graça tinha? [...]"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Texto: Martha Medeiros em &lt;i&gt;Feliz por nada.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagem: Logo da banda &lt;i&gt;Pouca Vogal.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5212158156696942966?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5212158156696942966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5212158156696942966&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5212158156696942966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5212158156696942966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/09/um-entre-aspas-sobre-ser-entre.html' title='Um entre aspas sobre ser entre parênteses'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1PLJWkWbLPc/TmDkc-gxbHI/AAAAAAAAAa4/LGCEt61LHzM/s72-c/0+121.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3283023568631678878</id><published>2011-08-31T16:26:00.000-03:00</published><updated>2011-08-31T16:26:27.594-03:00</updated><title type='text'>Re cordar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordar é viver &lt;i&gt;(Mentira. Recordar é morrer de novo. É ir falando e sentir a pele  esgaçar cicatrizes e as feridas abrindo tuas carnes de novo. E o sangue escorrendo muito quente. E o pus vertendo de coisas que tu fingias estarem curadas. Recordar é morrer pelos mesmos motivos ou inventar motivos novos pra dores velhas. Tu vais contando e perdendo teus pedaços podres, vermes caindo pela boca, água podre escorrendo dos olhos, terra de defunto desgrudando das unhas. Recordar é ir arrancando pedaços com a dor que isso gera. Tu comes tuas próprias partes podres enquanto recontas a história que deveria não mais machucar. E não machuca, na verdade desespera. A dor te é alheia, tu nem sentes os buracos se abrindo até eles exporem os teus ossos pretos, até derrubarem teus dentes nas mãos. Ainda é o desespero te prende ao fundo da cova.).&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(Recordar é viver.) &lt;/i&gt;Verdade. Verdade porque depois tu olhas para aqueles pedaços no chão, para aquele corpo fétido e podre e miserável e destruído e percebe que tu continuas ali. Então a surpresa de ter sido alguém lá dentro da casca. Tu corres pro espelho e te surpreendes. Não há cortes sangrando. Sequer há cicatrizes. Tua pele inteira, teus dentes na boca, teus braços sem que neles faltem os pedaços daquelas mordidas. Então trocamos também de casca? Nos renovamos feito as cobras? Tu te alegras de sobremaneira. Sim, recordar e recontar leva ao fundo do abismo, mas não mata tudo. Mata o que havia de ruim, mata o que impedia de ir adiante. Mata o que nem deveria ter nascido. Mata o que te impedia de, enfim, viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3283023568631678878?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3283023568631678878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3283023568631678878&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3283023568631678878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3283023568631678878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/re-cordar.html' title='Re cordar'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6281048803590222331</id><published>2011-08-30T17:14:00.008-03:00</published><updated>2011-08-30T17:34:55.928-03:00</updated><title type='text'>Eu submerso</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.mentalfloss.com/wp-content/uploads/2006/12/narcissus.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; display: inline !important; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://www.mentalfloss.com/wp-content/uploads/2006/12/narcissus.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O menino do fundo do lago diz silêncios. E ele não gosta que eu atire minhas pedras na água. Eu atiro ainda assim, fazendo ondas que embaralham seus cabelos de ouro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu era menor e ainda andava com espelhos nos pés, eu achava que eu era o menino do lago. E que ele era o eu daqui de fora. Besteira. Besteira que me perturba porque eu gostaria que fossemos um. E não somos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O menino do fundo do lago tem a vida do fundo do lago. As coisas ali perdidas, os peixes de olhos mortos, as plantas baças, o musgo podre, o sol sempre filtrado, a lua refletida no seu céu de água. As ondinhas das pedras que eu jogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, aqui, tenho a vida de fora do lago. Os pássaros que voam, o sol bem amarelo, a lua no céu certo - o de ar, as árvores, as casas, as coisas e as pessoas estranhas. Além, lógico, da água que ele manda pras nuvens me jogarem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu bruto, lhe jogo pedras. Ele príncipe, me joga chuva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como então pensei que poderíamos ser um? Não somos. A verdade é que eu invejo o menino do fundo do lago porque ele tem uma solidão que não é a minha. Ele tem um domínio e um castelo e um reino, enquanto eu tenho umas meras cartas de ver coisas baças e uns papéis de escrever letras mortas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caberia o menino do lago num dos meus aquários de vidro e cristal? Caberia eu - mesmo morto - nas algas e no lodo do fundo? Eu penso em perguntar, ele pensa em responder... Tarde demais. Eu já esfumacei na água, ele já se dissolveu no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Livres dos meninos, céu e lago ganham, então,&amp;nbsp;um só azul. Já não se sabe mais quem reflete a cor de quem.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Todo o resto &lt;/i&gt;parece &lt;i&gt;paz.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ninguém sabe, mas não choverá nunca mais.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6281048803590222331?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6281048803590222331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6281048803590222331&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6281048803590222331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6281048803590222331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/eu-submerso.html' title='Eu submerso'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7959317042606497770</id><published>2011-08-29T12:25:00.004-03:00</published><updated>2011-08-29T12:42:46.946-03:00</updated><title type='text'>Livro bom é livro morto!</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc07.deviantart.net/fs71/f/2010/357/e/e/eecda2182b437097ee0d28d60b32d45f-d35heti.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://fc07.deviantart.net/fs71/f/2010/357/e/e/eecda2182b437097ee0d28d60b32d45f-d35heti.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não suporto livro em supervisão de escola. Isso me deixa simplesmente possesso. Ou melhor, puto, que é como meus alunos costumam dizer. Mas - dizem Elas - é o único jeito de garantir que o livro fique conservado, bem cuidado, limpinho, inteiro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim. Mas é o único jeito, também, de garantir que o livro continue morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro não quer ser "conservado, bem cuidado, limpinho e inteiro" o livro quer ser lido, com todos os riscos que isso implica. Digo isso dos livros alheios, é bem verdade, porque dos meus eu cuido com devoção e é esse o ponto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tática não é essa sovina de esconder os livros como se fazia na idade das trevas. O mote é ensinar o amor pelo livro, o respeito, o cuidado. Eu tenho paixão por tudo que tem páginas e penso que se reconhece um leitor pelo modo como carrega os livros na chuva: há quem os carregue sobre a cabeça, para evitar de molhar os cabelos, e há aqueles que colocam o livro por baixo dos casacos, para evitar que ele tome qualquer respingo. Eu sou desses últimos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o ponto. É preciso ensinar aos alunos a preciosidade que o livro é, mas sem neuroses e sem barreiras. O livro foi feito mesmo para as cicatrizes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela parte riscada não está estragada, só significa que aquele trecho, de alguma forma, tocou tão profundamente quem leu, que foi necessário fazer o "X" de marcar tesouro. Aquela substância derramada não significa só uma mancha, significa que a leitura foi tão interessante a ponto de se tornar impossível pará-la na hora de beber um café. Aquela sujeira de terra não foi só um desleixo, mostra que a pessoa precisou carregar o livro por aí para ler uma parte mais enquanto esperava um ônibus. Aquelas dobras, aquelas páginas soltas, aquela lombada descolando, por Deus, a maravilha das maravilhas. Quanto melhor o livro, pode ter certeza, mais detonado ele estará nas prateleiras da biblioteca. E isso é a glória, porque ele foi lido, relido, vivido e revivido na imaginação dos seus leitor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu for escritor - e agora voltei a querer ser - irei às bibliotecas de escola ver o estado dos livros meus. Se estiverem inteiros, desisto, vou fazer outra coisa da vida, como consertar bicicletas. Mas se lá estiverem frangalhos manchados, riscados e roídos, eu vou entender que fui lido. Vou saber que aquele livro passou por inúmeras mãos, teve vida própria e tem histórias que ele pode contar pelas suas marcas. Vou saber que aquele livro teve contato de coisa viva, teve lágrima manchando a tinta, teve raiva dobrando as folhas, teve voracidade abrindo sua costura, teve coração sublinhando o essencial. Glória das glórias, Olimpo de escribas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, há outro fato importante. Quando você diz que um livro é tão bom (e aqui se entende bom por sinônimo de novo) a ponto do aluno não poder retirá-lo, está dizendo também que o aluno é tão ruim que não merece sequer tocar naquele livro. Deixemos disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É hora de iluminar os livros, fazê-los viver - pois se até em nós a vida deixa marcas e consequências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, caríssimos gestores, se há livros bonitos sequestrados em suas salas assépticas e desacessadas, façamos uma faxina, joguemos os livros na vida. Coloquemos na biblioteca onde eles poderão sentir o frêmito de mãos roçando por eles, de onde eles poderão visitar outras casas, quartos, campos. Onde eles sentirão a bem vinda carícia dos olhos. Preocupem-se em como ensinar o amor pelos livros, não em defendê-los de mãos alheias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A literatura, com certeza, agradece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, e livro bom é mesmo livro morto, desde que a morte tenha sido em combate, e não por inanição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7959317042606497770?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7959317042606497770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7959317042606497770&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7959317042606497770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7959317042606497770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/livro-bom-e-livro-morto.html' title='Livro bom é livro morto!'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7480030745607250411</id><published>2011-08-28T22:16:00.005-03:00</published><updated>2011-08-28T22:27:22.853-03:00</updated><title type='text'>Na minha porta de hotel:</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;"Por favor, perturba-me!"&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7480030745607250411?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7480030745607250411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7480030745607250411&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7480030745607250411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7480030745607250411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/na-minha-porta-de-hotel.html' title='&lt;font color=&quot;#000000&quot;&gt;&lt;center&gt;Na minha porta de hotel:&lt;/center&gt;&lt;/font&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1224081338037592531</id><published>2011-08-28T21:33:00.001-03:00</published><updated>2011-08-28T21:42:32.147-03:00</updated><title type='text'>De sangue amor e morte</title><content type='html'>&lt;a href="http://fc08.deviantart.net/fs44/i/2009/078/5/5/blood_by_IwishIwasPretty.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://fc08.deviantart.net/fs44/i/2009/078/5/5/blood_by_IwishIwasPretty.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abandonei o sangue porque achei que ele não condizia com minhas canetas azuis. Enquanto minha escrita era de lápis mordidos, eu me sentia à vontade para falar dele. Gostava de citar, especialmente, "lágrimas de sangue" a mais pura metáfora clichezenta do meu romântico adolescente. Eu a usava mesmo que não houvesse qualquer choro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas sangue havia. Sangue sempre houve escorrendo em mim. E não metaforicamente. Na adolescência eram as espinhas. Sempre alguma para verter gotas carmesins, sempre alguma para marcar de vermelho a minha cara imberbe. O sangue se tornou, de repente comum. O meu sangue especialmente. Tão banal quanto seu cheiro metálico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cortes não me incomodavam. O sangue escorrendo ao menos me dava o conforto do que é quente. Agora são as unhas que corto curtas demais, ou rôo, ou deixo encravar e desencravar. Hoje é pelas minhas extremidades que escorre o sangue. Sempre ele, capaz de trazer algum conforto e de me dizer alguma coisa. Como pequenas pílulas rubras a me curar a vida da única forma possível: acostumando-me à morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morte também eu deixei de lado com meus arroubos de escritor agora sério. Morte era Byroniana demais, idealista demais, ingênua demais. Amor também eu tentei cortar. Deixei de ser sonhador e bobo. Censurei tudo de romântico que tentava infiltrar o meu texto, criando rachaduras e goteiras sujas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parte disso se deu ao ver a Doutora da Ilha dos Amores. Ela é velha a ponto de ninguém mais querer beijá-la na boca. E ainda assim, escrevia artigos sobre livros de cor rosa, encantada, absorta pela possibilidade de carinho que nunca deve ter tido. Eu a ouvi e achei tão patética. Mas no sentido que Schiller deu à palavra, para continuar no meio dos doutores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Achei-a patética e eu. Achei-a eu. Consegui me ver ali, homem e velho e bobo falando dos faunos da ilha a perseguir doces ninfas douradas. Me vi nos olhos úmidos de vaca da mulher, sabendo que toda ela se umedecia esperando o amor que nunca lhe fora mandado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas do que eu estou falando? O que estou justificando? Comecei pelo princípio de tudo, pelo sangue – e  não há nascimento sem sua mácula – e agora falo da doutora velha e virgem que queria o amor gozando dentro dela. Onde eu estou? Em que ponto me perdi. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, sim, é tudo sobre isso. Sobre perder-se, então.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, decido, é sobre perder-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sangue, a morte, o amor. Tudo besta demais, eu pensei. Tudo para ficar de fora, tudo para ser recortado dos textos, tudo para ser evitado se algum dia eu quisesse ser cumprimento por Assis Brasil. E me parecia tão importante ser cumprimentado por Assis Brasil...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por isso tudo deveria ser renegado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bloqueio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se não há sangue por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se não há morte à espreita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se não há amor pelo qual sangrar e morrer e matar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então pra quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdeu-se a resposta. E agora só é que eu encontro a pergunta. Eu revejo o caminho. O que eu evitei era minha essência de sempre. O que eu considerei besta e vulgar e lugar-comum era o que me definia. Era o que me fazia fluir e pulsar, como agora enquanto digito frenético nas teclas brancas e formo letras verdes na tela preta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu abandonei o que me constituía. Eu cortei o defeito essencial, sem o qual o prédio não se mantém mesmo, Clarice.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E agora? Agora sangrar ainda. Agora morrer ainda. Agora amar ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora voltar a viver e a escrever, liberto dos fantasmas meus de 68, das tarjas pretas, das metáforas torpes que transformavam morte em destruição, sangue em cacos e amor em tripas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora deixar-me ser, ao menos em palavras. Nas palavras que eu posso – sim sensor – dizer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1224081338037592531?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1224081338037592531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1224081338037592531&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1224081338037592531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1224081338037592531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/de-sangue-amor-e-morte.html' title='De sangue amor e morte'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2364907703137020460</id><published>2011-08-28T20:29:00.003-03:00</published><updated>2011-08-28T20:36:51.907-03:00</updated><title type='text'>Estilhaços de Ághata</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc00.deviantart.net/fs70/i/2010/049/b/2/Drawing_blood_from_a_mirror_by_solo_talent.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://fc00.deviantart.net/fs70/i/2010/049/b/2/Drawing_blood_from_a_mirror_by_solo_talent.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O ódio. Ele sempre me veio pela voz dela. Sempre chegou me ferindo primeiro os ouvidos, só depois é que minava por dentro meus pedaços de ser. E eu fui um menino trêmulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por dentro escombros, estacas, tijolos partidos com os quais ninguém queria escrever nas calçadas. Por dentro assombros, pulos, telhados quebrados pela fragilidade tamanha. Eu era só uma criança e me faziam acreditar em Deus. Eu era só uma criança e pedia a Ele que deixasse Ághata muda (ou morta).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelos gritos. Ela sempre me cortou pelos gritos. Os olhos verdes me doíam, sem dúvida, me açoitavam a pele, me deixavam os vergões vermelhos nas pernas, mas era só pelos gritos que ela conseguia me sangrar por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dela os gritos. De mim o desespero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia gritei. E de estarrecimento ela ficou muda. Eu lhe havia cortado também?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mudez não durou. Minha voz era fraca, minha força era desistente. A voz dela voltou, feito fênix renascida na vermelhidão das suas pontas de cigarro. E foi então que eu soube que perderia sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo agora. Eu homem. Eu forte. Eu grande. Eu capaz de fazer o que Deus não fez. Mesmo agora ela grita e os espelhos se estilhaçam aqui dentro, cravando cacos na carne, mostrando pontas por baixo da pele, matando-me cada vez um pouquinho mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2364907703137020460?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2364907703137020460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2364907703137020460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2364907703137020460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2364907703137020460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/estilhacos-de-aghata.html' title='Estilhaços de Ághata'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3760560624401249991</id><published>2011-08-21T22:24:00.003-03:00</published><updated>2011-08-21T22:27:25.151-03:00</updated><title type='text'>Psicografia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu nada escrevo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quem sempre escreve&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;é o Eulirico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3760560624401249991?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3760560624401249991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3760560624401249991&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3760560624401249991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3760560624401249991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/psicografia.html' title='&lt;center&gt;Psicografia&lt;/center&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-142642458421339088</id><published>2011-08-18T13:03:00.001-03:00</published><updated>2011-08-18T13:04:42.596-03:00</updated><title type='text'>Desumanidade</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-274_8o6Yblo/Tk03m5iltZI/AAAAAAAAAaw/J-kT175my4Y/s1600/Snow_White_and_the_apple_II_by_thundereq+%25281%2529.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="180" src="http://1.bp.blogspot.com/-274_8o6Yblo/Tk03m5iltZI/AAAAAAAAAaw/J-kT175my4Y/s200/Snow_White_and_the_apple_II_by_thundereq+%25281%2529.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A humanidade não é humana. E isso decepciona. Decepciona porque eu queria que ela fosse. Queria um mundo em que fosse possível simplesmente ser, existir, sem críticas, sem cobranças, sem julgamentos e sem melhores ou piores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Impossível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que faço do que pensam de mim? Misturo aos meus próprios conceitos e me recoonstruo aceitando aquilo como verdade? Procuro mostrar o erro e mudar a imagem que me deram sem eu merecer? Ignoro e vivo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo é tão impossível. Racionalmente dizemos: não me importo com o que os outros pensam. Por dentro, porém, tudo começa a ruir. Não queremos, na verdade, decepcionar alguém, porque isso significa, meus caros, decepcionar a nós mesmos. Em alguma coisa, então, falhamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De qualquer forma, os outros não veem só o que queremos mostrar. Não julgam só o que oferecemos no espetáculo cotidiano. Os outros tem seus próprios meios e métodos, suas próprias réguas e medidas. E queremos estar encaixados em todas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma vez, impossível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então é isso. Uma série de explicações que não calam esse sentimento de derrota e falha. Essa vontade de tirar satisfações ou de simplesmente calar e entristecer. Não sei. Não sei o que fazer do que pensam (e falam) de mim. Até sei que não deveria me importar com isso...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas sei com o saber, entristeço com o sentir e me decepciono com o existir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-142642458421339088?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/142642458421339088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=142642458421339088&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/142642458421339088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/142642458421339088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/desumanidade.html' title='Desumanidade'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-274_8o6Yblo/Tk03m5iltZI/AAAAAAAAAaw/J-kT175my4Y/s72-c/Snow_White_and_the_apple_II_by_thundereq+%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-8714727920775722337</id><published>2011-08-15T13:01:00.001-03:00</published><updated>2011-08-15T13:05:49.919-03:00</updated><title type='text'>Equilíbrio</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-aRN3vb0xs0I/TklCsAQ2dZI/AAAAAAAAAao/mOEpyBFkTB4/s1600/the_black_swan__by_emilysunshine-d36ujru.png" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="161" src="http://4.bp.blogspot.com/-aRN3vb0xs0I/TklCsAQ2dZI/AAAAAAAAAao/mOEpyBFkTB4/s200/the_black_swan__by_emilysunshine-d36ujru.png" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De menino eu trazia nas camadas mais profundas o puro amargor de quem é capaz de fazer sofrer. Por cima só calda doce e glacê. Passado o tempo, de tanto me revestir de açúcar, acabei me convencendo de que eu era bom.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que agora descubro no dicionário uma palavra ardida: equilíbrio. E quando falo em equilíbrio todas as cabeças balançam, concordando. Quando explico, porém, que o meu equilíbrio depende do mal, as cabeças já não sabem para que lado cair.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explico melhor: de tanto me encaixar no fingido papel de bom moço romântico, acabei me impregnando dele. E não há vida se não há malícia. E não há anjo, senão maldito. A bondade é importante, sem dúvida, mas precisa ter o equilíbrio daquilo que sozinho arderia no inferno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A bondade acomoda e o mundo não é bom. Pessoas boas sofrem e se resignam. Foi quando me vi resignado com o que me faziam que percebi que o recheio amargo, sempre desprezado por mim, é fundamental para o gosto do todo. Nem todos merecem nossa parte melhor. Nem todos querem, pra dizer a verdade, aquilo que adocica e faz bem. E quem não quer, merece ter o que arde, o que queima na boca, o que incendeia no estômago e envenena no sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-8714727920775722337?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/8714727920775722337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=8714727920775722337&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8714727920775722337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8714727920775722337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/equilibrio.html' title='Equilíbrio'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-aRN3vb0xs0I/TklCsAQ2dZI/AAAAAAAAAao/mOEpyBFkTB4/s72-c/the_black_swan__by_emilysunshine-d36ujru.png' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6189414898073572077</id><published>2011-08-08T16:51:00.002-03:00</published><updated>2011-08-08T16:54:40.405-03:00</updated><title type='text'>Surreal Red</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc01.deviantart.net/fs70/f/2010/011/2/d/2d4dcf1955771d71f6a9272fb26104c7.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc01.deviantart.net/fs70/f/2010/011/2/d/2d4dcf1955771d71f6a9272fb26104c7.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Traço três começos. E quase me rasgo a carne pra ver se algum sangue sai. Nada. Inspiração nenhuma. Nem nos livros que mofam, nem nas coisas que passam, nem no dia que não sei se alegre ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As folhas das janelas fechadas. As cobertas cantando, feito sereias, coisas de me fazer num sono afogar. Na cozinha, o bolo de limão se arrebenta por qualquer gulosa atenção, também não lhe dou a boca. Mexo nas coisas, pinto um poema ruim, boto ordem nas santas de espada em punho, cubro com máscaras a bruxa que não se quer ver. A coruja me pisca uns olhos espantados de contas marrons, não lhe dôo atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O céu volta a ruflar tambores, os carros caminham lentos na descida da casa, algum cachorro se emociona e chora alto lá fora. O que tudo isso me diz? O que me dizem os fantasmas de papel recortado que coloco na cama pra me espantarem os sonhos ruins? O que me diz o lápis sem ponta lembrando que eu quebro minhas coisas e as deixo assim? O que me dizem todas essas &lt;i&gt;red things&lt;/i&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque são assim as coisas. As minhas coisas não falam sem serem solicitadas, servas de reis que são. E eu não as solicito porque são muito velhas e muito minhas as coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fecho os olhos para sentir os trovões e nada faz muito sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É... acho que não consigo me preencher do vazio que eu me crio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6189414898073572077?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6189414898073572077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6189414898073572077&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6189414898073572077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6189414898073572077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/surreal-red.html' title='Surreal Red'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4177864043220526784</id><published>2011-08-01T13:24:00.001-03:00</published><updated>2011-08-01T13:28:04.686-03:00</updated><title type='text'>Deixa</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2011/100/3/c/august_3_by_dferous-d3dojwk.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2011/100/3/c/august_3_by_dferous-d3dojwk.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo que o mundo faça seu barulho. Que o monstro cinza apite, que a chuva lave, que o homem erga o muro alheio. Deixo que as portas batam, que os carros corram, que as vozes falem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Permissivo, deixo tudo. Que agosto chegue (e algum desgosto também...), que o desânimo venha e que os cães enlouqueçam com o vento que há. Deixo que as harpias vomitem, que os remédios se esqueçam, que a vida se esvaia, que os espelhos se cubram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo e dou corda no tempo – que é a deixa para eu esquecer.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo e vou cedo dormir – que é minha forma estranha de deixar ser. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo tudo. Tudo. Tudo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diacho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só não me deixo viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4177864043220526784?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4177864043220526784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4177864043220526784&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4177864043220526784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4177864043220526784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/08/deixa.html' title='Deixa'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1784783913991349213</id><published>2011-07-28T15:15:00.002-03:00</published><updated>2011-07-28T15:19:49.968-03:00</updated><title type='text'>À minha primeira professora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Vocês já contaram a ele sobre a professora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Contar o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Que ela é preta... É melhor contar. Algumas crianças quando chegam lá dão pra trás...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Mas será que precisa mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Eu acho melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- - - &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— E daí, Vinícius, faceiro com o começo das aulas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Aham.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Você sabia que o nome da sua professora é Marli?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— É sim... E tem mais uma coisa. A profe é pretinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— O teu pai teve uma profe assim também. Ela era a mais querida, sabia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Aham.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não entendi o cuidado. Eu era criança e não entendia muita coisa. Achava então que não entender era meu modo normal de ser e assim ia inventando as coisas. Hoje entendo, embora ainda invente. Entendo que o preconceito não vinha das crianças de 4 anos, mas dos pais de algumas delas. Foi uma tia que pediu que minha mãe me “preparasse” e minha mãe, embora contrariada, o fez. Eu não via diferença de cor. Ainda não vejo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou o dia de começarem as aulas. E uma das minhas primeiras lembranças disso, depois da minha mochila colorida e do meu medo de entrar na sala, é da minha professora. Não lembro de ter reparado na cor da pele, mas de ver um sorriso de adoçar um mundo inteiro. Lembro de ganhar um abraço fofo, de dizer meu nome tímido, de entregar a ela minha escova de dentes com cabo de girafa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro dos trabalhinhos que fazíamos. Coisas para pintar, recortar, colar. Lembro dela sentando do nosso lado, perguntando o que tínhamos desenhado. Lembro de explicar aqueles riscos todos dizendo: “Aqui é minha casa que pegou fogo porque minha mãe esquece o lençol térmico ligado. E aqui é o caminhão dos bombeiros. Ah, essa é a Duda, minha cadela. E essa é a Xuxa. A da TV.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro dos bilhetinhos que ela colava na nossa agenda. Das estrelinhas coloridas que enfeitavam os cartões. Lembro dela pedindo, no Natal, que presente queríamos, para que ela os escrevesse ao Papai Noel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro do parque, o imenso parque de areais crocantes e balanços azuis. Lembro dos nossos jogos de descer de pé pelo escorregador, nossas guerras felizes com botões de camélias, nossas músicas de roda e canções de reis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro da profe Marli, sentada no murinho de pedra, colorindo com canetinhas de invejar desenhos que seriam colocados como capa dos nossos trabalhinhos do semestre. Sempre sorrindo, sempre feita de doçura e carinho. Sempre encantando a nós, os pequenos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tempo, tempo, tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já tinha então 16 anos. Estava na escola em uma tarde de bastante sol. Saí para o pátio, e no parque, no mesmo muro, estava sentada ela pintando com suas canetas de colorir. Eram outros pequenos, mas eu me vi também ali. Acolhido pela profe, sentido a segurança e o amor que ela tinha por nós. Ela não me viu. Se tivesse visto, teria me abraçado, como fazia sempre que nos encontrávamos. Não importava que idade eu tivesse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria escrever mais. Queria dizer mais. Mas minhas letras borram em meus olhos d'água. E a voz embarga, engasga num sentimento de lembrar de quem um dia cuidou de me fazer feliz. E que agora não está mais aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;“Ó meu pai do céu, limpe tudo aí&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Vai chegar a rainha&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Precisando dormir...”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nGIa55XLKZs/TjGm5Iu5NeI/AAAAAAAAAag/_LFctcyoIMI/s1600/S5034568-4.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="187" src="http://4.bp.blogspot.com/-nGIa55XLKZs/TjGm5Iu5NeI/AAAAAAAAAag/_LFctcyoIMI/s200/S5034568-4.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1784783913991349213?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1784783913991349213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1784783913991349213&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1784783913991349213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1784783913991349213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/voces-ja-contaram-ele-sobre-professora.html' title='À minha primeira professora'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-nGIa55XLKZs/TjGm5Iu5NeI/AAAAAAAAAag/_LFctcyoIMI/s72-c/S5034568-4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7082141032563196638</id><published>2011-07-28T10:22:00.000-03:00</published><updated>2011-07-28T10:22:25.878-03:00</updated><title type='text'>Ficção</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-D1DiKd6wRGU/TjFibRJsXAI/AAAAAAAAAaY/Ei7D9E6x_xQ/s1600/Vanilla_Trees_by_vampire_zombie.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="131" src="http://2.bp.blogspot.com/-D1DiKd6wRGU/TjFibRJsXAI/AAAAAAAAAaY/Ei7D9E6x_xQ/s200/Vanilla_Trees_by_vampire_zombie.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É manhã. E cedo. Então, faz de conta que você não me conhece. Faz de conta que não precisa falar comigo, através da minha porta trancada. Faz de conta que você não é obrigada a me amar assim, com esse amor pesado, visguento e cheirando sempre à nicotina barata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz de conta que não há nada no quarto fechado. Faz de conta que os barulhos que vem daqui são de alguma assombração que esqueceram trancada na casa. Faz de conta que não existo – porque não existo mesmo para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz de conta que você não precisa de mim, que não me quer exibir na vitrine dos méritos teus. Faz de conta que não nos conhecemos, que nos cruzamos nessa casa como dois estranhos nas ruas de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz de conta que é tudo uma ficção, mal escrita. Uma história das minhas em que cada um carrega a própria dor. Sem reclamar, sem pedir, sem dar. Cada um enterrado dentro de si, como nas histórias minhas. Faz de conta, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7082141032563196638?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7082141032563196638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7082141032563196638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7082141032563196638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7082141032563196638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/ficcao.html' title='Ficção'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-D1DiKd6wRGU/TjFibRJsXAI/AAAAAAAAAaY/Ei7D9E6x_xQ/s72-c/Vanilla_Trees_by_vampire_zombie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7120126012399246029</id><published>2011-07-21T16:28:00.001-03:00</published><updated>2011-07-21T16:32:52.657-03:00</updated><title type='text'>O livro de Pandora</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://gehspace.com/edicao%2072%20imagens/Adam%20and%20Eve.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://gehspace.com/edicao%2072%20imagens/Adam%20and%20Eve.jpg" width="148" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei o dia inteiro debruçado em uma Bíblia, de quase ateu que sou. Explico: preciso dela para analisar o livro alvo de minha dissertação. Assunto do trabalho à parte, noto que cada frase lida desperta em mim duas mil agulhadas. São assuntos infinitos, análises linguísticas, literárias, filosóficas, morais... Tudo me puxa e me prende e me preenche. Por vezes o pensamento corre desvairado, longe do meu foco – a criação – e se põe a analisar matizes insuspeitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O uso do plural por Deus, por exemplo: &lt;i&gt;“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;“Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal.&lt;/i&gt;&lt;i&gt;”&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Que “nós” é esse, &lt;s&gt;cara&lt;/s&gt; sagrada face pálida? Plural de modéstia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também me atraem as idas e vindas entre um capítulo e outro. A ordem da criação se altera, são diversos escritores, cada um com marcas linguísticas específicas, metáforas próprias, versões reunidas ora para favorecer uma coisa, ora outra... E tudo isso só no livro do &lt;i&gt;Gênesis&lt;/i&gt;, no qual me deti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E me perco mais. Se nessa criação estivesse escrito que Deus trabalhou um dia, descansou o outro e assim por diante, seria essa nossa constituição de semana? Tudo tão cheio de possibilidades e questões... Hipóteses e implicações... Que nossa. Preciso parar um pouco para me lembrar do meu objetivo, do meu foco, do meu tema, do meu nome até...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor Deus, tem dias em que eu viajo demais. E a caixa de Pandora não é outra senão minha mente. Sem mais, voltemos (nós?) à dissertação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7120126012399246029?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7120126012399246029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7120126012399246029&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7120126012399246029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7120126012399246029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/o-livro-de-pandora.html' title='O livro de Pandora'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4547517081932897636</id><published>2011-07-20T16:43:00.000-03:00</published><updated>2011-07-20T16:43:10.442-03:00</updated><title type='text'>Do Aquário</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc08.deviantart.net/fs70/i/2011/173/b/0/thought_aquarium_by_berkozturk-d3jncb0.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc08.deviantart.net/fs70/i/2011/173/b/0/thought_aquarium_by_berkozturk-d3jncb0.jpg" width="190" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chove. E por trás da janela, entre cortinas de renda, eu pareço um peixe monocromático a espiar na rua a cascata. A água que desce pelas pedras tem a cor vermelha do barro das estradas que sobem. Estas águas lavaram a terra da frente das casas, lavaram as pedras na beira das gramas, lavaram a alma de quem ia só. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E lavam as roupas de quem passa por aqui, sem qualquer guarda-chuva. Esse alguém que passa e me vê menino à janela, peixe dentro do aquário. O olhar não se detém, passa apressado, molhado, magoado pela água gelada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu todo peixe olho, seco, confortável, apreciando o dia que escurece cedo, xícara de café nas mãos, poesias nascendo do peito, alívio de se estender na cama. Tudo bom e perfeito, como deve ser por dentro do aquário. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No mais, algas de plástico, pedrinhas coloridas e falso baú de tesouro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4547517081932897636?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4547517081932897636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4547517081932897636&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4547517081932897636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4547517081932897636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/do-aquario.html' title='Do Aquário'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1161152601319340372</id><published>2011-07-20T11:26:00.001-03:00</published><updated>2011-07-20T11:27:23.590-03:00</updated><title type='text'>Singelo pedido às bruxas do reino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Venho pedir com a humildade digna somente dos membros da corte de sangue anil, que vós, bruxas do reino, precisando em qualquer ocasião transformar-me em algum animal, evitem a escolha clássica: o sapo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nada tenho contra tão rugoso anfíbio, mas minha princesa tem vertigens terríveis ao ver qualquer um destes animais. Sendo, portanto, impossível que um beijo venha dela para desfazer qualquer encanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda hoje a princesa quase foi atropela por uma carruagem enquanto atravessava a estrada, sombrinha em punho, correndo e gritando por ter visto um inofensivo sapinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem mais, agradeço finamente a compreensão e, além disso, caras bruxas do reino, caso precisem de uma sugestão de animal, indico uma rápida verificação na marca de minha mão esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Ef5LzgRjTZs/Tibk1ugqFyI/AAAAAAAAAZo/dr3JOR6WRCU/s1600/S5033846.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="189" src="http://4.bp.blogspot.com/-Ef5LzgRjTZs/Tibk1ugqFyI/AAAAAAAAAZo/dr3JOR6WRCU/s200/S5033846.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1161152601319340372?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1161152601319340372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1161152601319340372&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1161152601319340372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1161152601319340372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/singelo-pedido-as-bruxas-do-reino.html' title='Singelo pedido às bruxas do reino'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Ef5LzgRjTZs/Tibk1ugqFyI/AAAAAAAAAZo/dr3JOR6WRCU/s72-c/S5033846.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2771128863222058624</id><published>2011-07-18T19:19:00.002-03:00</published><updated>2011-07-18T19:27:48.563-03:00</updated><title type='text'>Do vazio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_4r7sxqIlxT8/S6olgnL-rGI/AAAAAAAACRo/U_vn0H9Wo50/s1600/aPaul%2520Klee+red+and+white+domes.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_4r7sxqIlxT8/S6olgnL-rGI/AAAAAAAACRo/U_vn0H9Wo50/s200/aPaul%2520Klee+red+and+white+domes.jpg" width="188" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Pedem-me para explicar o vazio. Mas isso é que eu não posso. O vazio é falta, falta, inclusive, de palavras. No vazio não se existe, como é possível, então, se explicar. O vazio é só isso, a falta do sentido, a ausência da definição, o espaço branco do papel, no qual não se consegue escrever - nem pintar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O vazio é o peito chiando tonto, a vista perdida no horizonte torto, a boca ligeiramente curvada, a vontade completamente evanescida... O vazio é a incompreensão sem vontade de compreender. É a lentidão da vida implorando a morte. O vazio é o chamado silencioso pelas pílulas de se fazer sentido. E meu vazio, ainda mais grave, é o que se recusa aos prozacs.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus olhos parecem vazados no espelho, de tão vazios. Dois imensos buracos castanhos, sem vida, mas também sem mortos enterrados neles. Dois olhos tão ocos quanto o dia. Poços sem água, potes sem mel. E para que água se sede também não há? Para que mel se não tenho lábios a que adoçar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vazio, entendem? Coisa que eu não explico. Desperdício do espaço que não se ocupa. Peso do que não se carrega. Transbordamento do que não nos preenche. Vazio, enfim, entendem? Assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;Vazio que parece vazio,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;mas que se preenche pela dor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;de se ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2771128863222058624?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2771128863222058624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2771128863222058624&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2771128863222058624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2771128863222058624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/do-vazio.html' title='Do vazio'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_4r7sxqIlxT8/S6olgnL-rGI/AAAAAAAACRo/U_vn0H9Wo50/s72-c/aPaul%2520Klee+red+and+white+domes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2697460023953714517</id><published>2011-07-17T15:48:00.001-03:00</published><updated>2011-07-17T15:50:09.456-03:00</updated><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc04.deviantart.net/fs71/i/2010/054/b/4/The_party_is_over_by_vallo29.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="132" src="http://fc04.deviantart.net/fs71/i/2010/054/b/4/The_party_is_over_by_vallo29.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela planejou a festa de Ághata com a mesma delicadeza com que planejaria uma vingança frígida. Comprou as velas cor-de-rosa, os pratinhos e copinhos de papel enfeitado, os balões coloridinhos e salpicados de corações, os chapeuzinhos decorados com motivos infantis... Providenciou, enfim, tudo. Tudo para que a velha se sentisse o mais ridícula possível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabia da austeridade britânica e dos modos contidos de Ághata, de maneira que cada detalhe foi pensado para constrangê-la e diminuí-la. Ela tratou de convidar, pessoalmente, cada desafeto da velha, cada parente pelo qual Ághata nutria qualquer pingo de nojo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Estando tudo assim, tão premeditado, era impossível ser outro o resultado. No meio da festa os olhos dela cruzaram com os de jasmim murcha de Ághata. Então toda dor se fez. Ali estava a velha, de boca amarga, de pupilas úmidas, desfeita, humilhada, de chapeuzinho rosa sobre a brancura dos cabelos loiros. Ela fizera de tudo para, em mais este dia, machucar a velha. E quem se doía inteira agora era ela. Doía pelo que havia se tornado, pela amargura que havia herdado, por ter virado, ela própria,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Ághata&lt;span class="Apple-style-span"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2697460023953714517?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2697460023953714517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2697460023953714517&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2697460023953714517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2697460023953714517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/aniversario.html' title='Aniversário'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6040375556542422018</id><published>2011-07-16T17:31:00.001-03:00</published><updated>2011-07-16T17:32:39.904-03:00</updated><title type='text'>Mergulho</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc04.deviantart.net/fs47/f/2009/207/0/a/__s_i_n_k___by_Camaryn.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc04.deviantart.net/fs47/f/2009/207/0/a/__s_i_n_k___by_Camaryn.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só há o ar salgado em volta de mim. Mas eu posso imaginar que há água. Sim, eu posso. Posso me imaginar submerso numa piscina funda, funda de tão turquesa. A água cobrindo todos meus poros, meus cabelos flutuando em ondas calmas, a respiração suspensa no tempo, tudo leve, aquaticamente leve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso imaginar meu corpo suspenso, flutuando na transparência do azul. Sou capaz de quase sentir o gelo molhando curando minhas dores, as menos amenas. Posso sentir a lentidão de cada movimento, mergulhado que estou, livre que estou, leve que estou. Voando é que estou, num céu subaquático, de estrelas marinhas pintadas e peixes falsos de fundo de aquário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso abrir os olhos e ver tudo turvo, as gotas da chuva começando a ondular a superfície da água, uma folha de bergamoteira que se desprende e vem, rodopiando, servir de barco para qualquer formiga náufraga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A chuva fica mais forte e cada gota soa como um tambor surdo dentro de mim. Imaginando eu esqueço. Eu lentamente esqueço que existe ainda o ar e que respirar é preciso. Respiro – fundo – e volto. Volto ao ar escuro do quarto. Ainda chove lá fora. Ainda anoitece aqui dentro. E não há, eu sei, nenhum mergulho possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6040375556542422018?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6040375556542422018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6040375556542422018&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6040375556542422018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6040375556542422018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/so-ha-o-ar-salgado-em-volta-de-mim.html' title='Mergulho'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2252918217915145381</id><published>2011-07-15T11:19:00.000-03:00</published><updated>2011-07-15T11:19:47.850-03:00</updated><title type='text'>Sobre escrever (ou seria sobre viver?)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É assim: eu olho para ver como eles fazem e tento, então, fazer igual. Igual não sai. Não sei moldar do mesmo barro, fazer tudo seguir o fluxo certo, criar a história, tecer o fim. Não sei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perco-me no caminho e nas suas beiradas, escorro pelos rios que só cuidam de fluir e fico assim, meio terra, meio nuvem de se caminhar por cima. Porque a mim não interessam os finos seres de papel etéreo. Não interessam enredos nomenclaturas tempos cenários espaços. A mim só interessa o que escorre por dentro (de mim). Interessa o sentimento, nomeá-lo, dissecá-lo e expressá-lo, enfim, seja bicho ou árvore.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque o que eu sinto não tem história. Não cabe nos dias normais, no conto cotidiano, na crônica modesta. O que eu sinto é poesia líquida. E a expresso por prosa lânguida. Não sei fazer de outro jeito. Não sei fazer como eles fazem, ou como eles mandam fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim perco tempo, buscando caminhos que levarão a prisões de ferro e de concreto apodrecido. Engaiolo os adjetivos e com eles perco a estabilidade das nuvens de giz. Domo a imaginação e, assim, perco a selvageria da palavra não dita. Enquadro tudo nas regras medindo com réguas a gramática certa, só para perceber que no fim, não disse o que sentia dizer. Cuido para não fazer rimas e perco as meninas dos olhos de quem me lê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei. Não sei ser senão eu escrevendo. E tortura máxima é sentir que eu eu não poderia ser. Porque está errado pelo que Eles fazem, e errado pelo que Eles dizem. E eu só queria minha prosa padrão, capaz de enganar e ganhar concursos de curta duração. Mas não sei fazer conto, não sei fazer poesia. Sei fazer isso que fiz. E não sei que nome tem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2252918217915145381?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2252918217915145381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2252918217915145381&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2252918217915145381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2252918217915145381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/sobre-escrever-ou-seria-sobre-viver.html' title='Sobre escrever (ou seria sobre viver?)'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5525504332666796951</id><published>2011-07-14T12:49:00.000-03:00</published><updated>2011-07-14T12:49:00.321-03:00</updated><title type='text'>Olhos de ver</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela não era uma vira-lata marrom e velha, era uma princesa capturada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele não era um canil de tela furada, era um castelo com uma passagem secreta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquelas não eram bergamoteiras em flor, eram guardas de cem olhos brancos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquilo não era um cabo de vassoura quebrado, era uma espada de prata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela não era uma toalha de mesa xadrez, era a capa de um príncipe valente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vizinha não era só uma senhora velha, era uma bruxa que fazia poções e capturava indefesas princesas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele não era apenas mais um menino solitário brincando de faz-de-conta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele, caríssimos, era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;_____________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;Inspirado no que vivi, despertado pelo que vi:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/J-xpCneJT9w" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5525504332666796951?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5525504332666796951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5525504332666796951&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5525504332666796951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5525504332666796951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/olhos-de-ver.html' title='Olhos de ver'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/J-xpCneJT9w/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2517978565585494655</id><published>2011-07-07T16:51:00.001-03:00</published><updated>2011-07-07T16:52:29.098-03:00</updated><title type='text'>Poema de águas turvas</title><content type='html'>Derrama-me fora, meu bem,&lt;br /&gt;assim como derramas a água apodrecida&lt;br /&gt;dos teus penicos de louça azul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrama-me no barro da casa&lt;br /&gt;debaixo da tua janela, para que eu respingue&lt;br /&gt;nos beijos e trevos de três folhas só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrama-me com cuidado medonho&lt;br /&gt;para que eu não salpique teus nervos histéricos,&lt;br /&gt;para que não molhe tuas patas sagradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrama-me de vez, entornando-me todo&lt;br /&gt;misturando-me ao lodo (voraz) &lt;br /&gt;e abrindo as valetas do chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrama-me com o gozo de fatalidade,&lt;br /&gt;com o mais puro tesão, irmão do êxtase&lt;br /&gt;que transforma-se em dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrama-me fora, meu bem,&lt;br /&gt;só&lt;br /&gt;pra lamber-me depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2517978565585494655?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2517978565585494655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2517978565585494655&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2517978565585494655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2517978565585494655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/poema-de-aguas-turvas.html' title='Poema de águas turvas'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1238162458457472386</id><published>2011-07-06T14:52:00.000-03:00</published><updated>2011-07-06T14:52:04.215-03:00</updated><title type='text'>Os comerciantes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por entre sulcos e sucos de limão azedo, a tarde desvanece e mercadores torpes tentam me vender suas meias verdades. Um me diz que a sua tem desconto, outro, que a dele hoje está em promoção. Sorriem dóceis enquanto tentam me obrigar a pagar pelo que é alheio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejo facas nos seus olhos quando lhes digo: “obrigado, mas já tenho minha verdade própria”. Eles não gostam e a simpatia aguada se derrete em qualquer coisa ácida, de ligeiro amargor. Recolhem rápidos o sorriso, dobram os panos sujos e um deles ainda escarra nos meus pés, enquanto xinga minha mãe e outras três de nossas gerações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele fala nomes feios em línguas mortas, faz caras tortas e deixa ainda mais azedo qualquer limão. Tudo porque me recuso a seguir verdades – que não as minhas. Tudo porque lhe nego o valor de seus conselhos falhos. Tudo porque ele não admite que juventude possa ser outra coisa que não burrice, que não imaturidade, que não a falta de discernimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Mas é, meu amigo”, argumento ao vento que sua passagem deixa na areia seca. “Juventude é só sinônimo de coisa ainda não vivida, de oportunidade na esquina próxima, de possibilidades infinitas”. O contrário de juventude é velhice, não burrice. E maturidade não depende de números, mas de vivências, reflexões e filosofias agudas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falo mais, mas ele não quer ouvir. Já foi empurrar a algum tolo suas verdades velhas, seus pensamentos baços, sua meia alma já pequena e um tanto torta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1238162458457472386?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1238162458457472386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1238162458457472386&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1238162458457472386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1238162458457472386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/07/os-comerciantes.html' title='Os comerciantes'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7492676432294238548</id><published>2011-06-28T13:36:00.002-03:00</published><updated>2011-06-28T13:47:30.311-03:00</updated><title type='text'>O Bibliófilo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De todas as infinitas taras, a pior chama-se Bibliofilia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto os outros distúrbios são capazes de destruir uma vida, este tem seu perigo no exato oposto: sobre ele, é possível que se construa uma vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sedução comigo se deu aos poucos, passando pela obrigação até chegar ao mais fino deleite. Aos quinze anos eu já me sabia irremediavelmente bibliófilo. E desde então, tudo tem sido um consequência disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A escolha de uma carreira. O dinheiro ganho. O dinheiro gasto. A ocupação dos minutos de folga. Os estudos aplicados. A queima lenta das retinas. A sanidade ameaçada. O sono trocado. A compulsão perigosa. A tinta vermelha. A máquina velha. O laptop. Este blog. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo por essa diabólica – e magnífica – obsessão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bibliofilia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em nome do toque, da textura, do cheiro, da cor, da imagem, da capa, da lombada, das vírgulas, das viagens, das pulsações, da vida e da morte!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;BIBLIOFILIA!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;vertigem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meu quarto eles se abarrotam. Despejam-se de todos os lados. São mais de 500. E se reproduzem a cada novo impulso meu. O mais novo de 2011, ainda bebê. O mais velho de 1903, uma relíquia alemã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por todos os lados eles dominam. Sou estrela baça nessa constelação de meu bibliófilo amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bibliofilia é ter cólicas ao pensar que não vou tocar em todos os que existem. Que um dia, entre as folhas diversas, terei um ponto final. Não quero, por Deus, morrer antes de ver todos, conhecer todos, saber todos, ler todos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bibliofilia é guardar alguns, preservá-los para depois. Sim, alguns de uma certa Sra. C.L. eu só quero ter o prazer de devorar daqui alguns anos. Se eu os possuísse todos, ainda hoje, seria impensável a vida sem que eles me fossem inéditos. Que sentido eu teria se não me faltassem aqueles para ler?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bibliofilia é não conseguir ficar um dia sem eles. É sentir-se culpado se hoje não sobrou tempo. Bibliofilia é a angústia de um momento sem páginas. Inferno é um dia sem letras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bibliofilia é...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, explicar não adianta. Poucos entendem. Só os iguais, só os iniciados, só os sagrados do templo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só os amantes, aqueles que também ouvem os sussurros no virar das páginas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7492676432294238548?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7492676432294238548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7492676432294238548&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7492676432294238548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7492676432294238548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/06/o-bibliofilo.html' title='O Bibliófilo'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3931364571763876898</id><published>2011-06-27T15:38:00.001-03:00</published><updated>2011-06-27T15:39:35.125-03:00</updated><title type='text'>E chove em Tapera V - Inverno</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;(Ou Oração)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu quero que você vá embora.&lt;br /&gt;— Mas por quê?&lt;br /&gt;— Por quê? Porque todas as noites eu rezo pedindo a Deus para jamais ter  a única coisa que eu realmente quero.&lt;br /&gt;— Que é...&lt;br /&gt;— Você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3931364571763876898?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3931364571763876898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3931364571763876898&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3931364571763876898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3931364571763876898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/06/e-chove-em-tapera-v-inverno.html' title='E chove em Tapera V - Inverno'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3179185479826861700</id><published>2011-06-12T23:31:00.001-03:00</published><updated>2011-06-12T23:32:30.946-03:00</updated><title type='text'>Quis custodiet ipsos custodes?</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc00.deviantart.net/fs71/i/2011/163/8/4/keko_by_velline-d3irgts.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://fc00.deviantart.net/fs71/i/2011/163/8/4/keko_by_velline-d3irgts.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não sou um bom carcereiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quando bebo, eu me deixo sair pra brincar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3179185479826861700?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3179185479826861700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3179185479826861700&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3179185479826861700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3179185479826861700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/06/quis-custodiet-ipsos-custodes.html' title='Quis custodiet ipsos custodes?'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-408259516932672190</id><published>2011-05-31T16:33:00.002-03:00</published><updated>2011-05-31T16:33:35.629-03:00</updated><title type='text'>Janelas</title><content type='html'>As minhas tem grades. Todas elas. Não deixo ninguém entrar, nem pedindo, nem batendo, nem implorando. Sou todo fechado, trancado e lacrado. Nos olhos há placas de aviso. Ninguém vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grades de ferro. Bem fortes. Parafusos escondidos. Nunca se sabe quão astuto é o ladrão. Cortinas também. Por trás das grades há cortinas. Não podem entrar. Nem ver lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Área privativa. Cães raivosos. Cercas eletrificadas. Quem tem coragem? Quase ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem tem... Quem tem descobre coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentinelas contam segredos. Os cães são dóceis. As grades são falsas. As frestas são grandes. E as cortinas, quase sempre, transparentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-408259516932672190?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/408259516932672190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=408259516932672190&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/408259516932672190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/408259516932672190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/05/janelas.html' title='Janelas'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3330159369088208322</id><published>2011-05-23T18:03:00.000-03:00</published><updated>2011-05-23T18:03:02.535-03:00</updated><title type='text'>Fuja-me</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje é daqueles dias em que eu queria me ver bem longe de mim. Mas como fugir-me? Onde quer que eu vá, lá estou eu, com a mesma cara velha, os mesmos mugidos de lamento, a mesma boca entortada em um esboço de praga triste. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tento abstrair. Tento dormir, mas me persigo nos sonhos. Nem por lá sou diferente. Abro um livro qualquer e não encontro nada diverso de mim, nenhum labirinto de letras no qual me perder. Vou assumindo, aos poucos, minha desistência febril.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jogos, analgésicos, psicotrópicos, vícios de nenhum pudor já não me afagam nem me afastam desse eu cansado. Há os a fazeres, as coisas que gritam, chamam, imploram por uma atenção medíocre. Não me interessam as coisas. E pessoas já não há.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria me mandar para longe de mim. Queria me pedir que eu fosse ao México, procurar-me numa esquina borbulhante de pimentas e arcos vermelhos. Que por lá eu ficasse, bebendo tequilas e cantando &lt;i style="font-style: italic;"&gt;La Llorona &lt;/i&gt;até o dia esmaecer, até a noite se aceder, até, quiçá, esse eu morrer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3330159369088208322?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3330159369088208322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3330159369088208322&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3330159369088208322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3330159369088208322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/05/fuja-me.html' title='Fuja-me'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6214095922256703162</id><published>2011-05-17T19:11:00.001-03:00</published><updated>2011-05-17T19:12:37.876-03:00</updated><title type='text'>Perdição</title><content type='html'>Entre dias, tias e correrias&lt;br /&gt;não perco o bonde.&lt;br /&gt;Perco o aonde&lt;br /&gt;e qualquer algum porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;Esse 'poema' nem postado era para ser. Apesar disso, como segue a mesma linha do &lt;i&gt;Humildade &lt;/i&gt;de Cecília e do &lt;i&gt;Sabotador &lt;/i&gt;meu, vem à baila também.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;Só um adendo: perder o "aonde" é sempre pior do que perder o bonde. E mais não digo, porque não gosto de explicar poesia minha.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6214095922256703162?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6214095922256703162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6214095922256703162&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6214095922256703162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6214095922256703162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/05/perdicao.html' title='Perdição'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-5232029773611668636</id><published>2011-05-17T19:05:00.002-03:00</published><updated>2011-05-17T19:05:54.777-03:00</updated><title type='text'>Humildade (Cecília Meireles)</title><content type='html'>&lt;i&gt;Tanto que fazer!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;línguas que não se aprendem,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;amor que não se dá,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;tudo quanto se esquece.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Amigos entre adeuses,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;crianças chorando na tempestade,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;cidadãos assinando papéis, papéis, papéis...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;até o fim do mundo assinando papéis.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E os pássaros detrás de grades de chuvas,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;e os mortos em redoma de cânfora.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;( E uma canção tão bela ! )&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Tanto que fazer !&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E nunca soubemos quem éramos&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;nem para quê.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-5232029773611668636?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/5232029773611668636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=5232029773611668636&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5232029773611668636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/5232029773611668636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/05/humildade-cecilia-meireles.html' title='Humildade (Cecília Meireles)'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-4831689980722708213</id><published>2011-05-17T17:58:00.002-03:00</published><updated>2011-05-17T17:58:53.182-03:00</updated><title type='text'>Clarissa</title><content type='html'>não queria alguém para amar. Ela Precisava de alguém por quem sofrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-4831689980722708213?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/4831689980722708213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=4831689980722708213&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4831689980722708213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/4831689980722708213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/05/clarissa.html' title='Clarissa'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7646984124759034458</id><published>2011-05-16T13:05:00.001-03:00</published><updated>2011-05-16T13:09:13.589-03:00</updated><title type='text'>O Sabotador</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;“Tinha medo. Se algum dia se mostrasse inteiro, cegaria os próprios olhos. Por isso vivia sempre pelas beiradas, por isso existia pela metade”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os dias eu consigo me sabotar um pouco. Corto fios importantes, esvazio fluídos essenciais, transformo princípios de combustão em faíscas ínfimas. Todos os dias eu misturo um pouco de água no combustível, diluo mecanicamente com a esperança gasta de um dia pifar o motor. Todos os dias eu afrouxo os parafusos, solto as porcas, quebro os dentes de alguma engrenagem malfadada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os dias eu arrebento alguns barbantes, resseco a graxa preta que faz alguma coisa girar, derramo sal para que benção da ferrugem chegue. Todos os dias eu faço nós nas correias sujas, sempre tentando estragar mais uma parte minha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é por simples medo. Medo de onde eu poderia chegar se o maquinário todo funcionasse bem. E esse texto mesmo não é arte. É a mais pura sabotagem. Tecendo essas palavras aqui eu evito de tecer outras ali, outras mais essenciais, outras das quais eu dependo, outras que podem me elevar e me levar mais adiante na estrada pela qual eu teimo em querer e não querer ir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fundo, bem o sei, eu me saboto porque sou apegado demais aos Meus sonhos. Eu quero que eles continuem sempre como Meus sonhos, não quero vê-los jogados por aí, feito realidades nuas. Quero-os tecidos em nuvens e embebidos em mel, como se os visse em paisagem distante. Tenho medo de chegar lá, nos sonhos, tenho medo de que todo aquele horizonte seja só um desenho em papel pintado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso evito a chegada, evito o caminho rápido, crio desvios, falhas mecânicas, empecilhos. Por isso me desfaço em armadilhas torpes, por isso me convenço de que tudo é distante, tudo é vão, tudo é difícil. Por isso recuo, por isso quebro, por isso saboto cada pequena vitória que poderia, por direito, conquistar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7646984124759034458?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7646984124759034458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7646984124759034458&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7646984124759034458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7646984124759034458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/05/o-sabotador.html' title='O Sabotador'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6958567428102096097</id><published>2011-05-10T17:52:00.004-03:00</published><updated>2011-05-10T17:53:15.105-03:00</updated><title type='text'>Vital</title><content type='html'>Como se a tristeza precisasse lhe escorrer bruta por dentro, lubrificando as engrenagens de joalheria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6958567428102096097?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6958567428102096097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6958567428102096097&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6958567428102096097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6958567428102096097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/05/vital.html' title='Vital'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-1105763951142436013</id><published>2011-04-20T17:48:00.000-03:00</published><updated>2011-04-20T17:48:35.230-03:00</updated><title type='text'>De um caderno de poesia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caderno rosa de poesias sempre foi cópia exata da menina triste. Não só o tema dos versos era íntimo diário, como a forma da letra e o estado do papel. Há letras cuidadas nos mínimos carinhos, traços delicados, redondos, levíssimos pontinhos, florezinhas nos quatro cantos do papel, borboletas de caneta e arabescos quase invisíveis de tão finos. E há, também, em outras partes, garranchos tortos de grossa caneta preta, riscos vermelhos, ranhuras, rasuras, rachaduras vermelhas no papel amassado de tanta raiva escrita. Há borrões de choro em rimas a lápis, corretivo pingado em frases fortes, páginas rasgadas por amargura pura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E há branquidão mortal no caderno de poesias da menina triste. Achei-o ontem, por sobre as coisas de contar histórias. Estranho, intenso, depois insosso, vazio, vazio, vazio. Fui perguntar-lhe: Mas menina triste, por que essas folhas recentes tão vazias? Sabe o que é, disse-me ela, quando as folhas estão vazias demais, é porque eu também estou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela falou. E eu, estranhamente, compreendi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc04.deviantart.net/fs31/f/2008/189/0/c/0ca6fcc098c4e122620e55355b744b6a.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fc04.deviantart.net/fs31/f/2008/189/0/c/0ca6fcc098c4e122620e55355b744b6a.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-1105763951142436013?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/1105763951142436013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=1105763951142436013&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1105763951142436013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/1105763951142436013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/04/de-um-caderno-de-poesia.html' title='De um caderno de poesia'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7447118920415513533</id><published>2011-04-19T12:10:00.000-03:00</published><updated>2011-04-19T12:10:38.167-03:00</updated><title type='text'>Jogador</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias em que ele sobe todas as escadas e tranca todas as portas depois de passar por elas. É lá, do alto, que ele olha para a cidade suja. Ele fica em pé sobre a grade, desafiando o medo de não agüentar, testando o limite do gozo, antecipando o vento da morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ali, quase tocando algum pedaço de céu, ele sente finalmente que tem um pouco de controle sobre as coisas. O botão de desligar ao alcance. &lt;i&gt;Game over&lt;/i&gt; em um passo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7447118920415513533?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7447118920415513533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7447118920415513533&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7447118920415513533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7447118920415513533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/04/jogador.html' title='Jogador'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2339966901582364212</id><published>2011-04-13T14:06:00.001-03:00</published><updated>2011-04-13T14:07:18.789-03:00</updated><title type='text'>Uma epígrafe</title><content type='html'>&lt;i&gt;“Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo. O que vem depois, não se sabe.” (Caio Fernando Abreu)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2339966901582364212?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2339966901582364212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2339966901582364212&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2339966901582364212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2339966901582364212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/04/um-epigrafe.html' title='Uma epígrafe'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-2726851292707345197</id><published>2011-04-07T18:24:00.003-03:00</published><updated>2011-04-07T18:25:39.543-03:00</updated><title type='text'>No quadro negro: 1. Responda:</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, 'Helvetica Neue', sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, 'Helvetica Neue', sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, 'Helvetica Neue', sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;Como se continua a viver normalmente se em algum&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, 'Helvetica Neue', sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;lugar há cadernos rajados de sangue?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, 'Helvetica Neue', sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, 'Helvetica Neue', sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, 'Helvetica Neue', sans-serif; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-2726851292707345197?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/2726851292707345197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=2726851292707345197&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2726851292707345197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/2726851292707345197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/04/no-quadro-negro-1-responda.html' title='No quadro negro: 1. Responda:'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-6082504918242886793</id><published>2011-03-31T17:47:00.000-03:00</published><updated>2011-03-31T17:47:23.750-03:00</updated><title type='text'>Quebra-se o anjo de vidro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"Há vazio e silêncio aqui. Mas há barulho e falta de ordem em mim."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explico minha ausência: faz mais de um mês que assumi o cargo de professor em duas escolas de Cratera. Duas escolas diferentes de tudo aquilo que eu já havia experimentado em estágios anteriores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essas duas escolas ficam em vilas consideradas carentes. De fora, você traduz carência como pobreza. De dentro, você percebe que carência é mesmo carência, é falta de carinho, de atenção. O que falta a eles, campanha nenhuma consegue arrecadar. Quem tem, afinal, sonhos para doar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pão lá se consegue, &lt;i&gt;de um jeito ou de outro&lt;/i&gt;. O abraço não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não é da carência deles que eu quero falar. Quero falar é do sentimento que precisou brotar em mim, porque esse eu não esperava. Eu não esperava esse envolvimento desmedido, esse cuidar demais. Muito antes disso eu já havia me preparado para a secura do mundo. Eu já havia me envernizado uma casca dura, um escudo para não arranhar a pele, uma seriedade para tornar tudo tolerável. Eu já tinha minha imagem, feita de gesso e gelo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O gesso esfarelou. O gelo derreteu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu precisei me livrar de tudo que tinha de grave em mim. Eu precisei resgatar sorrisos. Encontrar, em meio aos livros e artigos, o afago. Precisei descobrir aonde o mestrando deixou os cadernos de criança. Precisei esquecer os programas sofisticados de computador e lembrar dos lápis de cor. Precisei me refazer todo para encontrar espaço no peito (trancado) para aqueles pequeninos anjos ou diabos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me descobri mais frágil, mais vulnerável, mais humano do que eu queria ser. Esse mês foi de aprendizado, mais para mim do que para eles. Eu precisei aprender a lidar com uma infância já de mim tão distante, precisei aprender a acalentar sonhos, a acarinhar com um simples elogio, a envolver com um sorriso. Para gramáticas há tempo. Para a carência não. Carência tem urgência. Coração quer bater quente, independente das linhas do caderno ou da avaliação do professor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-6082504918242886793?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/6082504918242886793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=6082504918242886793&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6082504918242886793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/6082504918242886793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/03/quebra-se-o-anjo-de-vidro.html' title='Quebra-se o anjo de vidro'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3808930281996785220</id><published>2011-03-18T10:51:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T17:52:45.288-03:00</updated><title type='text'>Também para uma avenca partindo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Você sentiu a morte, meu amor? Você soube, desde o começo, que ela havia chegado? Você a desejou ou a repeliu? Eu preciso saber. Eu preciso saber se você sentiu o cheiro dela, viu a presença dela, tentou se esconder, ganhar um pouco mais tempo, mas não conseguiu. Você esperou por mim, para morrer comigo, meu amor? Você esperou e eu não cheguei? Isso me destroça, meu negrinho branco, isso me fere, isso me parte, isso me enche de água os olhos mortos. Você me amou mais do que qualquer coisa. E eu não vim te fazer o último afago. O último antes da morte. Com que esperança teu coração fraco não deve ter batido? Com que desejo de ainda me ver? De sentir, uma última vez que fosse, minha mão te acarinhando a cabeça? Tu esperaste por mim para morrer. E eu não vim. Consigo ainda sentir teu cheiro, encontrar tuas marcas pela casa, apalpar a ausência que deixaste na tua cama. Mas nunca mais vou ver teus olhos, nunca mais escutar tua voz, nunca mais sentir teu calor. E eu só queria ter tido chance de mais uma vez afagar tua nuca, mais uma vez te acalmar e te ninar no colo. Eu queria ter deixado você me ver ao lado da morte. Para saber que estava tudo bem. Para saber o quanto eu também te amava. Amei desde o começo. Desde a primeira vez que eu te vi e tu nem olhos abertos tinha. Eu queria ter sussurrado que ia ficar tudo bem. Eu queria ter aquecido tuas orelhas, ter te espremido contra o meu peito, ter feito você escutar meu coração. E eu não estava aqui. E você deve ter partido com a alma cheia de esperança podre, ruída, malograda. Cheio da ausência do que mais amou em vida. Teus olhos se fecharam por outras mãos, mãos frias, desacostumadas de carinho. Nem teu corpo eu tenho, para chorar sobre o gelo da morte. Nunca mais te ver. Como tu nunca mais me viu, antes de partir. Eu quero esquecer do mundo hoje. Eu quero continuar chorando assim, eu quero continuar escrevendo assim. Eu não quero trabalho, eu não quero mais nada. Eu quero dizer que te amei. Desde que cabia inteiro na minha mão pequena. Desde que eu te enchia de leite ao te dar mamadeira em um tubo de novalgina. Eu te amei desde que te roubei da tua mãe, tu tinhas dois dias de vida. Eu, não mais do que sete anos. Eu te amei porque ninguém mais cresceu comigo. Ninguém mais aprendeu a ver a chuva na janela da sala. Ninguém mais ouviu minhas fitas de história encantada ronronando com tanto gosto. Ninguém mais se encolheu com tanto amor perto de mim. Ninguém mais vinha ao ouvir minha voz. Ninguém mais se desmanchava em carinhos quando eu estava por perto. Ninguém mais pousava para minhas fotos. Ninguém mais. Porque desde o começo você decidiu que a entrega seria total. Desde o começo você decidiu que seria meu. Eu te carreguei de ponta-cabeça, te puxei pelo rabo, te vesti com roupas de gente. E tu deixaste, paciente, porque era meu. Tu me viste crescer, ano a ano. E mesmo quando tudo era difícil demais, tua cabeça sempre encontrava minha mão. Tu chegaste ao cúmulo supremo do carinho entre os teus: lambia-me os cabelos, penteava-me todo. De pequenos não nos largávamos e dei para ti minha paixão por chuva. Hoje chove, meu amor. Chove pra ti e tu não estás aqui, sentado nas janelas, olhando as gotas. Nunca mais ninguém espiará, mesmo que pelas frestas, a chuva cair. E em que pensava você? Nas tardes de despreocupação e zelo, em que sentávamos ambos ver a água correr? Lembrava do menino que você viu se fazer homem? Não sei responder. Eu lembro da última vez que nos tocamos, dos últimos carinhos. Pelo menos foi assim que nos vimos a última vez, entre carinhos. Não me fere tanto a tua morte, o teu descanso, o que me apunhala é tua esperança partida. Sim, porque eu sei que tu nunca me desejaste tanto quanto ali, naquele momento. Nunca quiseste tanto um carinho, como antes de ir. Se eu estivesse ali, você saberia que estava tudo bem. Mas eu não estava. Não cheguei a tempo. Não soube. O que eu fazia enquanto você morria, meu amor? O que, nessa minha vida cheia era mais importante que tu? Quantas vezes tu contaste as batidas do portão e aceleraste o coração esperando ser eu? Quantas, meu amor?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;Será que tu me perdoarás algum dia? Será? E se eu prometer ver a chuva pensando em ti? E se eu prometer guardar pra sempre o amor todo que tu me deste? Tu me perdoas assim? Por favor, meu amor.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-Y0CSA5cB7LY/TYNjHEm0qyI/AAAAAAAAAY0/9bMVmrw9TJQ/s1600/S5035310.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="https://lh4.googleusercontent.com/-Y0CSA5cB7LY/TYNjHEm0qyI/AAAAAAAAAY0/9bMVmrw9TJQ/s200/S5035310.JPG" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;"por toda minha vida"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3808930281996785220?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3808930281996785220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3808930281996785220&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3808930281996785220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3808930281996785220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/03/tambem-para-uma-avenca-partindo.html' title='Também para uma avenca partindo'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-Y0CSA5cB7LY/TYNjHEm0qyI/AAAAAAAAAY0/9bMVmrw9TJQ/s72-c/S5035310.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-3145907843505355571</id><published>2011-03-09T16:41:00.002-03:00</published><updated>2011-03-09T16:51:54.149-03:00</updated><title type='text'>Salgado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fc09.deviantart.net/fs41/i/2009/053/6/c/rouge_fonce_by_yakkingyetis.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://fc09.deviantart.net/fs41/i/2009/053/6/c/rouge_fonce_by_yakkingyetis.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdido, numa quarta-feira de cinzas, o marinheiro sem mar teimou de cismar as nuvens. Pelo menos eram densas águas num céu acinzentado. Bem lembravam as salgadas tempestades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Navegue-se.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhos no céu, pés no chão da cidade suja. Jamais seria novamente carnaval? Nuvens alheias, paradas, pesadas, hirtas, mar sereno, insosso mar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Afunde-se.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Destino nenhum, felicidade nenhuma, pensamento nenhum.  Mais confuso que a enigmática linguagem das ondas. Mais sedutor que o lúbrico canto das sereias azuis. Mais vazio do que os navios piratas das noites sem luz.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;Afogue-se&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andava. Respirava. Ar. Marinheiro sem mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-3145907843505355571?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/3145907843505355571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=3145907843505355571&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3145907843505355571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/3145907843505355571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/03/salgado.html' title='Salgado'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7120918480122593466</id><published>2011-03-01T13:10:00.000-03:00</published><updated>2011-03-01T13:10:53.992-03:00</updated><title type='text'>Singelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só hoje deixa eu te lembrar que nada é pra sempre. Só hoje deixa eu te dizer que as coisas têm o seu inevitável preço. Só hoje, por favor, me deixa ser tão banal assim. Deixa a cabeça no meu colo. Deixa os cabelos nos meus dedos. Deixa, mansamente, nas minhas mãos os teus medos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa eu te lembrar que isso é caminho. Que essas pedras, que essas pontes quebradas, que esses espinhos enferrujados, que essa cerca sem rosas, que tudo isso, enfim, é posto de passagem. Só hoje, deixa eu te mentir que o futuro é bom. Deixa eu te dizer que o destino ainda não veio. Deixa eu te fazer imaginar que lá tudo é dourado como em pôr de sol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa eu te fechar os olhos claros, te beijar a boca leve, te ninar feito criança minha. Deixa eu te sussurrar que todas as outras vozes são só maldade imensa. Deixa eu te provar que elas não podem te ferir. Deixa eu te mostrar que esses escorpiões morrem do próprio gozo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa eu te mostrar que nas tuas mãos a linha da vida é mais dourada. Deixa eu te apontar que tuas estrelas são as mais brilhantes. Brilho que ofusca e cega, temem elas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa eu te contar que invejam os teus segredos, que são velhas e a elas não cabem mais tuas maçãs. Deixa eu te enganar dizendo que isso passa. Deixa eu te seduzir com promessas de glória. Deixa, só hoje, eu enxugar teu pranto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7120918480122593466?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7120918480122593466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7120918480122593466&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7120918480122593466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7120918480122593466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/03/singelo.html' title='Singelo'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-7183983394694565906</id><published>2011-02-14T18:17:00.001-02:00</published><updated>2011-02-14T18:17:43.471-02:00</updated><title type='text'>Assombro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Triste. É preciso dizer que ele estava triste.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Papai. Eu sei fazer as coisas deixarem de existir. Quer ver?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Puxou-o pela mão e o levou até o quarto cor-de-rosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Na ponta dos pés, alcançou o interruptor e apagou a luz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black; color: white;"&gt;Viu só?! Não existe mais nada.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black; color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: black; color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-7183983394694565906?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/7183983394694565906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=7183983394694565906&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7183983394694565906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/7183983394694565906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/02/assombro.html' title='&lt;center&gt;Assombro&lt;/center&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-8915126786743696690</id><published>2011-02-10T07:32:00.005-02:00</published><updated>2011-02-14T14:49:57.560-02:00</updated><title type='text'>Anjos Voam.</title><content type='html'>&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;pra lá&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; e pra cá.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-8915126786743696690?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8915126786743696690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/8915126786743696690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/02/anjos-voam.html' title='&lt;center&gt;Anjos Voam.&lt;/center&gt;'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4216263910296247679.post-69253561848959650</id><published>2011-01-26T18:26:00.002-02:00</published><updated>2011-01-26T18:31:49.829-02:00</updated><title type='text'>A mulher destecelã</title><content type='html'>&lt;div style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/TUCDVmIJmBI/AAAAAAAAAX4/rjdNevdN0uA/s1600/C%25C3%25B3pia+de+kahlo_two_fridas_1939_d2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/TUCDVmIJmBI/AAAAAAAAAX4/rjdNevdN0uA/s320/C%25C3%25B3pia+de+kahlo_two_fridas_1939_d2.jpg" width="164" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Eu tive que desfazer depressa, descosturar tudo antes que você chegasse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu desfiei as noites em que você me abraçaria e me aqueceria, enrolando seus sonhos nos meus cabelos. Noites embaixo de árvores, folhas secas no chão, carinhos lentos, risos baixos, vida completa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu desbordei uma tapeçaria de segredos. A cumplicidade que teria com você, as nossas mãos se tocando como que ao acaso. Eu precisei desmanchar meus carinhos no seu rosto, antes que você os visse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, depressa, descosi os sorrisos que daria, os bilhetes que enfiaria nos seus cadernos, os telefonemas que daria escondida. Eu precisei desmanchar, pétala por pétala, qualquer margarida roubada que eu pudesse lhe dar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem rápido eu puxei os fios, cortei com tesoura, rasguei com os dentes, antes que você pudesse chegar e ver tudo que eu já havia tecido para nós. Fios rompidos no chão, enovelados, enosados, sobras coloridas do que não poderá mais ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deu tempo. Quando você chegar verá destroços meus no chão. Não verá nossas noites, nossos carinhos, nossas mãos dadas à esmo. Verá só a confusão de fios e panos. Talvez pergunte o que é. Talvez nem se importe. E eu não vou dizer nada. Não vou me importar também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ao sair, ao sair ainda vou olhar para a lã vermelha, toda arrebentada, e vou saber. Só eu vou saber. &lt;i&gt;Aquilo ali já foi o meu coração. E eu havia bordado para dar a você.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas você não quis."&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;___________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;Texto caído de uma das poeirentas cartas de Clarissa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;Imagem roubada de um rasgo num quadro de Frida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4216263910296247679-69253561848959650?l=anjomaldito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anjomaldito.blogspot.com/feeds/69253561848959650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4216263910296247679&amp;postID=69253561848959650&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/69253561848959650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4216263910296247679/posts/default/69253561848959650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anjomaldito.blogspot.com/2011/01/mulher-destecela.html' title='A mulher destecelã'/><author><name>V. Linné</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07615694896442390666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/Sp00UmIzxiI/AAAAAAAAALQ/VPLeq3tQaqo/S220/S5032818.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lfLqdCbjHmw/TUCDVmIJmBI/AAAAAAAAAX4/rjdNevdN0uA/s72-c/C%25C3%25B3pia+de+kahlo_two_fridas_1939_d2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
