quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O que você faria?

“E se eu desmoronar
Se não pudesse mais aguentar
O que você faria?”

Ontem, eu estava quase dormindo.
Por que dormir é tão importante?
Porque dormindo eu esqueço. Esqueço dos meus problemas, esqueço que estou vivo, esqueço que vou acordar.
Ontem, eu estava quase dormindo...
Foi quando você me fez sufocar nas águas que eu queria evitar.

Não, não entenda mal... Eu não fiquei zangado, nem nada disso. Eu só fiquei pior.
Pior, porque, apesar de tudo, é quando eu te machuco que me dói mais.

Desculpe se eu desviar meus olhos, é que eles doem demais sobre o peso do que eu ainda não consegui chorar.

“Look in my eyes
You're killing me killing me
All I wanted was you”


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vinho tinto na renda branca

"Come break me down
Bury me, bury me"

Se eu chorar te comove, então leia que estou chorando.
Eu queria aqui não ser exagerado, hiperbólico e todas estas coisas mais a que estamos tão bem habituados. Tu sabes que tudo em mim é forte, é quente, é ao máximo aquilo que pode ser. Então, mesmo que em face de menor tristeza, eu posso muito bem dizer que destes olhos amendoados brotam lágrimas de sangue. É, muito reticente ao Romantismo, eu sei. Mas sou romântico, e realista, e surreal também.
Fato é que, dentre estes exageros (e interprete tudo isso extremado), eu me mataria se tivesse uma banheira. Porque agüentar deixou de ser opção quando eu me deixei levar pela vida. Eu preciso descer da estação, trocar de trem, encerrar a viagem ou o que quer que seja.
Sem preocupações. Sabes melhor do que eu que minhas ânsias suicidas são meramente poéticas, que minha vontade de morrer é metafórica. Embora a banheira fosse uma tentação, se eu a tivesse...
Li que o pulso tem poucos nervos (meu problema sempre foi com a dor, não com a morte). Li que a banheira cheia de água quente relaxa ainda mais os músculos e facilita o escoamento do sangue.
A água tornando-se rubra (é minha cor!), meu corpo tornando-se branco (gosto do contraste)...
Fato é que nem para matar eu tenho o ódio suficiente, a abstinação necessária de acabar de vez. A vontade real me falta e tu sabes disso.
Se a morte fosse minha esposa, esconderia como amante a vida. Embora não ame nenhuma delas, o que é relativamente cômico.
E o que nos resta quando se chega a este ponto? Responda! Quando não se quer mais chegar a lugar algum e nem se tem a coragem de saltar do trem em movimento?
Aha. Tu também não sabes, não é mesmo?
Se nem tu sabes, onde vou achar a esperança que me é negada?
Quanto a mim, ora, não te preocupes. Não feches as janelas, nem escondas as lâminas e as facas. O suicídio é um crime passional demais para mim, que ando tão frio e analítico. Este foi só um pensamento ruim de quem não é verdadeiramente triste, mas está cansado de tanto não ser feliz.



Why can't I fly?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Dúvidas que alguém tem

"Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
"

Será que algum dia alguém vai me ler com a mesma paixão com que leio Clarice?
Ou alguém virá dizer que não entendeu nada do que eu escrevi?
Talvez digam que eu bebia, fumava... escrevia enquanto “viajava”.
Quem sabe ainda estarei na capa de um TCC, não meu.
Será que algum dia vão espremer minhas linhas para tirar minha vida da superfície do que não se leu?
Eles pensarão então que meus contos, os mais tontos, foram coisas que eu falsamente vivi.
Já vejo um estudante enjoado, obrigado a me ler. Procure resumos na internet, porque amanhã é dia de vestibular.
Mas a cada dez obrigados, há um (será?) que pelo menos me lê com prazer repentino.
Alguém que guarda minhas obras para serem lidas aos poucos, para nunca acabarem.
Antevejo o futuro sombrio e distante, meus livros empoeirando à estante, intocáveis pelo barulho das horas.
Estarei onde? No sebo, na livraria, nos vendedores ambulantes, na portaria?

— Oi. Você tem algum livro de.. Como é mesmo o nome dele? Acho que é Vinicius Limé...
— Não seria Linné?
— É... pode ser.

E agora? Está esgotado, desbotado, estragado, emprestado?
Deixe-me, Deus, ver só mais um pouco, preciso saber.
O que, afinal, o homem da biblioteca irá responder?



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A Lucidez Perigosa

(Clarice Lispector)

"Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém."

À luz e outras sombras mais



Acendam rápido a vela que hoje eu quero chorar.
Quero me despedir do que foi e não pôde voltar.
Dos sonhos que desamarrei e não vou mais atar.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Onde?

“Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
A aurora que luta por um arrebol
De cores vibrantes e ar soberano”


Onde está a banda que costumava inspirar seu rock pesado em minha poética adocicada?
Onde está o séqüito de meninas suspirosas que desejavam cada texto lhes pertencendo?
Onde está a legião que vinha implorar o meu suicídio e macular de polêmica minhas inocências?
Onde está a lista de tantos contatos dos que falavam-se fãs do que eu escrevia?
Onde está o contador de comentários cheio de elogios, cheio demais de mim?
Tudo secou, tudo morreu, tudo se foi.
Deixou saudade.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Post Confuso

"Non-stop"

Post Confuso, já nem eu lembrava mais o que era isso. Hoje ganhei uma sala nova na empresa onde trabalho. Uma sala só minha que todos fizeram questão de ver. Todos mesmo. A cada minuto chegava alguém, me olhava pela janela, entrava, fazia algum comentário... Juro, eu me senti um animal no zoológico com tanta gente me observando. Só faltou mesmo aquela placa: “Atenção: não alimente os animais!” Eu preciso escrever. Mais do que nunca, mas como se falta tempo principalmente espaço. Como escrever se tudo me consome, tudo me devora, tudo me exige, tudo me apressa e tudo me aperta? Eu preciso de vãos, de vazios, de momentos deitado sem nada por fazer. Eu preciso da solidão, do encanto existencial, eu preciso me perceber, eu preciso do meu egoísmo. Será que sou tão ruim quanto insistem em me pintar? Por que eles tentam me convencer de que sou? E por que será que eu acredito? Agora que tenho um notebook qual será meu próximo sonho de consumo? Necessidades, necessidades... E o essencial me escapa. Vontade de desmaiar no meio da tarde, de propósito, sabe. Sentir o corpo na queda livre para o asfalto. Teria sido bom. Post confuso, para quem nunca viu, é isso. Uma miscelânea, quase um fluxo de consciência. Filmes, livros, versos, cartas, minha cara, onde se escondeu a inspiração? Sorte, designo divino, o que, afinal, faz alguém ser escolhido para ter tudo na vida? Muitas perguntas hoje, muitas perguntas. Quase todas elas tristes, vejam só. Posts confusos costumavam ser animados e menos indagadores. Quase enchi uma página (de word) com bobagens. E como anda a tal reforma ortográfica? Eu ainda não topei com ela por aí. Nem quero. Enquanto puder eu prefiro fingir que ela não aconteceu. Vou ser como daqueles tiozinhos ultrapassados que ainda escrevem “êle", e com orgulho. Semestre novo quase começando, estágios, pavores e suores noturnos. Monografia e Clarice me olhando impaciente. Calma, Clarice, calma, eu ainda decido qual aspecto seu eu vou abordar. Nem que para isso precise de ajuda. Saudade dos trabalhos passados, saudades dos anos passados, saudade das aulas passadas. Eu não era mais feliz, mas tinha mais tempo livre para mim. Egoísta. Sempre fui. Filho único, isso explica muita coisa. Sem mais vontade de escrever, agora vou caminhar. Talvez o segredo esteja em esgotar o corpo, em cair na tarde, em rolar no asfalto. Beijo.



PS: Não julgue este blog por este post. Leia os outros se você quiser conteúdo. Posts Confusos são meus desabafos, minhas lixeiras, onde jogo fora os pensamentos que estão sobrando na minha mente. Quase penseiras, para quem lê Harry Potter. Arte Moderna, para quem franze o nariz.