Só três coisas dão a você
a sensação de que você existe:
o amor
a arte
e a morte.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Fecham-se as cortinas
ou
De como acordei - de repente - poeta em 7 de fevereiro de 2012
"Esse vínculo originário entre a consciência linguística e a mítico-religiosa expressa-se, sobretudo, no fato de que todas as formações verbais aparecem outrossim como entidades míticas, providas de determinados poderes míticos, e de que a Palavra se converte numa espécie de arquipotência, onde radica todo ser e todo acontecer."
Cassirer, Ernst. Linguagem e mito. São Paulo: Perspectiva, 2009.
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada."
Clarice Lispector - entre um cigarro e outro - em entrevista a Junio Lerner em 1977.
Eu ali, sozinho, na plateia escura. Sorrindo quando era de sorrir. Aplaudindo quando era de aplaudir. Declamando quando havia silêncio ou coração o suficiente.
Os spots desligados.
Eu ali, rabiscando de estilete nas poltronas, nas paredes, nos carpetes. Letras e palavras entalhadas no escuro plebeu. Cortinas encalhadas no palco não meu. E tudo seguindo e as rodas girando e os tolos do palco aplaudindo os próprios tolos do palco.
Bravíssimo! Sempre bravíssimo!
E minhas palavras ganhando a força dos vermes que rastejam no escuro - sem olhos. E minhas letras tortas embrutecendo e procurando vida. Qualquer vida.
Acendam os spots!
Canhão de luz na plateia.
E de repente eu, ali sozinho, ganhando aplausos dos tolos do palco. Como se, finalmente, eu tivesse feito alguma coisa. Qualquer coisa. Como uma poesia - finalmente - publicada entre os jornais diversos que no outro dia embrulhariam o peixe o pão e o vinho.
E de repente virei poeta. E de repente me fiz escritor. E de repente fui digno deles.
Não é crítica. Pelos deuses da antiga glória, não é crítica. Mas eu só me fiz escritor quando as palavras devoraram o papel jornal? Quando elas chegaram até lá? O poema, dois anos antes, não era bom, porque as letras dele só voavam aqui, rasantes? E agora? Agora é bom porque tem a propriedade de absorver a urina dos cães?
Não me sinto maior ou melhor do que me sentia antes. Então por que me tratam assim? São curiosos os tolos do palco. Os que agora se orgulham de mim. E antes não? São estranhos os tempos em que matam-se os talentos e aplaudem-se até os pequenos brotos de fama.
Porque eu não conheço outra vida senão a do escrever. Em papéis de cartas, cartões amassados, guardanapos usados e cadernetas de compras. E eles? Eles nem sabiam que escrevendo eu existia.
Que triste o espetáculo...
Fecham-se as cortinas.
Fecham-se as cortinas.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O terrorista de rosas nas mãos
No cinzeiro de jade, junto às cinzas do último cigarro dele, cada pedacinho das unhas roídas e vermelhas dela. O quarto todo ainda respirava almíscar e na janela as nuvens vinham espiar tímidas o que não aconteceu.
Ele veio de longe, desafiando o vento e o tempo voraz. Veio só porque ela chamou. Veio porque já não podia sozinho com o que sentia no peito. Precisava, feito terrorista, explodir o coração perto dela, ferindo-a com farpas e os rastilhos de pólvora.
Depois de ter-lhe dito “venha cá”, ela esperou. Esperou com a impaciência do desespero. Como se ele trouxesse no peito escarlate qualquer veneno capaz de curar-lhe as ânsias de morte. Esperou pintando as unhas e os planos de sequer deixá-lo falar. Tão logo ele entrasse, cobriria sua boca com um beijo e o derreteria ali, em plena cama, desarmando bombas e sorvendo calma toda cura de dentro dele.
Enquanto subia as escadas, cada degrau uma tacada nos nervos, ele também desenhava dentro de si o que aconteceria naquele quarto. Assim que ela atendesse, ele explodiria em traços tão vermelhos quanto as rosas que carregava nas mãos. Atiraria, pois, as flores ao chão e a tomaria em seus braços romântico, ultrapassado e carnívoro.
Quando abriu a porta, ela não soube como fazer. Agradeceu as flores. E ele não soube o que dizer ou onde tocar. Derrubou o chapéu. No mesmo momento captaram o erro. A ousadia imaginada, feito fada dos contos, recolheu-se à imaginação, medrosa do real que é.
Ela ofereceu um café, ele aceitou um cigarro e o relógio parou para ver com seus altos ponteiros o que acontecia. Era engraçado. O relógio ria. Os dois atravessaram mundos e se jogaram maldições só para se encontrarem ali. E agora nenhum deles sabia como começar.
Sim, porque imaginavam – sempre a imaginação – imaginavam que depois do primeiro toque, todo o resto aconteceria naturalmente. Esperavam, tensos, como se espera alguém puxar o pino da granada que tem presa à própria mão.
Quando ela levantou trocar a música, ele ensaiou um gesto tímido. A mão levantou das pernas feito borboleta manca e bem quase pousou nos cabelos dela. Não pousou. Quando ele foi à janela ver se já anoitecia, ela tentou soltar um dos botões da blusa, quebrou a unha.
Quando o ar cansou de ser respirado e a tensão já quase sufocava aqueles dois, ele levantou dizendo que era melhor ir. Que ainda precisava ver uma tia adoentada e comprar-lhe um elixir. Os dois sabiam que era mentira. Uma pena, ela disse. Quase desejando empurrá-lo pelas escadas, matar quem testemunhou o assassinato da ousadia. E do amor. E do amor?
Porque se nenhum jamais agarrasse o outro firme, não passariam daquilo. Daquela encenação de atores sem falas. Daquela falta de graça. Daquele desaproveitamento de pele. Daquele desperdício de hormônios e fluidos e carnes.
Não. Ela precisava fazer alguma coisa!
Não. Ela precisava fazer alguma coisa!
Deu-lhe a mão. Que voltasse, outra vez, outro dia. Quando a porta se fechou, cada um desejou morrer à sua medida. O chão faltava. As paredes tremelicavam de riso. Lá fora os carros gargalhavam rápidos enquanto ele descia a rua, chapéu na mão.
Só houve tempo para que ela roesse a unha quebrada. Para que descesse correndo a escada. Para que gritasse o nome dele, antes que ele chegar na esquina. E o nome dele, assim gritado, desvirado no ar, batendo ecos nas casas foi como a palavra mágica que faltava.
Como se tivessem dito os infinitos nomes do diabo e perturbado o mundo a ponto da ousadia não saber onde se refugiar. E escolher a humana realidade. Ele, por sério que era, correu, sorriso no rosto, chapéu descendo a ladeira. Ela, por míope que era, tirou ligeira os óculos para que não se machucassem.
E explodiram!
Silenciosamente explodiram os dois. Em um arrepio de bocas e línguas cuja fumaça cheirava à jasmim e alecrim. Em um rodopio de fogos vermelhos e morangos maduros que espocavam antes de chegarem ao céu. Explodiram. E o único som que se ouviu foi o da primeira gota de chuva.
Sim, naquela noite haveria tempestade. E naquela noite haveria também, até que enfim, amor.
Sim, naquela noite haveria tempestade. E naquela noite haveria também, até que enfim, amor.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Felicidades, culpas e responsabilidades
É porque no fundo a única responsabilidade que você tem é com a sua própria vida. E eu abro mão desse fardo com relativa facilidade. E também com relativa facilidade assumo a carga que é alheia. É trauma, eu explico.
Hoje uma menina faz aniversário. E eu não sei como ela está, ou onde. Eu dei a ela um parabéns constrangido, recolhido, envergonhado, via uma rede social qualquer. E eu disse a ela que esperava que ela estivesse feliz. Do fundo do meu peito, eu esperava – mas isso não disse.
É bem patético. Ou comum até, mas eu me sinto responsável por ela. Ainda hoje. Tudo por um ato – ou a falta de um ato – meu. Estávamos ainda no primeiro grau quando a vida dela mudou. Por minha causa.
Não completamente, eu sei. Agora eu sei que tudo não se resume à minha ação, mas a conjunto de consequências. Por muitos, muitos anos, porém, eu acreditei que devia a ela cada felicidade que pudesse ter-lhe tirado com aquilo que fiz.
De manhã não tivemos aula naquele dia. Intersérie. De tarde ela estava escalada para um dos jogos, no time de vôlei. Éramos, é importante dizer, os párias da turma. Ela, outra menina, e eu. Ela por ser pobre foi discriminada desde pequena. A outra menina por ser frágil e ingênua. Eu por opção.
É estranho dizer isso, mas de cedo eu vi que não podia fazer parte da alienada maioria que chamava uma de piolhenta e a outra de burra. Eu troquei as festas a que era convidado pela solidão nos livros, as brincadeiras na hora do recreio pelo esconderijo da biblioteca, as tardes de encontros pelas tardes de risadas com aquelas duas.
Eu passei em algum ponto, conscientemente, para o lado dos que ninguém queria. E não me importava com isso. Como se desde pequeno eu entendesse que eu me bastava. Que pela vida afora eu precisaria desfazer laços e ficar do outro lado do risco.
Era meio-dia quando voltamos, a outra amiga e eu, para casa com a promessa de que sim, à tarde iríamos até o ginásio, mesmo livres da obrigação, para fazermos companhia a ela.
Não fomos.
E porque não fomos, eu não posso contar o que lhe aconteceu. A menos que eu traduza as consequências. A menos que eu diga que naquela tarde as outras meninas, todas bonitinhas e fabulosamente nascidas, a impeliram a ficar com um menino.
Foi a primeira vez. E ela só se deixou levar porque não estávamos lá.
O primeiro beijo. E por que ele seria um desastre assim? Pelas consequências. Se estivéssemos lá, eu e a outra amiga, teríamos dado risadas a tarde toda. Teríamos comido alguma bobagem, bebido uma coca-cola e depois iríamos para casa, com a vida toda normal.
Chegaria sim o dia do primeiro beijo. Quando ela estivesse toda pronta. Quando ela decidisse que era a hora. Quando aparecesse um menino com quem valeira à pena. Não assim. Não empurrada pelo gozo das outras meninas. Não com alguém cujo nome ela nem sabia. Não para fazer parte delas.
Mas foi. E isso eu não podia mudar. E no dia seguinte a culpa já caia em mim. Ela era diferente. Ela provou do mel / fel daquelas meninas. E queria mais.
Não era conosco que sentava. Era com elas, que aceitavam como se fosse uma iniciada nas tramas mais baixas da casta. Não a viam como igual. Jamais a veriam. Mas agora podiam divertir-se com ela. E o fizeram.
Foi ali que ela mudou. Não era mais a aluna brilhante e tímida. Era vulgar. Ficava com quem aparecesse, sempre tutelada pelas risadas de incentivo e nojo e escárnio das meninas bonitinhas.
Até que elas se cansaram. E a deixaram como se deixa um animalzinho que já não diverte mais. E já não havia mais volta possível. Ela olhava para nós com um misto de saudade e condenação. Eu olhava para ela com uma culpa imensa. E a culpa forma abismos. Abismos que nenhum de nós jamais ousou passar.
Ela encontrou abrigo no que se costumam chamar de “más companhias”. Beijos na boca, sexo talvez, drogas possivelmente. E tudo por aquela tarde. Aquela tarde em que eu preferi ficar pintando coisas dignas dos elogios da professora de Artes. E que a outra amiga preferiu ficar vendo sessão da tarde no sofá de casa. E tudo mudou. E tudo aconteceu e se modificou.
E hoje, que é aniversário dela, eu voltei a me perguntar até que ponto eu a fiz infeliz. Porque é infelicidade o que reverbera naqueles olhos da foto. Olhos velhos, de olheiras fundas e cílios pretos. Infelicidade nos cabelos retos e na boca dura que não dá sinais de saber sorrir.
Se pudesse falar com ela, perguntaria se ela me culpa por tudo. Se foi tudo tão ruim assim a partir dali. Ou se ela encontrou um jeito melhor do que o nosso de se fazer feliz. Eu queria saber se ela me agradece ou condena por aquele dia. Ou melhor, se ela sequer tem noção do que representou aquele dia, do que mudou, do que aconteceu a partir dali.
Agora eu posso dizer que assumi demais a responsabilidade por ela. Que ela fez o que precisava e o que queria fazer. Que é um erro tentar poupar os outros deles mesmos. Que não se deve proteger alguém daquilo que esse alguém quer. Eu posso me repetir isso que aprendi. Posso. Posso dizer até ficar rouco e cansado. Mas não sei se posso me convencer. Porque em algum ponto eu sou o menino que não foi. E ela, a menina que ficou, imensamente sozinha naquele ginásio tão grande.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Princess of Wands
Quando você vem é pra me dizer que está na hora. Hora de levantar dessa cama, hora de tirar o pó dos armários, hora de abrir essa janela direito e deixar entrar o sol da manhã. Quando você vem eu sei que vai jogar fora todos os meus papéis e planos velhos. Sei que vai me fazer beber mais água, cortar os cabelos e querer mais do futuro.Quando você vem eu sei que é pra me desacomodar, pra me fazer parar de reclamar e sair dessa cadeira para lutar por alguma coisa decente. Eu sei. Sei que vai ser para me dizer que postura assumir, quantas frutas comer e onde investir meu dinheiro e energia.
Quando você vem é pra tirar das gavetas o que eu não preciso mais e pra me cercar dos sonhos que eu deveria mesmo ter. Quando você vem é pra me colocar em frente ao espelho e me moldar do jeito que eu deveria mesmo ser. Para me fazer ver minhas reais capacidades, tirar minhas máscaras e desmontar meus esconderijos.
É, quando você vem eu não tenho mais paz nem sossego.
Nem medo.
Porque é só quando você vem que eu posso viver.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Epifanias
Quando a poeira vermelha baixou, no meio da rua estava Clarissa. Vestida de flores, olhos pintados de água, sorriu-me triste. Os cabelos quase brancos faiscavam com o sol da tarde e meia. Do lado, nas pedras quentes do chão, uma bolsa de viagem, alça arrebentada, couro desgastado.
Voltou.
Quando falou, não me deixou interromper. Não me deixou falar também. Quando falou, eu sabia que não mais me deixaria.
“Eu sei. Eu fui tola. Tola demais. Todo esse tempo sempre perseguindo sonhos. Sempre imaginando que eu seria a solução de alguém, sempre pensando ‘Se ele me amasse, eu poderia mudar a vida dele’. E eu nunca percebi. Eu jamais nem imaginei que tudo que eu precisava era de alguém disposto a mudar a minha vida. Alguém disposto a me fazer feliz. Entende? Alguém que me mostrasse o meu lugar. Que dissesse o quanto eu era importante. Alguém que me notasse, me admirasse, me fizesse sorrir por bobagens, sabe? E agora eu estou aqui, chorando, porque todas as vezes que tentei fazer alguém feliz, eu abdiquei da minha felicidade. Do que eu sentia. Do que eu queria. Eu fiz com que eles vissem o quanto eram importantes. E eles se tornaram importantes pra eles mesmos. Não pra mim. E isso me fez ver que importante não é mesmo amar. É ser amada, né?! Por isso eu voltei. Voltei porque não posso mais perseguir sonhos, não posso mais quebrar. Estou esfarelada, entende? Não em cacos, em farelos. E eu queria saber se há um lugar, se há um canto, se ainda há encanto que me faça voltar pra você. Porque o segredo é mesmo esse. Não é tentar mudar a vida de alguém. É deixar que alguém mude a sua. E eu sei que você poderia mudar a minha se quisesse. Se tentasse com força. E eu deixaria dessa vez. Dessa vez eu sentaria e seria feliz. Bem boba, bem tola, bem mocinha de filme da década de 20.”
Quando ela finalmente terminou eu compreendi. Cada palavra. E soube que ela tinha razão. E soube que eu precisava, também, de alguém que me fizesse feliz, não de alguém a quem alegrar. Eu disse que ela podia sim voltar. Mas nunca pra mim.
Conto inspirado pelo som de A hora da estrela
Conto inspirado pelo som de A hora da estrela
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Caríssimo
Arrumando hoje as coisas das gavetas, encontrei um papel com o nome teu. Vinicius Linné. O nome limpo, um papel rasgado. Lembrei-me de ti. De todos os meus personagens – e foram muitos – tu és o único que não matei. A tua história é a única, aliás, à qual nem fim dei.
Que te esqueci é bem verdade, mas haverás de me perdoar. Eu me afastei porque precisava, já começava a te pintar com tintas tristes. Eu te fazia chorar à toa e machucar-te assim me magoava. Dei-nos um tempo.
Que foi de tua vida enquanto não te escrevi? Viveste? Não? Eu não sei. Não sei o que fazem meus personagens longe de minhas tintas e minhas máquinas. Se continuaste triste por esses tempos, perdão. Hoje voltou-me toda uma vontade de te retomar, de te fazer sentir, vibrar, viver. Ou te fazer dançar e cair, comigo no fim.
Há dias – e noites principalmente – em que penso em tirar-te dos meus papéis, do molde negro das minhas letras. Assim, como se eu acaso fosse uma versão moderna de Dr. Victor Frankenstein. Com a diferença de que você não é monstro porque eu te fiz anjo. Agora queria fazer-te carne, músculos e sangue. Queria fazer-te homem. Qualquer dia queria ver teus olhos tristes feito pingos de mel, os teus cabelos escuros feito anoitecer, tua barba de tirar a inocência do rosto.
Queria ver isso em qualquer canto da rua. Mas não há magia que traria à vida o que eu inventei. O que só por isso existe. E só dentro de mim. Assim como não posso fazer me brotarem os sentimentos do peito. Como não posso traçar o amor, o ódio. A tristeza mesmo que me é tão íntima, eu não posso moldar em argila crua e depois soprar-lhe vida. Mesmo a ti que teci com dedos de panos tão delicados eu não posso fazer viver. Eu nem pude te impedir de sofrer, quando era isso que desejavas tão ardentemente.
Ah, Vinícius. Somos no fundo tão iguais. E acho que é em minha carne que te fazes carne. É do meu peito que te faço o teu pulsar. Não sei, menino, quando foi que te inventei. Imagino que era outono. Imagino que entardecia. Imagino que as nuvens armavam uma tempestade azul. Imagino que naquele dia eu amava e por isso imaginava você.
Queria te ouvir. Queria te tocar. Queria te fazer escrever. Será que algum dia me perdoarias a tua criação? Será que algum dia faria sentido eu te criar feito máscara minha. Será que eu te convenceria de que tu não existes? Não sei de mais nada. Sei que escrevi porque a tarde existia. Porque a solidão existia e porque existia papel e caneta nas minhas mãos. Sei que escrevi só porque precisava que tu vivesses também. Para não ser tão sozinha. Para não ser esquecida. Para purgar e para não morrer.
E agora que tudo é assim, tão fatal, tão ficcional e tão real aqui dentro, queria te dizer que um dia ainda te escrevo uma história linda. A primeira de toda minha vida. Prometo.
E agora que tudo é assim, tão fatal, tão ficcional e tão real aqui dentro, queria te dizer que um dia ainda te escrevo uma história linda. A primeira de toda minha vida. Prometo.
Com amor,
Clarissa
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