quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Revelar

Posso encontrar pelo corpo as marcas de todos aqueles que não me amaram quando eu precisava. Os sinais daqueles que de algum modo me feriram, destrataram, rejeitaram. Sim, meu corpo é um mapa de desamores. E nenhum desses desamores precisou me tocar para deixar digitais. É o não-toque que marca mais, que machuca mais fundo, que lacera da pele ao osso.

As marcas que eles deixaram eu mesmo fiz. Foi sempre assim. Cada vez que alguém não me achava digno, eu não me achava também. Cada vez que alguém me odiava, eu me odiava também. Cada vez que me abandonavam, eu me abandoava também. Desde o berço. A primeira marca, desenhada na perna esquerda.

Eu posso ler cada uma delas. Posso passar os dedos e tocar na minha pele as rejeições alheias. E se posso tocá-las, também posso apagá-las. Eu percebi, depois de 26 anos, que todo amor que eu procuro eu já tenho. Eu já tenho. Há alguém que esteve comigo nesses momentos todos, lambendo feridas, segurando minhas mãos, desmanchando maldades alheias. Houve alguém comigo naquela festa, naquele abraço de despedida. Houve alguém comigo naquela volta da escola, naquela noite sem sono, naquela cidade imunda. Cada vez que me feriram, ele esteve lá. Ele chorou comigo e me fez sorrir. Muitas, muitas vezes. 

Sim, essa é uma declaração de amor. Uma definitiva. Porque, finalmente, eu percebi que ele estará comigo até o fim. Os outros todos passam. Pessoas se vão, às vezes batendo as portas, às vezes batendo as botas. Mas ele não. Não importa o que eu faça. Não importa o que eu diga. Ele vai estar comigo. Ele vai precisar de mim. Estamos juntos agora, e isso é nosso final feliz. O amor é isso. É estar junto, é entender, é zelar. E eu quero fazer isso por ele, já que ele o fez por mim. Eu, que sempre o odiei, quero pedir perdão. Perdão pelas marcas, pelo sangue todo, pelas vezes em que o tratei como os outros lhe tratavam.

Perdão, porque eu levei 26 anos para entender que a pessoa da qual eu dependo e de quem eu nunca vou me afastar sou eu mesmo. Eu mesmo. Todo esse tempo e a resposta estava no espelho. 

Eu posso ser abandonado ou abandonar quem for. Eu posso ser rejeitado ou rejeitar quem for. Eu posso ser humilhado ou humilhar quem for. Mas eu sempre estarei comigo. Até o fim. E como pude odiar por tanto tempo alguém assim?

Hoje eu passei a mão pelo meu corpo, pelo meu mapa de desamores e consolei a mim mesmo. Depois delineei à caneta um novo sentido para cada traço. Se eu não amar quem está sempre junto comigo, por benção ou maldição, como vou me livrar do vazio que sempre senti? Sim, porque amor e vazio não podem coexistir em mim. O vazio sempre foi por falta de amor. Do amor mais fundamental. Do meu amor por mim. Fui eu quem me trouxe até aqui. Sou eu que me levarei de agora em diante. Então como não me amar? Como não me sentir seguro sabendo que não, que eu nunca vou me abandonar? Minha história sempre foi feita de abandonos. Entendem, então, porque eu preciso tanto dessa segurança que só agora encontrei?

Eu não sei de outro desbravamento que precisasse de uma navegação tão longa. Vinte e seis anos. Finalmente eu gritei “Terra à vista!”. Vinte seis anos. E só agora eu descobri que existo. Está na hora, portanto, de traçar novos mapas. De desamores nunca mais. Afinal, ninguém pode ser tão importante assim a ponto de mudar o que eu passei a sentir por mim.






sábado, 1 de fevereiro de 2014

Solar


Primeiro Clarissa amanheceu os olhos. O traçado grosso do lápis sumiu um dia. E suas íris ganharam, então, um ar mais azul. Depois foram os lábios que empalideceram. De vermelho tornaram-se rosa-aurora. Depois, foram as frases que perderam muito de sua força, mas também muito de seus palavrões. Clarissa amanhecia inteira.

Depois foram os dentes que surgiram, não em rosnares, mas em risos. Risos leves. As roupas ganharam flores miúdas e o cabelo voltou ao seu loiro natural. Ela inteira tornava-se dia, entre a própria surpresa e desconfiança.

O mais difícil, ela percebia, era livrar-se das próprias convicções. Era afastar-se da imagem antes criada. Era ser boa e deixar que a vissem boa. Antes, má, Clarissa achava-se especial de alguma forma. Ela era singular e fazia-se respeitar por isso. Agora ela era uma mancha pálida.

A princípio era assim que se via, como uma mancha pálida. Depois, porém, notou que não era uma mancha. Era um ponto. E não era pálida, era brilhante. Um sol em uma tarde de verão. Logo ela que sempre quisera ser lua em noite de tempestade.

Clarissa sempre despreza seu lado mais luminoso. E, agora percebia, era esse o seu melhor lado. Era brilhar o seu destino mais íntimo. Não na solidão escura, mas no dia claro. Não à margem das nuvens, mas no céu azul. Azul da cor redescoberta de seus olhos.

Não havia motivo para as lágrimas de antes, assim como não havia motivo para o sorriso de agora. Mas que brotasse, mesmo assim, mesmo sem motivo. O motivo Clarissa inventaria e ele teria o mesmo tom do canto das cigarras. 

Clarissa conhecia uma história sobre o canto das cigarras. Não aquela da formiga. Clarissa não queria fábulas e suas morais. Ela conhecia outra, mais bonita.

Aquela de um homem, um escritor, que recolheu-se à montanha para encontrar a paz certa de escrever. Era verão e no princípio tudo parecia perfeito. Não era. Havia o canto das cigarras. Embora dito assim pareça idílico, ouvido incessantemente é enlouquecedor.

As cigarras não suspendiam por um segundo o canto estridente e o escritor parecia não mais aguentar. Até que ele mesmo decidiu ser uma cigarra. Transmutar-se em uma, ficionalizar-se. Criou, então, um conto muito longo e muito belo sob o ponto de vista de uma cigarra.

Aquele canto que aos homens incomodava era, para a cigarra, a própria Clair de lune. Era uma canção que falava de amor e louvava a vida. Louvava o verão e o calor que lhe permitira escapar da escuridão profunda da terra. Era um canto de celebração que só duraria enquanto a vida durasse.

Quando o homem terminou seu conto, não ouvia mais o canto da cigarra. Ouvia a música.

Clarissa precisava disso também. Não da tristeza retumbante e profunda que lhe garantia um certo charme, acompanhado da vontade de cortar os pulsos. Ela precisava dessa alegria que, a princípio, incomodava tanto quanto o canto das cigarras. Ela precisava achar sentido em ser feliz. Viciar-se na felicidade assim como fora, algum dia, viciada na amargura.

No momento em que o fizesse, sua felicidade não seria mais estranhamento. Seria só natural. Natural como a luz do sol. Natural como seria natural uma Clarissa ser clara, ser solar.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Para gatos

Havia ratos na casa. Muitos deles. E ratos espertos. Não caiam em ratoeiras, não senhor. Não se deixavam capturar, não senhor. Não chegavam nem perto dos venenos, não senhor. Eram ratos, além de tudo, determinados. Sabiam o que queriam e não se deixavam iludir por pouco.

Se os ratos eram espertos assim, pensou o Sr. Rodrigues, estava na hora de comprar gatos. Pois os gatos não são maiores do que os ratos? Claro que são! Devem, portanto, ser mais espertos também. Resoluto, Sr. Rodrigues comprou logo cinco gatos:

Josefa, logo se viu, não se prestava a caçadas. Era manhosa demais, medrosa demais, melosa demais. Porém, uma vez que já havia feito o negócio, Sr. Rodrigues não podia desfazer-se dela. Era prejuízo certo. Promoveu-se, então, Josefa a animal de estimação. Podia ela ficar o dia inteiro deitada em almofadas recebendo trato no focinho.

Catarina foi outra gata que para a caça não prestou. Avançava em quem chegasse e não se deixou domesticar de modo algum. Usava unhas e dentes em quem fosse preciso. Exceto, curiosamente, nos ratos. Deles, a gata tinha nojo. Deixou-se Catarina em paz, portanto. Quem mexeria com ela? Conformaram-se com o fato da gata aparecer somente para comer e dormir. 

Theobaldo revelou-se um exímio brincalhão. Um artista, praticamente. Dava piruetas, fazia passinhos engraçados e divertia as crianças. Fazia rir tanto o menino da casa, que o Sr. Rodrigues deu Theobaldo a ele. Tinha vocação, oras, e isso não se ignora. O menino que lhe ensinasse novos truques. O problema dos ratos seria para os outros gatos.

Walter era a encarnação do medo. Tinha receio da escuridão de noite e da luz de dia. Tinha sustos terríveis com passos, rangidos na escada, e com silêncios de qualquer feitio. Se ouvia um guincho de rato, Walter desmaiava. Além disso, ele tinha olhos tão esbugalhados, pelo tão eriçado e coração tão acovardado que inspirou pena a todos da casa. Ele passou, assim, a ser protegido e poupado de todas as incomodações. "Coitadinho do Walter", diziam.

Houve um único gato que para as caçadas prestou. Era ágil, esperto e determinado. No primeiro dia, liquidou com uma família inteira de roedores. Era tão eficiente que fazia, além do próprio trabalho, o daqueles outros quatro. O Sr. Rodrigues sorria, satisfeitíssimo com sua própria esperteza. “Não disse que bons gatos dariam jeito nisso? Disse.” E ele pensava mais, pensava assim: “Se sendo alimentado todos os dias, esse gato caça tantos ratos, imagine quantos não caçará se precisar fazê-lo para comer?”

Foi dada a ordem e cortou-se, então, a alimentação do gato. Por uns dias tudo foi bem, o gato encontrava nos ratos mais do que o suficiente para manter-se satisfeito. Os ratos, porém, foram diminuindo na casa. Não demorou para que o Sr. Rodrigues fosse livrado das incômodas pragas. Em seu íntimo, o gato até imaginava a recompensa que ganharia. Se os outros haviam sido recompensados, imagine ele, que fizera sozinho todo o trabalho a que foram chamados.

O Sr. Rodrigues, desconhecendo o íntimo do gato e desejando manter a eficiência do plano, reforçou a ordem: 

— Esse gato aqui não come. Assim, ele pode procurar ratos na vizinhança e nenhum mais se instalará em nossa casa. 

Passados, no entanto, alguns dias em jejum, o gato não tinha sequer como sair de casa. Abrir os olhos já era um esforço. A inanição lhe despontava as costelas e enfraquecia o corpo todo. Ainda assim, em um último ato, ele passou a miar, implorando comida. No segundo dia a ouvir aqueles mios insistentes e contínuos, o Sr. Rodrigues se exasperou. "Mas o que pensava aquele gato? Acaso não viera junto com os outros? Viera. Acaso não fora tratado do mesmo modo? Fora. Acaso não lhe deram casa, funções e cuidados? Deram. Então o que mais ele queria? Nem para caçar já não prestava! Nem para caçar! Pois era mesmo um ingrato, um ordinário, gato que mais valia ter ficado a virar latas."

Aos gritos, para ser ouvido acima dos mios, Sr. Rodrigues gritou à cozinheira:

— O jardineiro, rápido, chame o jardineiro e mande que ele dê um jeito nesse gato. Vou ao clube e, quando voltar, não quero nem sombra, nem pelo, nem fio de bigode desse gato desgraçado por aqui. Me ouviu?

A cozinheira ouviu e ouviu bem, chamou o jardineiro e assim se fez: enforcou-se o gato na goiabeira, um pouco antes das três da tarde, que era, afinal, o horário de alimentar Josefa, Catarina, Theobaldo e Walter.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ódio

Tenho sentimentos de medidas exatas. Amores que arrebatam ou não até onde eu os deixar. Amizades milimetradas, pesares de certo número, felicidades calculadas com precisão absoluta. Só o ódio me escapa. Só o ódio é desmedido em mim. Ele toma força, proporção, desengana réguas, trenas, metros, enlouquece os marcadores de altitude. 

Meu ódio não tem fim ou medida. Não tem começo ou limite. Meu ódio se expande com a mesma constância do universo e agarra até à grama do caminho. Meu ódio é o mais generoso em mim. Ele compreende até o amor e quem ama aquele que eu odeie.

Meu ódio é minha ousadia, é meu olhar mais duro, é meu caminhar objetivo e tresloucado. Meu ódio é o fim em si. É a justificativa de qualquer ato. Qualquer. Meu ódio é minha propulsão para as vinganças que lhe tenham o mesmo porte: desmedidas. No mínimo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Reinventando

[...] a vida, senhores, é uma invenção 
da palavra – e não o contrário.
Nilza Rezende


Às vezes é preciso trocar de palavras. De adjetivos sobretudo. Eu, por exemplo, gostava muito do adjetivo "delicado". O gesto pequeno e manso, de dimensão estreita e sensibilidade aguda. Se eu precisasse concretizar a palavra "delicado", eu o faria na forma de um remoinho que, em pleno outono, gira folhas e agrada crianças.


"Delicado" foi um mote meu por muito tempo, só que não me cabe mais. Não. O corpo cresceu, tomou forma, ultrapassou os limites todos e ameaçou partir meu adjetivo em dois. Eu ainda tentei. Tentei usá-lo sem que me coubesse, tentei esgaçar as mangas, desfazer a barra, abrir as costuras e colocar remendos. Não deu.

Não é que eu tenha aberto mão da delicadeza. Não, ela ainda me pertence. Mas sinto que preciso vestir outra palavra. Uma que se acomode ao meu novo mundo e à minha nova vida. Não tenho mais suporte para redemoinhos. Preciso de tornados, furacões, ventos fortes que assustam tanto quanto encantam.  Preciso já de exuberância!

Silêncio.

"Exuberante"

Testo na língua, na boca, no corpo. E cabe.

Percebo, então, que tentar me encaixar ao “delicado” era como vestir um troll de soldadinho. “Exuberante”. Um adjetivo novo que me compreende enfim. Que faz sentido e que eu posso representar sem medo. 

“Exuberante”, uma palavra para eu despir das aspas e ser, para eu costurar no corpo e me dar, com ela, a medida exata. Uma palavra para transformar em mantra, para justificar a desculpar, para preencher e definir.

Sim, um adjetivo novo, exuberante. Porque somos, afinal, as palavras que escolhemos ser.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Qual o meu papel como professor?

Há professores cujo papel é celofane. Visto de longe, o celofane é lindo, enfeita, dá cor, brilha. Quando manuseado, ele faz barulho, canta vantagem, chama a atenção sobre si e sobre suas qualidades. De perto, porém, percebe-se que seu conteúdo é pouco e sua transparência muita. O celofane é fino, corta-se facilmente, perde a cor com qualquer umidade e, de mais a mais, incorre em uma falsidade: faz de conta que é plástico enquanto, na verdade, tem a mesma celulose dos outros.

Há professores cujo papel é jornal. Algum dia, eles receberam, em letras de imprensa, o que havia de mais novo sobre sua área de conhecimento. E isso lhes bastou. Esqueceram, porém, que o mundo se renova e que, portanto, atualizar-se é preciso. Depois de impresso, o jornal precisa se reinventar para sobreviver, ser dobradura, papel que embrulha porcelana ou mesmo que forra a gaiola de passarinho, o que não se pode é parar. Caso contrário, não haverá utilidade para as notícias de ontem.

Há professores também cujo papel é pardo. São do tipo mais usado na escola, simples, sem brilhos, sempre com os mesmos tons, sempre com as mesmas funções, sempre nos cartazes mais simplórios, rodeados por alunos que não cansam de perguntar: “Mas não há cartolina na secretaria?”

Há professores cujo papel é timbrado e reservado exclusivamente para documentos oficiais. Tudo que neles se escreve vira lei, imediatamente, sem pontos de discordância ou rasuras, sem revisões, correções ou remendos. São eles os detentores da verdade absoluta, com assinatura embaixo, carimbo vermelho e “faça-se cumprir”. 

Há professores, ainda, cujo papel é higiênico. São macios, sedosos, sempre à disposição de uma carícia na pele ao enxugar uma lágrima aqui e outra acolá. Tudo eles absorvem e relevam e compreendem e confortam. São servis com quem chegar. Esquecem, porém, para que foram inventados.

Papéis, papéis, papéis. O sulfite tem múltiplas utilidades. O carbono se restringe a copiar tudo que lhe mostram. O papelão pode ser inflexível. O de presente é sempre decorado. O reciclado é feito de muitos outros. Papéis, papéis, papéis. Mas afinal, em qual eu me encaixo? De que papel é feito o professor que eu sou?

Olhando para os lados percebo a resposta. Há rascunhos desse texto sobre minha escrivaninha. Sou do tipo de professor cujo papel é esse mesmo, o de rascunho. O rascunho já teve seu momento, já recebeu as letras que precisava receber, porém não se restringiu a isso. O rascunho está pronto a novas escritas, a novos e múltiplos desenhos e até aos rabiscos feitos enquanto se telefona. O rascunho sabe que não está pronto e aceita com ânimo o que lhe imprimem, preservando para a próxima versão o melhor. O rascunho permite rasuras e refacções. Até mesmo as incentiva. O rascunho não é definitivo, nem pretende ser, aprimora com humildade tudo que nele é posto. Papel de rascunho. É esse o meu papel como professor. Espero que o seu também.

domingo, 11 de agosto de 2013

Pai não é quem cria. É quem faz.


Hoje é dia dos pais e vou precisar discordar de uma máxima bastante popular. Para mim, pai não é quem cria. É quem faz. 

Tenho observado nos contextos pelos quais transito, que “criar” uma criança é relativamente fácil. Envolve algum grau de alimentação e outras necessidades básicas. Não implica em mais do que isso. As crianças se “criam” praticamente por si. Pai, pai de verdade, é quem faz.

Quem faz companhia para o filho quando ele está doente. Quem segura na mão, quem ensina a andar de bicicleta, quem fica a noite acordado, esperando o filho voltar.

Quem faz o impossível pela felicidade de seus filhos. Quem faz serão, hora extra, trabalho pesado, para ajudar que o filho se forme, que “seja alguém”, que “tenha o que eu não tive”.

Pai é quem faz.

Pai é quem faz carinho, quem faz o almoço, faz companhia, faz ligações no meio da tarde quando sabe que o filho não está bem. Pai é quem faz vistas grossas às vezes, faz o papel de mãe, de juiz, de motorista, de segurança, de advogado, de contador de histórias, de médico, de psiquiatra, de instrutor, de conselheiro, de amigo...

Sim, criar qualquer um cria. Agora fazer de uma criança um homem honrado, direito, pleno, feliz, isso não é para qualquer um. Isso é só para um verdadeiro pai. Para alguém que faz, fez e sempre fará sempre o seu melhor.

Sou adotado. Mesmo assim – eu sei – foi meu pai adotivo quem me fez. 

Feliz dia dos pais, pai.