terça-feira, 17 de março de 2009

Inside

"Se me der na telha sou capaz
De enlouquecer
E mandar tudo pr'aquele lugar
E fugir com você pra Shangrilá"

Todos os soldados dentro de mim. As panteras negras e os pumas alvos, espiando pelos buracos dos meus olhos; como se fossem seteiras rudimentarmente castanhas. Há baratas correndo na parede dupla de minha carne. Ratos no porão, raposas no telhado, macaquinhos no sótão. Há saltimbancos saltando nas veias e arlequins dançando em algum lugar do salão. Há nos cabelos moscas varejeiras e nos lábios borboletas voadeiras. Escondidos em mim os assassinos, fugitivos de meus demônios. Não, não há anjos em meus domínios. Há zeladores zelosos em cada porta: de mim ninguém passa! São palhaços presos na roda gigante, putas paradas nas sombras tristes das ruas. Crianças de rostos preocupados e velhos sem dentes chupando pirulitos.
Em mim todos residem, resistem, imóveis vegetam. É o grasno das aves que falta, é a dança das ciganas que se ausenta.
Falta vida, movimento, falta tudo e ninguém aqui dentro faz nada.
Avante, meus marinheiros, comecem qualquer motim... pelo amor de Eus.


4 comentários:

  1. Gostei muito do seu texto. Deu certa agonia ver tanta coisa junta dentro de uma só pessoa.

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