quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Nu em pranto

Chove.
Já viste meu corpo nu na chuva?
Dele todo sai vapor de água.
Esfumaço feito o diabo.
Sou quente?
Não.
Porque por dentro há muito frio.
Gelo seco.
Molhado, porque chove
os olhos pesam.
A água escorre e lava
o sal de algum choro escondido.
Eu recolho meus choros pra mim
e me dou de beber.

Agora chove.
Gota por gota na minha pele.
O frio arde.
O vapor queima.
Deito nu num chão de pedras coloridas.
Fecho os olhos, como se adiantasse
- é escuro -
também por dentro.

Da chuva cada pingo me faz carinho.
Mas só depois de cair agudo, flechado.
Mordidas e beijos e sopros.
Sozinho.
Na chuva.
Só porque chove.
E pela chuva eu sou amado.

4 comentários:

  1. Por que eu nunca consigo comentar esses teus textos maravilhosos?

    Resta dizer: é lindo. Te admiro um monte, meu amigo.

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  2. E nem era pra ser.

    Esse foi desabafo. Em poemas eu ando enferrujado. Nem gostei. Publiquei por uma frase de que gostei realmente. A mesma que a Lidi deu RT.

    De qualquer forma, valeu, Renata. :D

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  3. Thank you very much for this article!
    For a long time I have done exactly what you warn against. This article was a slap in the face - but a needed one.
    That being said, what is the value of an intuitive explanation? Is it to give a lay person an "ah-ha" moment? Is it good to have SOME understanding, even if it is "vague and mush?"
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