sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Olho mágico




Todo dia ele acaricia tua porta. Ele não bate nela. Não pede para entrar. Não toca a campainha. Ele passa a mão, bem de leve, como se na madeira sentisse teu rosto, teu corpo, tua alma. Todo dia ele para na porta. Como se entrar fosse proibido, parto de todo castigo, todo pecado, todo crime. Todo dia.

Todo dia ele espera te encontrar, por acaso. Todo dia ele pensa em te abraçar bem forte, sem dizer nada, sem pedir perdão, mas também sem perdoar. Ele queria, só um dia, ser maior do que o próprio orgulho. Ele queria voltar pra tua casa, pros teus olhos, pra tua boca. Ele queria morar – amar – do outro lado da porta.

Todo dia ele vem, e depois desce as escadas, sozinho. Todo dia. Enquanto você espia. Pelo olho mágico.

6 comentários:

  1. V. Linné,



    Não resisti olhar teu blog pelo olho mágico, entrei e dei de cara com essa construção poética ...não dá para ficar do outro lado da porta!


    Um abraço, Marluce

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  2. É quase desolador (no fundo, é desolador mesmo). Dois solitários com ambições, mas contidos. Muito bom o seu texto, muito bem escrito.

    Abç!

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  3. Profundo,enigmático e reflexivo.
    ótimo texto!

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  4. Ah, lindo seu canto!!!

    Linkando e seguindo!

    Voltarei com mais calma!

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  5. Sempre imagino um final feliz para seus personagens. Mas finais felizes todos esquecem...

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  6. Thank you very much for this article!
    For a long time I have done exactly what you warn against. This article was a slap in the face - but a needed one.
    That being said, what is the value of an intuitive explanation? Is it to give a lay person an "ah-ha" moment? Is it good to have SOME understanding, even if it is "vague and mush?"
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